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Desafios do movimento sindical

João Guilherme Vargas Netto*  Há uma série de desafios ao movimento sindical que deve ser hierarquizada para organizar sua compreensão, seu enfrentamento e sua capacidade de mobilização e vitória.  O primeiro grande desafio é a obtenção, nas campanhas salariais em curso, de ganhos reais compatíveis com as necessidades dos trabalhadores e da economia que reafirmem [...]

João Guilherme Vargas Netto*

 Há uma série de desafios ao movimento sindical que deve ser hierarquizada para organizar sua compreensão, seu enfrentamento e sua capacidade de mobilização e vitória.

 O primeiro grande desafio é a obtenção, nas campanhas salariais em curso, de ganhos reais compatíveis com as necessidades dos trabalhadores e da economia que reafirmem o rumo traçado nas lutas pelo desenvolvimento econômico e contra a desindustrialização.

 Este desafio, de cuja vitória depende o desenlace de vários outros, tem sido enfrentado com mobilizações e greves em vários setores econômicos e exige esforço redobrado no coração do setor produtivo paulista, o dos metalúrgicos.

 O segundo desafio é a luta no Congresso Nacional pela substituição do fator previdenciário por uma alternativa negociada que reduza e invalide o pernicioso efeito do fator sobre as aposentadorias correntes.

 Este desafio requer, além da unidade de ação dos sindicatos e das centrais, ampla mobilização e negociações inteligentes conduzidas por dirigentes sindicais experientes e que sejam também negociadores políticos hábeis, como por exemplo, o deputado federal Paulinho da Força (PDT-SP) e o senador Paulo Paim (PT-RS).

 Outros desafios decorrem das necessidades de reforçar o papel do Conselho Nacional de Relações do Trabalho e do Ministério do Trabalho e Emprego no que se chama de “modernização” das relações de trabalho.

 Poderia dar como exemplos as discussões sobre a Portaria 186, sobre a tabela de categorias profissionais com a finalidade de “enquadramento sindical” e a discussão, aberta por sindicatos de metalúrgicos da CUT sobre o acordo coletivo com propósitos específicos (cujas implicações agora se expandem para o setor da construção pesada).

 Estes assuntos que não garantem mobilizações maciças devem ser tratados com muita cautela e circunspecção já que seus efeitos são sentidos de maneira diferente em vários setores e entidades.

 A boa conjuntura sindical que atravessamos não autoriza, por si só, que nos precipitemos nestas discussões e soluções. Neste caso mais vale amassar o barro juntos do que tentar cortar com espada rombuda a corda do atraso.

 (*) Membro do corpo técnico do Diap, é consultor sindical de várias entidades sindicais em São Paulo

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