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Assufrgs recebe candidatos a reitor da Ufrgs

Assufrgs recebe candidatos a reitor da Ufrgs

Nesta quinta-feira, dia 24, a Coordenação da Assufrgs recebeu os candidatos a reitor da Ufrgs para apresentar seus programas. Atenderam o convite os professores Carlos Alexandre Netto e Carlos Schimidt. A professora Wrana Pannizzi pediu para marcar uma nova data posteriormente, pois sua candidatura ainda não foi oficializada e, além disso, estaria em Brasília na quinta. O professor Abilio Afonso Baeta Neves lamentou não poder comparecer, mas já tinha agendado um encontro com os servidores da Escola de Engenharia. Se colocou a disposição para marcar uma nova oportunidade.

O primeiro a expor suas propostas foi o pró-reitor de Graduação, Carlos Alexandre Netto. Ele estava acompanhado do candidato a vice-reitor, o diretor da Faculdade de Odontologia, professor Rui Oppermann, e da diretora do IFCH, professora Celi Pinto. “Universidade que queremos” é o nome da chapa porque, segundo o candidato, o grupo está articulando um projeto ouvindo todos os segmentos, setores e atividades acadêmicas de maneira integrada com um grande objetivo: “a construção de um país que também queremos”.

O professor Alexandre disse que sua candidatura defende a Universidade Pública e Gratuita e se baseia em dois pilares: caráter público e Autonomia. Além disso, afirmou que a Universidade deve ser plural e democrática, e que isso só se organiza com respeito. “Pretendemos não só manter como aprofundar o respeito entre os segmentos, com as categorias e no próprio trato com as pessoas”.

O candidato destacou quatro eixos de seu programa: 1º – Expansão com qualidade; 2º – Renovar um projeto de sucesso desta gestão (candidatura da situação); 3º – desenvolvimento da infra-estrutura e gestão, salientando neste ponto a construção de um Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) com a participação da comunidade universitária; 4º – Desenvolvimento da comunidade universitária, com uma proposta de crescimento em número de servidores: 450 TAs; 410 professores (Reuni). Também salientou neste eixo que serão oferecidos programas de qualificação para o novo quadro, uma política de valorização dos atuais servidores, tendo como objetivo o trabalho digno e prestígio, além de atender a legislação do programa de capacitação do plano de carreira.

O candidato a vice-reitor Rui Oppermann destacou a relação institucional, baseada no respeito às diversidades, construída na atual gestão da Reitoria. Também tratou da questão da saúde. Segundo ele, a saúde complementar e ocupacional precisam ser abordadas de frente. “Vejo a saúde ocupacional como fundamental. Se não tiver condições de trabalho adequadas, certamente vou usar meu plano de saúde rapidamente. Pensamos em criar um grupo na universidade (Dacom, professores da área da saúde, outros técnicos, TAs), identificar os ambientes de trabalho e humanizá-los”. O professor salientou que a universidade que queremos, defendida por sua chapa, é inclusiva, em expansão, complexa, não tem soluções fáceis, superou os personalismos e prioriza as relações institucionais e republicanas.

Após a apresentação, os coordenadores da Assufrgs fizeram seus questionamentos. Neco e Fabiano levantaram questões em relação ao Plano de Carreira, política de recursos humanos, saúde, fundações, autonomia, democracia interna, paridade na eleição para reitor, Consun e Cepe. Berna salientou a visão de que o modelo neoliberal ainda prevalece na Universidade. “A Universidade está abandonando os grandes temas e essa é uma marca do neoliberalismo, ou seja, pulverizar os debates. O processo de construção do PDI pode ser um caminho para retomarmos isso”, defendeu. O coordenador da Fasubra Francisco Alves (Chiquinho), presente ao encontro, informou que a Federação está acompanhando o processo de eleição de reitores nas Universidades e apresentando os temas debatidos nacionalmente, principalmente quanto às fundações e a democracia interna.

Alexandre concordou que o maior projeto coletivo é o PDI. “Nós estamos num momento de transição, aprendendo a trabalhar coletivamente. Passamos por uma época que só era possível sobreviver individualmente”. Quanto às fundações disse que acha que dá para pensar uma Universidade sem fundação, mas hoje não tem como. “Temos que lidar com essa realidade e apontar caminhos para o futuro”. No ponto de democracia interna acredita que a Ufrgs está madura para discutir essa questão e assumiu o compromisso de aceitar o que for acordado entre as entidades da comunidade universitária.

