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Brasil profundo “Quero viver” – Carta Capital

Se tivesse a oportunidade de se encontrar com a presidenta Dilma Rousseff, Laisa Santos Sampaio, irmã de Maria do Espírito Santo e cunhada de José Cláudio Ribeiro, casal de extrativistas assassinados em maio de 2011, em Nova Ipixuna, Pará, diria sem hesitar: “Eu quero viver”. O apelo por proteção surge com as ameças de morte [...]

Se tivesse a oportunidade de se encontrar com a presidenta Dilma Rousseff, Laisa Santos Sampaio, irmã de Maria do Espírito Santo e cunhada de José Cláudio Ribeiro, casal de extrativistas assassinados em maio de 2011, em Nova Ipixuna, Pará, diria sem hesitar: “Eu quero viver”. O apelo por proteção surge com as ameças de morte e o peso de assumir a luta dos familiares contra a ação ilegal de madeireiros e carvoeiros no Assentamento Praialta-Piranheira.

 Embora abandonados à própria sorte em seu País, o desfecho trágico do casal e sua família para manter a floresta de pé ganhou a atenção do mundo e das Nações Unidas. Laisa recebe em nome de Maria e Zé Claudio nesta quinta-feira 9, em Nova York, um prêmio da ONU pela trajetória dos extrativistas. A cerimônia Heróis da Floresta congratula indivíduos de todo o mundo que trabalharam em 2011 para proteger a floresta e a menção aos ambientalistas foi criada de forma inédita.

 Ameaçada de morte, Laísa Santos Sampaio recebe prêmio na ONU em homenagem ao casal de extrativistas assassinados no Pará. 

 Em meio a indicações de 41 países, o Brasil tem dois representantes na final: o jornalista Felipe Milanez, colaborador de CartaCapital, que atua mostrando a realidade dos povos da floresta, e Paulo Adario, diretor da campanha Amazônia, do Greenpeace Brasil.

 “Quando recebi o telefonema da ONU para representar esses heróis, fiquei emocionada por eles. Pensei em como seria se estivessem vivos para ver o reconhecimento de tudo pelo que lutaram”, conta Laisa, em uma conversa reservada com CartaCapital e poucos jornalistas em São Paulo, horas antes de partir para Nova York.

 Desde a morte de Maria e Zé Claudio, as ameaças de morte vêm se intensificando. A reportagem de CartaCapital já havia denunciado a situação em agosto de 2011, quando a Força Nacional conduzia a Operação Defesa da Vida contra os conflitos agrários na região amazônica. À época, as investigações sobre o homicídio do casal pela Polícia Civil haviam acabado e os acusados pelo crime – os pistoleiros Lindonjonhson Silva Rocha e Alberto Lopes do Nascimento, suspeitos do assassinato, e o pecuarista José Rodrigues Moreira, mandante – estavam soltos. “Sabemos demais”, disse Laisa, cuja casa no assentamento havia sido

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