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Assufrgs debate religiosidade e as origens da capoeira

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O Dia da Consciência Negra, consagrado no 20 de novembro, dia da morte de Zumbi dos Palmares, é um dia de luta, debates, seminários, eventos, caminhadas e atos para alertar a sociedade sobre o problema da discriminação racial existente no país.

Instituições como a Prefeitura, Assembléia Legislativa, Câmara de Vereadores e diversas entidades sindicais e federações, como a Assufrgs e Fasubra, organizam uma semana de atividades para marcar esta data histórica.

O ápice das atividades deste ano culminou com a IV Marcha Estadual Zumbi dos Palmares, que também comemorou “Os 100 anos da Revolta da Chibata”, que iniciou no dia 22 de novembro de 1910, no Rio de Janeiro. A IV Marcha saiu às 18h, do Largo Glênio Peres, no Centro de Porto Alegre e caminhou até o Largo Zumbi dos Palmares, na Cidade Baixa.



Assufrgs participa da Semana da Consciência Negra
Assufrgs se preparou para a Marcha organizando uma atividade preparatória no pátio da Faculdade de Educação. Durante a tarde de segunda-feira (22/11), a Assufrgs montou uma tenda no pátio da Faced onde realizou uma palestra sobre “Religiosidade de matriz Africana: umbanda e quimbanda” e uma oficina de “Capoeira”.

A aluna cotista do curso de Fonoaudiologia da Ufrgs e do Movimetno Contestação, Luciana Nacimento, fez um relato do trabalho que está sendo realizado nas escolas de segundo grau, para esclarecer aos estudantes do ensino público e negros, que existe as cotas e eles têm direito. “Hoje existe uma reserva de 30% das vagas e se nós não ocupá-las podemos perder”, alertou.

Técnico-administrativos debatem as religiões afrobrasileira
O presidente da Associação Afro Umbandista de Viamão, babalorixá Washington Luiz Azevedo da Rocha, explicou como surgiu a Umbanda no Brasil, e as diferenças entre Umbanda e Quimbanda. “A religião foi criada no Brasil no dia 15 de novembro de 1908, por uma rapaz de 17 anos, em Niterói/RJ”, relatou.

Washington explicou que a umbanda é uma das religiões mais antigas do mundo e alertou que é preciso acabar com os mitos sobre a religião, pois 90% das pessoas de classe alta frequentam Terreiros de Umbanda e vão na Igreja Católica tomar óstia. “Nós temos que respeitar acima de tudo o ser humano. Ainda temos vergonha de ser umbandista e ser negro. Até a Constituição de 1988 eu sofri muita pressão, pois sou militar aposentado e tinha que pegar a viatura para fechar terreiro de umbanda”, revelou.

Ele explicou que após a Constituição a repressão diminuiu, os casamentos e batizados passaram a ser reconhecidos por lei e os pais e as mães de santo podem se aposentar, pois houve o reconhecimento pelo Estado brasileiro da umbanda como religião.

Servidores participam da oficina de Capoeira
A segunda parte da atividade foi uma oficina de Capoeira com o mestre Guto da Ong África na Mente. No início contramestre Guto solicitou que fosse formada uma roda, pois a capoeira é cantada e compartilhada em círculo. “Diferente de uma palestra que parte do princípio que alguém sabe e fala para os outros. Na Capoeira nós não trabalhamos assim”, observou.

Numa conversa, entremeada com cantigas e a participação dos presentes, que foram convidados a aprender e tocar os instrumentos como berimbau, reco-reco, pandeiro, tambor e agogô, mestre Guto foi relatando os aspectos filosóficos, históricos e políticos da capoeira.

“Temos que pensar a capoeira como resistência dos negros que eram retirados da Africa, de sua família e aqui perdiam a sua identidade. Dizem que a capoeira foi criada no Brasil e é de origem indígena, africana e europeia, mas não é brasileira, acredita-se que ele veio na bagagem, como cultura e aqui virou um esporte”.

O contramestre Guto também explicou que a capoeira mantém valores de preservação da natureza e da relação humana. “Por mais que eu queira derrubar o outro. O outro é sagrado. Eu me completo no outro que faz parte da natureza”.

Relacionando a capoeira com o dia-a-dia, mestre Guto observou que a sociedade está cada vez mais individualista e as pessoas estão se movimentando menos. “A capoeira é movimento, assim como a cultura africana, você tem que praticar. Para jogar capoeira não precisa ser umbandista, existe relação, mas não é obrigatório. O orixá da Capoeira é o Bara, que é da rua e é o orixá da comunicação", conclui Guto.



Por Luis Henrique Silveira (Fotos e Texto)

Postado 17:17 23_11_2010

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