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Consun vota o projeto da UFRGS do Reuni no dia 29

A versão da UFRGS para o Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) vem dividindo opiniões na comunidade acadêmica. No dia 29, o Conselho Universitário irá votar o projeto que a UFRGS fez a partir da proposta do governo federal.

A versão da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) para o Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) vem dividindo opiniões na comunidade acadêmica. No próximo dia 29, o Conselho Universitário irá votar o projeto que a UFRGS fez a partir da proposta do governo federal, o Reuni. Implementado por meio de decreto, o plano é facultativo, cabendo a cada universidade decidir se adere ou não. Caso tenha interesse, a instituição deve formular um planejamento de expansão dos serviços que presta e dos funcionários e das verbas de que irá necessitar.

No entanto, para aderir ao Reuni, a universidade deve cumprir em cinco anos algumas metas estipuladas pelo governo federal. Entre elas, estão a relação de 18 professores para cada estudante, a conclusão dos cursos por 90% dos alunos e a criação de cursos noturnos. O Reuni também prevê que a universidade flexibilize a passagem do estudante, implantando currículos que aceitem mais créditos de outras instituições e novos sistemas de títulos.

Para o professor Eduardo Rolim, presidente da Associação de Docentes da UFRGS (Adufrgs), o Reuni é um avanço em reivindicações históricas do movimento de educação. O desafio, diz Eduardo, está em garantir a qualidade do ensino.

"O principal desafio dele é conseguir fazer a expansão da universidade com qualidade. É uma questão que a gente não pode abrir mão. Não se trata de fazer com que as pessoas possam simplesmente entrar na universidade. Precisa ter a mesma característica, pelo menos como ela tem hoje, que é a de qualidade, uma universidade que faça pesquisa, ensino e extensão", afirma.

No entanto, Eduardo aponta que há itens a serem alterados no Reuni, principalmente em relação ao investimento. Precisa ser garantido que as verbas serão aplicadas, já que serão liberadas em 2011, quando o mandato não será do governo Lula. Considera, também que a assistência estudantil deva ser melhorada. A Adufrgs não emitiu nenhum posicionamento sobre o Reuni.

Já o Diretório Central dos Estudantes (DCE) refuta a adesão da UFRGS ao Reuni. O estudante Rodolfo Mohr, integrante do DCE, avalia que o projeto pode piorar ainda mais a situação das universidades federais, já que a liberação de verbas para a expansão de vagas será demorada. Os estudantes também criticam a taxa de 90% de aprovação, afirmando que é inalcançável. Em países em que há mais investimentos da educação, como a Suécia, a taxa de aprovação varia de 60% a 68%.

A versão da UFRGS para o projeto do Reuni prevê a expansão de 33% de vagas nos cursos, contratação de mais 460 professores e investimento de R$ 200 mi. Também determina a criação de cursos noturnos e de cursos técnicos, com duração menor de dois anos.

"A armadilha que está dada no parecer da Ufrgs é que, além de tudo isso, que não parece ser são ruim, já que vai abrir vagas e cursos noturnos em vários lugares, é que tem um ponto que fala que se as verbas que o governo federal enviar não forem suficientes para as demandas da universidade, ela tem autorização de conseguir por outros meios, o que na prática abre espaço para o capital privado de uma maneira muito mais fácil, sem a necessidade um projeto com a Aracruz Celulose, por exemplo, passar pelo Conselho Universitário", diz.

O Reuni integra a Reforma Universitária, que durante o governo Lula alterou a estrutura do ensino superior, criando por exemplo o Pro-Uni.

Fonte: Raquel Casiraghi/Agência Chasque

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