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Assembleia lotada elege delegados da Assufrgs para o XXII CONFASUBRA

349 técnico-administrativos elegem seus delegados, em assembleia geral, para o XXII CONFASUBRA. Chapa 1 Peleia, Vamos à Luta e Independentes teve 176 votos, elegendo 19 delegados. Chapa 2 – Ressignificar e Independentes, teve 40 votos, elegendo 04 delegados. E a Chapa 3 Tribo, CTB e Independentes teve 113 votos, elegendo 12 delegados

Nesta quinta-feira (16), os técnico-administrativos da UFRGS, UFCSPA e IF-RS realizaram assembleia geral, no auditório da Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS. Os 349 trabalhadores lotaram o espaço para eleger os delegados ao XXII CONFASUBRA, o qual será realizado de 4 a 8 de maio de 2015, em Poços de Caldas (MG).

A assembleia teve início com a saudação aos companheiros do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – dos campi Restinga e Canoas, que estão se filiando à Assufrgs para engrossar as fileiras de luta do sindicato.

 O XXII CONFASUBRA irá discutir os temas pertinentes da política nacional e internacional, as questões dos trabalhadores no serviço público federal, bem como o indicativo de greve aprovado pela categoria na última plenária da FASUBRA.

 Após apresentação da assembleia, houve inscrições das chapas para eleição de delegados e defesa das teses – para concorrer às 35 vagas de delegados distribuídas proporcionalmente conforme votação às chapas apresentadas.

Defesa de teses

Vamos à Luta – Peleia e Independentes


A primeira tese apresentada, conforme sorteio realizado na Assembleia, foi da chapa Vamos à Luta – Peleia e Independentes. A Coordenadora da Assufrgs Bernadete Menezes defendeu a necessidade de os trabalhadores se localizar na conjuntura. No caso do serviço público, o patrão é o governo. Falou sobre a resistência dos trabalhadores frente ao governo e citou o dia de paralisação nacional 15 de abril como exemplo de luta, barrando aspectos do PL 4330 da terceirização. “Conseguimos tirar o serviço público. O projeto foi para a plenária já sem o serviço público, por pressão do nosso movimento. Também, conseguimos tirar as estatais, foi muito importante tirar a Caixa Econômica e o Banco do Brasil. Mas, os destaques seguem em votação. Ontem, tivemos uma vitória, unimos todo mundo, de quem defende e não defende o governo, mas que queria defender os interesses da classe trabalhadora. Vitória que foi adiar para a semana que vem a votação”, disse Bernadete.

 

Para ela, outro retrocesso nas lutas que tivemos foi da aposentadoria integral para os jovens que estão entrando no serviço público; a medida provisória que ataca pensionistas e desempregados. “Aqui será os testes das centrais. Os companheiros vão também defender os trabalhadores nessa hora contra a medida provisória do governo Dilma? Vamos estar juntos nesta batalha ou só contra o PL 4330? Queremos estar juntos em todas as lutas. Se tivermos essa unidade a construção entre nós de uma unidade real, que defenda a classe trabalhadora, com certeza teremos mais vitorias. Se não tiver isso, a classe trabalhadora vai passar por cima”, expressou Bernadete.

 

No âmbito local da universidade, frisou a garantia da data-base, que faz parte da Constituição Federal, e no entanto devido à nota Técnica do Tribunal de Contas da União a efetivação da mesma não é possível; política salarial e reposição das perdas salariais; democratização da Universidade; reposicionamento dos aposentados; questão das Creches e verbas para a Universidade.

 

Temos garantia da data-base na constituição federal, mas infelizmente nesta universidade, uma nota técnica do tribunal de contas da união vale mais que a constituição federal. Temos que mudar, colocar a força da classe trabalhadora de novo no comando desta situação. Queremos sim uma data-base, direitos que todo trabalhador tem: que é saber quando vai ter aumento, e hoje não sabemos. Queremos política salarial e vamos defender neste congresso também, no mínimo uma política do salário mínimo, porem queremos mais: pois temos perdas, 27% que estamos pedindo frente a essas perdas. Tem que ter política salarial, que é a reposição da inflação, mais o crescimento do PIB.

