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Correio do Povo é vendido para a Igreja Universal

Por meio do grupo Record, a Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo, comprou o jornal Correio do Povo, um dos mais tradicionais do Rio Grande do Sul.

Por meio do grupo Record, a Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo, comprou o jornal Correio do Povo, um dos mais tradicionais do Rio Grande do Sul.

O diretor administrativo da Empresa Jornalística Caldas Júnior, Carlos Ribeiro, afirmou que o negócio inclui o histórico edifício Hudson, situado na rua Caldas Júnior, no centro da Capital, onde funciona a redação do jornal desde 1946.

A venda do Correio para a Igreja Universal era motivo de especulação nos meios empresariais gaúchos desde o anúncio de que a rede controlada por Edir Macedo comprara a TV Guaíba e as emissoras de rádio AM e FM do mesmo grupo, no mês passado. A família Ribeiro, proprietária da Empresa Jornalística Caldas Júnior desde 1986, havia negado por diversas vezes a venda do jornal, cuja tiragem diária foi de 156.285 exemplares em dezembro, segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC). Não houve anúncio oficial da inclusão do Correio do Povo no negócio, mas no meio da tarde desta segunda-feira(12) o diretor-presidente, Renato Ribeiro, confirmou a venda a empresários gaúchos.

Também à tarde, o diretor Carlos Ribeiro comunicou ao diretor de Redação, Telmo Flor, a transferência de controle do grupo. O jornalista repassou a informação aos editores de área em reunião. O grupo paulista assume o Correio do Povo, a TV e as rádios na semana que vem.

O valor da operação não foi divulgado, mas as estimativas são de que o pacote total – jornal mais emissoras – gire em torno de R$ 100 milhões. Fundado em 1º de outubro de 1895, pelo jornalista Francisco Antonio Vieira Caldas Júnior, o Correio deixou de circular em 1984, por dificuldades financeiras. Voltou às bancas dois anos mais tarde, já sob controle do empresário Renato Ribeiro.

TV Guaíba transmitirá programação da Record

A TV Guaíba passará a transmitir a programação da Rede Record a partir do dia 1º de julho. A emissora de TV, juntamente com as rádios Guaíba AM e FM, foi comprada pelo grupo ligado à Igreja Universal no dia 21 de fevereiro. Com a transferência, a Televisão Pampa, canal 4, deixará de transmitir o sinal da Record para Porto Alegre.

Conforme participantes de um congresso do grupo de comunicação realizado no fim de semana em Guarujá (SP), a Record analisa a geração de programas locais para aproveitar os espaços disponíveis na grade nacional – formada por programas jornalísticos, de entretenimento, novelas, futebol e filmes. A TV Guaíba, no ar desde 1979, tem os espaços locados e leva ao ar programas realizados por produtores independentes.

O fim da parceria com a Pampa, iniciada há 10 anos, já teve reflexo direto no grupo – dono de rádios AM e FM na Capital e no Interior e do jornal O Sul –, com a demissão de 20 funcionários, segundo o vice-presidente Paulo Sérgio Pinto. A Rádio Pampa cancelou a maior parte da programação esportiva como parte da reestruturação. As TVs Pampa de Pelotas, Santa Maria e Carazinho devem permanecer transmitindo a programação da Rede Record.

O vice-presidente informou que o grupo paulista, antes de comprar o Sistema Guaíba-Correio do Povo, fez uma oferta pelo canal 4, mas o empresário Otavio Gadret não teve interesse no negócio. Paulo Sérgio disse que a Rede Pampa já está em negociação com a TVJB, de propriedade do empresário Nelson Tanure – dono também dos jornais Gazeta Mercantil e Jornal do Brasil.

Negócio religioso impulsionou rede de TV

O bispo Edir Macedo começou a erguer o império de comunicação da Igreja Universal do Reino de Deus no início dos anos 90, quando comprou por US$ 45 milhões três emissoras de TV da Record em São Paulo. A Igreja sofreu longa investigação da Receita Federal, por conta da compra, mas o negócio acabou autorizado pelo Ministério das Comunicações, em 1994.

O grande salto de expansão da Universal no segmento da comunicação se deu logo em seguida. Até 1994, a Record tinha seis geradoras próprias de TV. No ano seguinte, foram acrescidas mais oito.

Com a grade ocupada por pregação religiosa, a audiência não decolava. Mas ainda nos anos 90 a Universal começou a investir em duas novas redes de televisão – Rede Mulher e Rede Família -, dentro do propósito de reduzir o conteúdo religioso na programação da Record, para torná-la competitiva com a Rede Globo.

Um império de comunicações

Os interesses da Universal se estendem por TV, rádio e jornais, mas a Igreja não revela a extensão completa de seus negócios:
- Pelo menos 21 emissoras de TV, distribuídas entre as redes Record, Mulher e Família
- Aproximadamente 30 emissoras de rádio AM e FM distribuídas pelo país, incluindo a Rede Aleluia
- Jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte (diário, não-religioso)
- Jornal Folha Universal (semanal, religioso)
- Revista Plenitude (mensal, religiosa)
- Editora Gráfica Universal (publicação de livros religiosos)
- Portal Arca Universal (Internet)
- Pelo menos quatro emissoras de rádio em Portugal e uma em Moçambique

Obs: Não estão incluídas no quadro as recentes aquisições no Estado (TV e rádios Guaíba e Correio do Povo)

O Grupo

- Tem 2.186 funcionários entre Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, 12 estúdios na capital paulista, 20 filiadas e 80 afiliadas

- A rede estuda o lançamento, ainda este ano, do canal de notícias 24 horas Record News, e deve contratar 300 pessoas para a nova operação

Fonte: ClicRBS

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