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Dia 5 é o Dia do Meio Ambiente e amanhã o que será? Entre o discurso e a prática há muito o que fazer

O tema exerce fascínio e encanto nas pessoas e empresas, porém entre o discurso e a pratica há muito o que fazer. O Dia Mundial do Meio Ambiente surgiu em 1972, como recomendação da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, realizada em Estocolmo, na Suécia, com o objetivo de chamar a atenção do mundo [...]

O tema exerce fascínio e encanto nas pessoas e empresas, porém entre o discurso e a pratica há muito o que fazer.

O Dia Mundial do Meio Ambiente surgiu em 1972, como recomendação da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, realizada em Estocolmo, na Suécia, com o objetivo de chamar a atenção do mundo para as questões ambientais.
Desde então, o dia, que já virou “Semana do Meio Ambiente”, tem sido comemorado com inúmeros eventos e ações, sob a bandeira do ambientalismo. O problema é que, passado este momento de euforia, vem a dura realidade e poucos continuam fazendo o trabalho de formiguinha, contínuo, e com resultados reais.

O tema exerce fascínio e encanto nas pessoas e empresas, porém entre o discurso e a pratica há muito o que fazer. A falta de conhecimento especializado, somada à falta de visão de médio e longo prazo são fatores determinantes para a construção de ações que nem sempre não sustentáveis ao longo do tempo.

Muito se fala, pouco se faz. Um olhar mais atento permite concluir que poucas ações (das muitas que são amplamente divulgadas) podem ser consideradas de fato uma “boa prática de sustentabilidade”, comprovando resultados efetivos de melhoria ao meio ambiente natural e à comunidade.

Apesar disso, acreditamos que a data é extremamente importante e precisamos encara-la cada vez mais seriamente, diante do agravamento da questão ambiental em todo o Planeta, nos últimos anos, e muito especialmente agora, quando vivemos uma crise econômica mundial sem precedentes.

Como observa o sociólogo Elimar Pinheiro do Nascimento, professor e diretor do Centro de Desenvolvimento Sustentavel da UnB, “a crise financeira internacional é uma excelente oportunidade de repensarmos o desenvolvimento. Agora, não mais de forma unidimensional, considerando apenas a economia, o crescimento econômico, mas de forma multidimensional, tomando em consideração a conversação ambiental e a equidade social”.

O desafio é grande e urgente e exige a participação de todos nós, como bem destacou a dra. Roberta de Carvalho Cardoso, coordenadora técnica do Programa de Responsabilidade Social e Sustentabilidade no Varejo da FGV-EAESP: “Cada membro da sociedade deve buscar maneiras de contribuir para a reinvenção do seu dia-a-dia onde as questões sociais e ambientais assumam o mesmo colorido dos aspectos econômicos”.

No caso das empresas, é preciso inverter a lógica de mercado, que em tempos de crise costuma reduzir drasticamente os investimentos ambientais. Pelo contrário, é preciso caminhar rapidamente para a profissionalização e aprofundamento das ações nessa área. Já passou o tempo em que as preocupações com a sustentabilidade eram consideradas como secundárias. Os especialistas em estratégias de negócios agora são unânimes em afirmar que investir nessa área é pré-condição para a longevidade das empresas.

Outro consenso entre os profissionais de branding – os especialistas na gestão de marca – é que a prática de greenwashing está com os dias contados. Ir ao mercado anunciar que a empresa está preocupada com os seus impactos ambientais e não ter como demonstrar os resultados de suas ações nessa área é apressar a extinção da marca.

A própria mídia está hoje atenta para esse tipo de distorção e em breve os veículos de comunicação serão obrigados a exigir alguma espécie de certificação até para anúncios publicitários que divulgam iniciativas ambientais das empresas, sob pena serem acusados de darem apoio a empresas poluidoras. Sem falar no consumidor, que agora dispõe da internet e de suas redes sociais como armas poderosas de pressão.

O benchmarking é um exemplo, talvez o melhor, do nível de exigências que a sociedade deve fazer sobre as empresas e instituições, a partir de agora. Trata-se de uma avaliação isenta dos projetos de sustentabilidade, feita por especialistas preparados e com critérios objetivos, focada nos resultados obtidos. O caminho é esse. O resto é discurso e desejo.

A sustentabilidade é uma conquista diária. Hoje é o dia mundial do meio ambiente. E amanhã, depois e depois, também.

Marilena Lavorato é publicitária com especialização em Marketing, Gestão Ambiental e Negócios

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