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Responde a Carta Aberta de apoio à reeleição do reitor

Carta Aberta Prezados colegas:          Recebi,  por  e-mail    um  “Manifesto  de  apoio à reeleição da atual gestão da UFRGS”, assinado por um grupo de servidores técnico-administrativos.   Como discordo de quase tudo que foi  escrito neste manifesto, passo a contestá-lo senão em  seu todo, pelo menos nos itens que considero mais  equivocados. Mas, antes, gostaria de esclarecer  [...]

Carta Aberta

Prezados colegas:         
 
Recebi,  por  e-mail    um  “Manifesto  de  apoio à reeleição da atual gestão da UFRGS”, assinado por um grupo de servidores técnico-administrativos.  
 
Como discordo de quase tudo que foi  escrito neste manifesto, passo a contestá-lo senão em  seu todo, pelo menos nos itens que considero mais  equivocados. Mas, antes, gostaria de esclarecer  que não apoio e nem pretendo apoiar qualquer candidato a reitor.  
 
 1. O texto inicia manifestando seu reconhecimento pela excelência do trabalho realizado pela atual  gestão da UFRGS.
 Pergunto eu: que excelência?  
Será nos índices de crescimento apresentados pela UFRGS? Pois o primeiro quadro abaixo  mostra os percentuais de crescimento de algumas IFES da região sul do país, no âmbito do REUNI  (2006 a 2010), somente no quesito aumento das vag as nos cursos de graduação presencial. O  segundo quadro evidencia a evolução percentual da pós-graduação stricto sensu, nas mesmas  IFES:  
 
Mestrado Doutorado 

UFPEL 68%  8%
UFCSPA -X-  50%
FURG 30%  60%
UFSM 70%  41%
UFSC 16%  23%
UFPR 18%  27%
UFRGS 4%  8%
 
Fonte: RELATÓRIO DE ACOMPANHAMENTO  DO PROGRAMA DE APOIO A PLANOS DE REESTRUTURAÇÃO E EXPANSÃO  DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS (Reuni). Andifes. Janeiro/2010.( http://www.anped11.uerj.br/relatorio.pdf ).

É importante dizer que os percentuais de crescimento  das IFES nas outras regiões foram ainda  maiores. Não me detive a olhar outros quesitos uma vez que o relatório está disponível a quem  quiser. Mas é de se supor que a en orme diferença entre os índices das demais IFES e os da UFRGS  também existam.
 Mas porque a UFRGS cresceu tão pouco?  
 Atrevo-me  a  dizer  que  a  nossa  univer sidade se desenvolveu pouco porque propôs pouco. E  isto é problema de gestão.  
Não  consegui  encontrar  as  propostas que das IFES que aderiram ao REUNI. Mas lembro que  na época da elaboração da proposta do REUNI, aqui na UFRGS, a reitoria de então limitou-se a  coletar poucas e pequenas propostas de expansão que lograram ser feitas nas unidades de ensino. 

E isto é outro problema de gestão, uma vez que a  reitoria da UFRGS não é capaz de propor nada,  tendo aptidão somente para reunir o que for proposto.
UFPEL 106%
UFCSPA 86%
FURG 76%
UFSM 59%
UFSC 54%
UFPR 40%
UFRGS 18%
E  nos  leva  a  outro  problema  de  gestão: a falta de diretrizes de médio e longo prazo para o  desenvolvimento da UFRGS,  que seja capaz de a limentar uma proposta de  crescimento institucional  independente da solicitação de propos tas coletadas no encerrar dos prazos. 

Por  fim,  encerrando  a  contestação  de  excelência de gestão e de crescimento desmedido da  UFRGS, afirmo que a expansão acontecida na UFRGS nos últimos anos é uma decorrência natural  do maior aporte de dinheiro paras as IFES. Quem viveu a UFRGS nos tempos do desmoronamento  da ditadura militar; do descontrole inflacionário de Sarney; da aventura de Fernando Collor e Itamar  Franco; e, por fim, da política de aniquilamento  do ensino público nos dois períodos de Fernando  Henrique sabe que hoje, pelo menos, algum dinheiro existe para o desenvolvimento do ensino e da  pesquisa nas IFES. Mas isto é mérito de governo.  E, como ficou evidente acima, a UFRGS não soube  aproveitar. 
 
2. O texto assinado por alguns técnico-administrati vos fala também que a atual reitoria aprimorou a  gestão democrática em nossa universidade.  
Pergunto: onde? Só se acreditam que é uma evo lução a eleição para reitor acontecer neste  ano com um peso de 70% para o voto dos professor es e 15% para técnicos e alunos. Isto que o atual  reitor e seu vice foram eleitos numa consulta com  percentuais de 40% para docentes e 30% para os  outros dois segmentos.
Quero  esclarecer  que  o  conceito  de  democracia universitária não se encerra somente na  escolha de seus dirigentes. A democracia universitária é a pedra angular para a liberdade da qual  depende o desenvolvimento do ensino e o avanço do conhecimento humano. Mas a escolha dos  dirigentes universitários é, sim, parte fundamental desta democracia acadêmica.  
 
 Por  outro  lado  -  ironia  das  ironias  -   esta gestão da reitoria da UFRGS, louvada como  democrática por uns, apenas observa – acredito qu e satisfeita – a aprovação do regimento eleitoral  para a eleição do próximo reitor, com uma fórmula  que sacramenta o famigerado 70/15/15. O pior de  tudo é que estas regras serão aprovada s no CONSUN na próxima sexta-feira (13/4).

Pergunto de  novo: onde está a democracia?  
3. O manifesto continua evidenciando quatro pontos que, aos signatários, são fundamentais para a  UFRGS. Escuso-me de comentá-los, pois não pretendo fazer a crítica completa do manifesto. Limito-me a evidenciar a fragilidade dos argumentos usados  para justificar a suposta expansão da UFRGS
e também a suposta democracia universitária.
 
 
Porto Alegre, 11 de abril de 2012.
 
Ubayar Closs
Servidor técnico-administrativo da UFRGS

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