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Artigo: O valor do trabalhador público

Acabei de chegar do “1º Encontro Nacional de Trabalhadores do Serviço Público”, realizado pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), em São Paulo, entre os dias 16 e 18 de abril, que contou com delegados de 15 estados brasileiros, das esferas municipal, estadual e federal. Antes (15/04) estava em Brasília/DF, na Marcha vitoriosa [...]

Acabei de chegar do “1º Encontro Nacional de Trabalhadores do Serviço Público”, realizado pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), em São Paulo, entre os dias 16 e 18 de abril, que contou com delegados de 15 estados brasileiros, das esferas municipal, estadual e federal. Antes (15/04) estava em Brasília/DF, na Marcha vitoriosa que reuniu 3 mil trabalhadores federais para enfrentar o PL 549/09, que propõe congelamento de gastos com serviço público. Volto a Porto Alegre trazendo na bagagem muita disposição e a convicção redobrada da importancia do serviço público e do trabalhador público.

Alguem pode dizer que estou falando isso por que sou um trabalhador público. Mas o serviço público é uma necessidade para a população brasileira. Saúde, educação, segurança, saneamento. Todos esses serviços e outros são prestados por trabalhadores públicos, em todas as esferas, em todos os poderes, e é justamente a população mais empobrecida que se beneficia quando esses serviços são oferecidos com qualidade.

No entanto, nos últimos vinte anos, o serviço público tem sido atacado, reduzido de tamanho, e tachado de ineficiente. Desde Collor, a máquina estatal começou a ser tacahada como um elefante pesado, que estava inchado e não funcionava direito, devendo ser reduzido. Dinheiro aplicado na máquina pública, principalmente educação e saúde, passaram a ser considerados gastos que pesavam nos cofres. É a tão falada ideologia neoliberal.

O principal atacado por essa ideologia é o trabalhador público: mostrado como “vagabundo”, “parasita do dinheiro do contribuinte” e outras visões pejorativas, o rabalhador público se organizou do jeito que pôde, na luta sindical, para resistir a ofensiva da redução de direitos.

Em Brasília, no dia 15/04, os 3 mil trabalhadores federais não estavam lutando só pelos seus direitos de reajuste e realização de novos concursos públicos, entre outras pautas. Estavam lutando pelo direito da população ter acesso a serviços sociais com qualidade.

Para garantir os direitos sociais que a população precisa, o serviço público precisa aumentar quantitativa e qualitativamente. A PL 549/09, ao propor congelamento de 10 anos nos gastos no serviço público, vai na contramão do que a população mais empobrecida desse país precisa.

Nossos jovens precisam chegar na Universidade. Nossos idosos precisam de assistência médica. Nossos adultos precisam de emprego. A população brasileira tende a crescer e a precisar cada vez mais de serviços públicos. Como vamos congelar por dez anos os recursos investidos nesta área? Vamos pedir para a população congelar também?

Mais do que servidores, nós somos trabalhadores públicos. Temos um papel fundamental a cumprir na construção de um país menos desigual, mais desenvolvido e ecologicamente sustentável. Para isso, precisamos ser valorizados.

Para vencermos, precisamos de unidade. Não é uma luta deste ou daquele segmento. É uma luta dos trabalhadores públicos e é uma luta da sociedade que necessita desse trabalho.

Por Igor Corrêa Pereira
Coordenador de Imprensa Assufrgs

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