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Deu na mídia (ZH) Com 380 mil mobilizados, paralisação no serviço público é a maior desde 2003

Greve e transtornos10/08/2012 | 05h35 Situação deve marcar os próximos dias no Estado, afetado a população Com 380 mil mobilizados, paralisação no serviço público é a maior desde 2003 Ronaldo Bernardi/Agencia RBS Na Capital, houve passeata desde a Avenida Padre Cacique até o prédio do Ministério da Fazenda Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS Ao [...]

Greve e transtornos10/08/2012 | 05h35

Situação deve marcar os próximos dias no Estado, afetado a população

Com 380 mil mobilizados, paralisação no serviço público é a maior desde 2003 Ronaldo Bernardi/Agencia RBS

Na Capital, houve passeata desde a Avenida Padre Cacique até o prédio do Ministério da Fazenda Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

Ao acumular negociações salariais de servidores de diferentes áreas, o governo federal enfrenta a maior greve pelo menos desde 2003. Às vésperas das eleições municipais, diversas categorias somam-se à mobilização que se alastra pelo país e afeta desde o ensino até o comércio do Brasil com outros países.

Sindicatos estimam em 380 mil o número de servidores mobilizados no país. No Rio Grande do Sul são 12 órgãos, além de docentes e servidores de universidades. Por trás do movimento, a estratégia de acelerar os acordos com cada uma das categorias, pois o prazo para emendas ao orçamento do ano que vem se encerra dia 31.

A adesão de policiais federais e de policiais rodoviários federais nesta semana aliada à greve dos servidores deu visibilidade nacional ao movimento deflagrado há três meses em universidades e órgãos ligados à Saúde.

Para especialista ouvido por Zero Hora, a ação articulada de diversas categorias teve como estopim a incapacidade do governo federal de lidar caso a caso com as reivindicações salariais.

— O governo federal, ao prorrogar as negociações com servidores, acabou represando as demandas de grupos que tinham em comum um mesmo interlocutor. Era inevitável que unissem forças, até porque algumas categorias, por causa dos setores onde atuam, conseguem exercem maior pressão do que outras — explica o sociólogo e cientista político Emil Sobottka.

Segundo o professor do Programa de Ciência Sociais da Pontifícia Universidade Católica (PUCRS), servidores que trabalham em áreas nevrálgicas da economia, como agentes agropecuários e da Receita Federal, acabam tendo maior poder de barganha do que docentes e funcionários de universidades, onde o impacto na opinião pública é menor:

— Para essas categorias, a aliança é mais importante.

Sem perspectiva de acerto com o governo, o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) aproveita o reforço. A entidade divulgou ontem comunicado informando que a greve dos professores das universidades federais está mantida na maioria das instituições, apesar de uma proposta de reajuste de até 40%. De acordo com o comando de greve, docentes de 57 universidades haviam decidido em assembleia pela continuidade da greve, que já dura quase três meses.

Impacto no Rio Grande do Sul

Em Porto Alegre, as mobilizações conjuntas devem marcar os próximos dias, a exemplo de quinta-feira, quando servidores de diversas categorias fizeram uma passeata de duas horas desde a Avenida Padre Cacique até o prédio do Ministério da Fazenda, na Avenida Loureiro da Silva.

 Motoristas que utilizaram o trecho enfrentaram congestionamento na região. E esse foi apenas um dos transtornos causados pelo movimento grevista no Estado.

 — Há quase 20 anos não víamos uma mobilização assim. Naquela época, as Forças Armadas havia recebido 160% de gratificação, os demais, 80%. Depois da paralisação que afetou quase todo mundo, menos Ibama e Dnit, conseguimos alcançar o mesmo índice. A ideia é repetir a pressão — avalia o presidente do Sindicato dos Servidores Federais do Rio Grande do Sul (Sindiserf/RS), Marizar Mansilha de Melo.

A greve dos fiscais agropecuários e a operação padrão dos auditores da Receita Federal atrasam e retêm mercadorias nos municípios que fazem fronteira com o Uruguai e a Argentina.

Consumidores que cruzam a fronteira para fazer compras, no entanto, não devem ser afetados. Segundo o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco), o foco da operação padrão são os carregamentos em caminhões.

Durante esta operação, todas as cargas são vistoriadas — no dia a dia, a fiscalização é documental e apenas casos suspeitos são investigados com mais rigor — o que atrasa o trânsito de mercadorias. Para não prejudicar a população, a prioridade é para materiais perecíveis e medicamentos.

Segundo o Sindifisco, a fiscalização às compras de turistas segue sendo feita normalmente, sem longas filas nas aduanas. Do dia 18 de junho até 18 de julho, a estimativa do Sindifisco é que tenha havido atraso na arrecadação de R$ 1 bilhão em impostos.

Fiscais agropecuários paralisados desde segunda

Além da operação padrão dos auditores, os fiscais agropecuários também estão em greve desde segunda-feira. Até as 17h30min de quinta-feira o Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) contabilizava 287 mil toneladas de produtos agropecuárias retidos nas fronteiras. O prejuízo estimado até agora é de R$ 370 milhões.

Segundo a Anffa Sindical, o volume maior de cargas retidas fica nos municípios de São Borja, Uruguaiana e Itaqui. Grande parte das cargas são produtos de origem vegetal, como grãos e sementes, e de origem animal, como carne congelada.

Os delegados federais voltam à atividade nesta sexta. A exemplo dos agentes, eles aguardarão até quarta-feira a proposta do Ministério do Planejamento. Uma assembleia no final da próxima semana então decidirá pelo retorno ou não à greve.

http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2012/08/com-380-mil-mobilizados-paralisacao-no-servico-publico-e-a-maior-desde-2003-3849216.html

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