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Artigo de Juremir Machado sobre o pacote de maldades natalinas do Governo Yeda

1) Por que uma greve no fim do ano? Porque o governo manda projeto que é uma caixa de maldades no fim do ano, tentando aprová-lo no apagar das luzes, em regime de urgência, jogando com a possibilidade de não haver greve por ser o momento inoportuno. É uma maneira de forçar a aprovação e [...]

1) Por que uma greve no fim do ano? Porque o governo manda projeto que é uma caixa de maldades no fim do ano, tentando aprová-lo no apagar das luzes, em regime de urgência, jogando com a possibilidade de não haver greve por ser o momento inoportuno. É uma maneira de forçar a aprovação e de’ jogar a sociedade contra os professores’.

2) Por que o governo quer dar mais piso? ‘Para dar menos básico’. É sobre o básico que incidem as vantagens da carreira. Só há um ideal: piso e básico serem iguais.. De preferência, no teto. Quer dizer, quanto mais alto melhor.

3) Por que o governo quer mudar o plano de carreira? ‘Para diminuir vantagens’, tornando menor o que já é pouco.

4) Por que ter um plano de carreira garantindo pequenas vantagens? ‘Para diminuir as enormes desvantagens’. As vantagens por tempo de serviço são formas de melhor um pouco a vida das pessoas e incentivá-las, diminuindo a pressão sobre os empregadores, pois são aumentos pulverizados. Afinal, nem todos completam triênios ao mesmo tempo

Quanto ao resto, repito meu texto de ontem. Seu tempo de validade ainda não terminou.

OBS: o governo está sendo democrático: seu ‘pacote de maldades’ atinge também outros setores, entre os quais os brigadianos. É que os soldados ganham ‘fortunas’ para morrer por nós nas ruas das grandes cidades.

Como gosta de dizer Edgar Morin, citando Pascal, o contrário de uma verdade profunda pode não ser um erro ou uma mentira, mas outra verdade profunda. O magistério estadual entrará em greve na próxima terça-feira. É verdade que essa medida extrema trará prejuízos para alunos e pais. ‘Mas é verdade também que o magistério não tem saída. Se a sociedade não se mobiliza para valorizar o magistério, resta ao magistério se mobilizar para interpelar a sociedade. O governo tenta ‘jogar pais e alunos contra professores’ numa chantagem clara e banal’.

‘Os salários do magistério são baixíssimos’. É inadmissível que aqueles que devem alfabetizar e formar nossas crianças e jovens ganhem tão pouco. Muita gente ataca o CPERS para desqualificar as demandas dos professores alegando que as ações do sindicato têm viés político-partidário. Pode ser. Mas essas criticas, em geral, também têm viés político-partidário. São motivadas por um antipetismo ou por um antiesquerdismo visceral que não perde oportunidade para se manifestar e não quer entrar no mérito das questões em jogo. Desta vez, o CPERS tem razão. ‘O plano de valorização do governo para o magistério é, na verdade, um plano de desvalorização’. Em lugar de adotar um piso (salário inicial sobre o qual devem incidir todas as vantagens da carreira), prefere um abono, o que levará parte da categoria para um salário maior e deixará outra parte com salários congelados.

‘O governo tem usado uma estratégia pesada de comunicação, apoiado por boa parte da mídia conservadora, com o objetivo de desqualificar os ganhos do magistério’. Por que pagar vantagens por tempo de serviço? Para estimular as pessoas ao longo do tempo. Professores, assim como jogadores de futebol, são pessoas que precisam de incentivos. Essas vantagens servem, ao mesmo tempo, para melhorar parte dos salários, que são baixos, sem precisar melhorar o todo. É uma maneira homeopática de corrigir o que é apresentado como incorrigível. Talvez a licença-prêmio tenha ficado anacrônica. Ela pode muito bem ser substituída por licenças para cursos de atualização. É preciso que isso seja regulamentado, valha para todos e não dependa da boa vontade dos chefes.

Por enquanto, o governo quer transformar o pouco em menos ainda. ‘Aproveita-se da mídia amiga para jogar a população contra os professores’, a quem não dá alternativa e nos quais tenta colar o rótulo de radicais ou até de vagabundos. Ao jogar com a palavra piso, que não entende como salário inicial sobre o qual se acrescentam as vantagens da carreira, contrariando lei federal, induz a sociedade a pensar que pretende dar um piso de R$ 1500 enquanto o CPERS, num surto de birra, estaria lutando por R$ 950. Ou seja, o CPERS estaria propondo greve para ter menos. O único argumento plausível do governo seria provar que não pode dar o piso (salário inicial) de R$ 950. Não basta dizer que isso quebraria o governo.. ‘Precisa discutir prioridades’.

Coloco o email, para agradecimentos! juremir@correiodopovo.com.br

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