 

Temos toda pauta especifica também que é democratização da universidade, reposicionamento dos aposentados; questão das creches; verbas para a universidade.

Ressignificar e Independentes


Pela chapa Ressignificar e Independentes, Arthur Bloise, também Coordenador da Assufrgs, defendeu a tese do grupo. Segundo Arthur, os primeiros meses de 2015 foram um furacão conservador no país, acenado com os retrocessos nos direitos dos trabalhadores. O governo Dilma deu uma “guinada” à direita, surpreendendo a todos com as medidas provisórias 664 e 665 e outras com o Ministro Joaquim Levy para sair da crise. “Não existe uma forma somente de sair da crise. O mundo está em crise. A economia nos países centrais não está crescendo como deveria crescer para ter desenvolvimento e emprego, mas a alternativa não pode ser conservadora, tirando direito dos trabalhadores”, explicou Arthur. Para ele a alternativa a ser construída é à esquerda na área econômica, puxando, então, os demais setores da sociedade e aponta “para sair da crise tem que ter mais emprego, mais salário. Tem que ter incentivo às empresas pequenas, médias e inclusive às grandes. Infelizmente este não é o receituário que está aí para nós. E o que precisamos fazer?  Vamos assistir isso? não! Nós, que inclusive estamos na base social, que elegeu por uma pequena diferença a presidente Dilma, queremos estar na rua fazendo a pressão e dizendo: não! fora Levy!”, contestou o Coordenador.

 Sobre os direitos dos trabalhadores, relatou que não é somente o PL 4330 da terceirização em curso para tirar o que já conquistamos, mas vale-transporte; CLT; conquistas da era Vargas estão sendo atacadas e implantadas pelo governo. E pergunta: “Então no que acreditamos? Acreditamos que os setores progressistas, avançados, de esquerda, que fizeram esta opção tem que agora cobrar da presidenta que cumpra o programa pelo qual foi eleito. Que não é o programa das forças conservadoras. É o programa que a sociedade, e não foi a militância petista, foi a sociedade e setores de outros partidos de esquerda que votaram na presidente porque não querem a maioridade penal, por exemplo, para 16 anos – colocando criança dentro de presídio. Não queremos o retrocesso nos direitos da união de pessoas de mesmo sexo; os direitos das mulheres que são as mais atingidas em nossa sociedade. A presidenta Dilma tem que vetar integralmente o PL da terceirização, e dizer que não assina porque é pauta conservadora. Da maioridade penal a mesma coisa”, disse Arthur Bloise.

 Em relação a Universidade, defendeu uma “onda democrática”, no direito de tomada de decisões, elegendo Reitor para a Universidade tanto na UFRGS quanto UFCSPA, participando da gestão. Já sobre salário e carreira, frisou a importância da retomada desta discussão pela FASUBRA, segundo a qual deve realizar com quem tem corrente política e quem não tem também. “ Queremos fazer uma discussão da Carreira, não que vá surgir uma nova, mas nesta presente exigir uma lei da data-base para todo funcionalismo. A questão dos três salários mínimos de piso, e o Step de 5%. Além disso, a possibilidade da ascensão funcional para ser de fato uma carreira. E então vamos precisar de trabalho lá no Congresso Nacional, de gabinete em gabinete para convencer os deputados de que a ascensão funcional não é “trenzinho da alegria”, não. Antes pelos contrário, ascensão funcional e serviço público de qualidade com concurso público, isso é uma arma contra a corrupção. O problema é que se fazemos junção de terceirização com o que hoje acontece no serviço público, aí sabemos o que ocorre dentro das universidades”, disse Arthur.

O Coordenador também apresentou a discussão a respeito da saúde e segurança do trabalho; creches; ambientes de trabalho que muitas vezes não representam a dita “qualidade” de nossas universidades.

CTB, Tribo e Independentes


Na apresentação da tese da CTB, Tribo e Independentes, a defesa foi dividida entre também os Coordenadores da Assufrgs Mozarte Simões e José Luís Rockenback (Neco).

