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Assentados arrancam eucaliptos de seus lotes em Pedro Osório

Agricultores assentados no município de Pedro Osório, na Zona Sul do Estado, decidiram arrancar as lavouras de eucalipto plantadas nos seus próprios lotes. Eles haviam firmado contratos com a Votorantim Celulose e Papel, por intermédio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas agora querem se ver livres deste problema.

Agricultores assentados no município de Pedro Osório, na Zona Sul do Estado, decidiram arrancar as lavouras de eucalipto plantadas nos seus próprios lotes. Eles haviam firmado contratos com a Votorantim Celulose e Papel, por intermédio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas agora querem se ver livres deste problema.

Liderança do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região, Irma Ostroski explica que o MST realizou um debate com as famílias assentadas que haviam plantado eucalipto, sobre os problemas gerados com a monocultura e sobre o papel dos assentamentos de Reforma Agrária.

"Nós chegamos à conclusão de que as conseqüências são bastante desfavoráveis para todo o Estado, e entramos no debate com as famílias sobre o porquê de não fazermos o plantio de eucalipto dentro dos assentamentos. As áreas de assentamento devem servir para a produção de alimentos, e isso motivou a gente de discutir com as famílias a necessidade de não se integrar com a Votorantim e com outras empresas, no processo de produção de eucalipto", afirma.

Em dezembro do ano passado, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) realizou um seminário para discutir as parcerias de agricultores assentados com empresas de celulose. Na época, o Incra considerou o programa de fomento da Votorantim uma forma de arrendamento, o que é ilegal já que as terras de Reforma Agrária são concessões públicas. O Incra iniciou um processo de notificação dos assentados, que podem até mesmo perder os lotes caso sigam produzindo eucalipto.

"Na medida em que as famílias começam a ter ciência do problema e da possibilidade de perderem o lote, elas decidem, de forma coletiva, no caso do assentamento de Pedro Osório, se desfazer do plantio de eucalipto, e estar buscando amparo jurídico para anular este contrato que elas estabeleceram com o BNDES, com a Votorantim, manipulados pela Emater, que fez o papel de convencer as famílias, que foi quem fez os projetos das famílias", diz.

O MST admite que outros assentamentos da região possuem plantações de eucalipto da Votorantim e afirma que irá estimular as famílias a tomarem a mesma decisão dos assentados de Pedro Osório.

Fonte: Luiz Renato Almeida/Agência Chasques

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