Início > Artigos > De olhos bem abertos
De olhos bem abertos

Por Antônio Falcetta, Técnico da Secretaria de Comunicação da UFRGS (SECOM). Envie artigos para ser publicado na seção de artigos da Assufrgs para o e-mail igordefato.ufrgs@gmail.com

O facebook é uma mídia contemporânea que veicula o que seus assinantes quiserem postar. Não há grandes processos nem um editor ou censor que determinem o que deve e o que não deve ser publicado. É uma espécie de vale-tudo que nos demanda desconfiar sempre da fidedignidade ou da origem dos textos. Há pouco, por exemplo – mas não um exemplo qualquer -, li a postagem de um “amigo” sobre a Teoria da Conspiração. Não estava assim intitulado o texto, mas o seu conteúdo apresentava esse tema, com ilustração bastante sugestiva. Nove pessoas e um ET em torno de uma mesa circular e vasada ao centro, no qual se encontra uma representação do globo terrestre encimado por uma pirâmide com um olho aberto. Símbolo este bem conhecido. No texto, denúncias da produção de apatia por meio da adição de flúor nas águas que consumimos, do controle das nossas emoções por radiofrequência, da intervenção genética na manipulação de organismos, da estética que se utiliza da “proporção sagrada” e até da alteração dos padrões de hertz na música para conduzir os indivíduos à competição. Bem, muitos devem estar pensando em paranoia persecutória em grau avançado; outros hão de ficar conjecturando em que proporção isso pode ser verdade. Entretanto, sabemos que o controle e a manipulação são elementos afeitos ao poder. E um gestor experimentado não deve ser negligente a tais aspectos. Mas ainda parece muito cinematográfica a imagem dessa cúpula tramando formas de dominação. Eu sou dos que têm uma colmeia atrás da orelha, pois me parecem pouco ilustradoras dos sistemas econômicos as relações de igualdade, reciprocidade, equidade, etc. Essa espécie de ficção, portanto, não está longe de ser possível. Com as redes sociais também em suspeição – estarei neste momento aparecendo no mapa de algum serviço de inteligência? -, somos contemporaneamente inseguros sobre em que acreditar. Mas prefiro crer na manipulação de uma minoria ardilosa do que na falta de capacidade do(s) coletivo(s). Não custa andar no contrafluxo e, ainda que haja um ‘big brother’ lendo meus pensamentos, continuarei a dormir com um olho bem aberto. Vá que…

Antônio Falcetta

Técnico da Secom

 

 

Veja também