Eleição deve conscientizar

O professor Carlos Schimidt foi o segundo candidato a apresentar seus propostas. Ele disse que estava feliz por estar na Assufrgs, pois é um lugar em que não se sente estranho. Além de já ter sido presidente da Adufrgs, recordou que participou da própria Assufrgs quando pela primeira vez uma chapa de esquerda foi eleita. Na sua opinião, todos os servidores (professores e técnicos) deveriam pertencer ao mesmo sindicato.

Schimitão, como é conhecido, afirmou que decidiu se colocar como candidato porque tem assistido na Universidade um processo de privatização, ajudado pelo marco legal que possibilita a existência das fundações e uma flexibilização perigosa do ensino gratuito.

Quanto à democracia interna disse acreditar que a divisão no Consun não se dá por pertencer a uma categoria ou outra, mas por posições políticas. “Temos observado que os técnico-administrativos e os estudantes têm assumido as posições mais generosas e corretas. Nossa candidatura se propõe a fazer esse debate. Não está preocupada em agradar ou fazer acordos com posições que lhe sejam estranhas”.

Na sua opinião, a democracia interna não deve se restringir à eleição de dirigentes. E citou o Plano de Carreira dos TAs, que vê como uma proposta bastante avançada em termos de avaliação e de gestão. “Temos espaço para prestar um serviço muito melhor se trabalharmos em equipe. Todas as questões vão ter trânsito mais fácil se os três setores estiverem devidamente representados”.

O professor salientou que os conflitos da sociedade se reproduzem dentro da Universidade. Segundo ele, existe uma hegemonia dos interesses do capital para viabilizar seus interesses porque os governos foram restringindo os recursos das universidades públicas, em particular o governo FHC. “Os projetos para as maiorias são secundarizados. Um exemplo disso é o Núcleo de Economia Solidária da Faced, do qual participo. Estamos tentando executar há mais de um ano a obra da sede do Núcleo ao lado da faculdade, mas tivemos vários empecilhos que questionaram a necessidade da sua execução. Essa lógica deve mudar. Precisamos criar espaços para trabalhar na perspectiva do social”.

Schimitão também defendeu a execução do PDI com participação de todos os segmentos. Acredita que deve-se avançar para a participação na elaboração do orçamento da universidade e se encaminhar para uma Estatuinte de forma paritária. “Mesmo que a gente não ganhe a eleição, vamos tensionar o debate nesse sentido. Queremos formar um pólo que aglutine as pessoas que têm essa forma de pensar”.

Sobre as fundações, o professor disse que já ouviu muito que as universidades não podem funcionar sem elas. “Em um seminário do Andes onde aprofundamos esse debate, um professor da USP apresentou um estudo onde mostra casos de universidades que conseguem gerenciar seus recursos sem as fundações, como por exemplo, a universidade do Amapá”.

Segundo Schimitão, é preciso começar a fazer experiências e esforço para modificar a legislação. “Nós defendemos a idéia de acabar com as fundações. Hoje já tem os instrumentos para isso e a experiência está mostrando. Mas é claro que temos que pensar como fazer com os funcionários das fundações que têm um grande conhecimento acumulado. São pessoas muito competentes e estimuladas que não devem simplesmente ser dispensadas, como o capitalismo faz. Assim como, temos que pensar nos outros serviços terceirizados da Universidade”.

Schimitão disse que na sua opinião o Reuni é ruim, pois ele não olha para o sistema nacional de universidades públicas. “Globalmente, o Reuni é o abastardamento dessa universidade que já é pequena. Temos que lutar pela Universidade Brasileira”.

O candidato a reitor finalizou dizendo que somente com a ampliação da participação da comunidade universitária será possível chegar a soluções criativas para os problemas da Universidade. “Eu tenho uma história diferente dos outros candidados e me mantive coerente até hoje. Quem me conhece sabe disso. Quero usar este espaço para conscientizar, independente de quem ganhe a eleição”.

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