 

Mozarte Simões (Tribo) abriu a defesa explicando que a tese, junto à CTB, tem política para todos os segmentos da sociedade, seja sindical, político, para mulheres, LGBT, negros e negras. O Coordenador apontou a seguinte questão para os servidores: por qual razão, na FASUBRA e em outros lugares, existem vários campos políticos?

 

Segundo Mozarte isso se deve porque os diferentes grupos têm diferentes visões de mundo. “Estamos trazendo aos companheiros uma proposta de unidade. Não viemos trazer para o companheiro a fragmentação do movimento sindical, viemos trazer unidade na luta. E é isso que a FASUBRA não está fazendo no momento, e é o que queremos que a FASUBRA o faça. Porque estamos dizendo isso? verifiquem o PL 4330, que barrou ele? Quais as duas centrais que estavam lá?  A FASUBRA não chamou, não divulgou, não fez chamada para seus sindicatos de base, colocou uma nota apenas.  Nós do sindicato e outros da base da FASUBRA enviamos delegados para lá”, disse Mozarte.

 

O Coordenador ainda lembrou do dia nacional de paralisação de 15 de abril que unificou no país todas as centrais sindicais, e que teve exemplos de unidade concreta, como no Rio Grande do Sul. “Ontem, na porta da Carris, as centrais sindicais no RS deram uma lição: estavam na porta da Carris.  Nós do Coletivo Tribo, junto a CTB, não viemos trazer terras arrasadas: temos trabalho? Temos trabalho! Votamos? Votamos! Mas não vamos assinar embaixo para tudo que façam. Defender uma unidade de verdade na luta, e não uma unidade disfarçada”, reivindicou Mozarte.

 

José Luís Rockenback (Neco/CTB) também reforçou a aliança com o coletivo Tribo, uma vez que tal já se realiza na Assufrgs e na Fasubra, buscando atuação conjunta. Neco alertou para a crise mundial que já está ocorrendo e, segundo anunciam os economistas, é a maior desde 1929. “O capital financeiro internacional, que manda no mundo junto com o imperialismo americano, o que querem para resolver a crise? Retirar dos trabalhadores seus e do terceiro mundo e desestabilizar as experiências que se contrapõem em maior ou menor grau a sua política. Não é à toa que no Brasil se arma uma crise política, e também em outros países da América Latina, como Venezuela e Argentina, que tem procurado se integrar para uma alternativa que não seja a de ser capacho do imperialismo e das políticas neoliberais que conhecemos muito bem”, falou Neco.

O Coordenador apontou ainda que no Brasil está havendo um avanço da direita, seja por dentro do governo – como as medidas do Ministro Joaquim Levy; quanto externamente como tem se visto nas manifestações da direita e um congresso nacional eleito mais conservador desde 1964, conforme Neco. “Não é à toa que as pautas são conservadoras. Temos que lutar já por uma reforma política que acabe com o financiamento empresarial de campanhas. Este PL 4330, que ontem o povo foi às ruas, e unificadamente as centrais para derrota-lo, já teve reflexos. Adiaram a votação, que era para ser ontem (15). Tiraram as empresas públicas, deixaram só as privadas. Mas a terceirização a gente conhece, dentro da própria universidade, que hoje 30% da mão de obra é terceirizada: atrasa salário, vale-transporte, vale refeição todo mês. Os terceirizados recebem um terço do que recebemos e trabalham mais, sem direitos às vezes de lugar para comer. Os capitalistas querem explorar mais para resolver a crise para o lado deles. Temos de estar unidos neste momento para evitar o golpismo. Temos que unir o nosso lado, como ontem fizemos”, afirmou. 

Pra finalizar, Neco denunciou que o discurso hipócrita anticorrupção, que foi uma arma política usada muitas vezes pela direita como forma de desestabilizar governos mais progressistas. “Esse papo a gente conhece de longe. Fizeram em 54 com Getúlio, fizeram isso com Jango, tentaram fazer isso com Lula, e agora querem fazer isso com Dilma”, disse Neco. “Nós sim somos contra a corrupção, contra desmandos e malfeitos em todos os campos. Desde lá nas altas esferas no executivo, no legislativo, no judiciário, seja no serviço público, e seja no sindicato, por que a gente está aqui com uma auditoria, porque não aceita corrupção”.

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