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Encontro Internacional de Educação do CPERS lota auditório do Plaza São Rafael

Um sucesso absoluto. Assim pode ser classificado o Encontro Internacional “Resistindo ao Neoliberalismo: Outra Educação é Possível”, organizado pelo CPERS/Sindicato na quarta-feira, 27, que trouxe à Porto Alegre especialistas de três países e mais um representante brasileiro para falarem das práticas e lutas educacionais nos locais onde vivem. Evento paralelo ao Fórum Social Mundial, inicialmente [...]

Um sucesso absoluto. Assim pode ser classificado o Encontro Internacional “Resistindo ao Neoliberalismo: Outra Educação é Possível”, organizado pelo CPERS/Sindicato na quarta-feira, 27, que trouxe à Porto Alegre especialistas de três países e mais um representante brasileiro para falarem das práticas e lutas educacionais nos locais onde vivem.

Evento paralelo ao Fórum Social Mundial, inicialmente o público projetado foi de 500 pessoas que logo passou para 700 e, quando os painéis foram iniciados, foram acrescentadas mais 100 cadeiras no Salão Amarelo do Centro de Evento Plaza São Rafael, no centro da capital gaúcha.

Com tradução em espanhol e inglês, já que havia representantes da Argentina, Cuba e Inglaterra, o Encontro Internacional começou com a apresentação do músico Pedro Munhoz. Em seguida, dando as boas vindas aos trabalhadores em Educação, estudantes, sindicalistas, representantes dos movimentos sindicais e sociais, a presidente do CPERs/Sindicato, Rejane Oliveira, explicou os motivos da entidade promover um evento dessa envergadura:

“O CPERS/Sindicato quer contribuir também, além de sua atividade sindical na defesa dos interesses dos educadores, na discussão sobre que Educação a escola pública deve proporcionar aos seus alunos, no Estado e no Brasil. Somos contra as práticas neoliberais que divide a sociedade em pobres e ricos, brancos e negros, homens e mulheres, quem tem educação de qualidade e quem não tem. Assim o neoliberalismo vai excluindo parcelas da população e impondo sua visão de mundo que atinge profundamente os direitos dos menos assistidos. É contra isso que lutamos”

A presidente do CPERS passou a palavra a vice-presidente Neida Oliveira, que fez uma saudação especial ao estudantes presentes ao evento, lembrando que foram eles os responsáveis por uma ocupação no mesmo local que impediu, em 2009, a ex- secretária de Educação, Mariza Abreu, discutir com empresários gaúchos formas de implantar práticas liberais no ensino público.

Painéis

Daí por diante foi a vez dos painelistas. O professor Clóvis de Azevedo, representante brasileiro no Encontro, fez uma análise da intervenção do neoliberalismo na Educação brasileira, assinalando que ela começou no governo Fernando Henrique Cardoso, posta em prática por seu ministro da Educação, Paulo Renato e continua presente;

“ O neoliberalismo vive um momento de crise e fragilizado, mas ele tem nichos sólidos de resistência. No Brasil, por exemplo, está bem atuante, principalmente no setor da Educação infantil, através de ONGS, OCIPS e outros recursos, que substituem o Estado em funções que ele tem obrigação de atuar”, alertou Azevedo.

Já o representante da Argentina, Alberto Bialakowsky, fez uma apanhado da Educação em seu país e ressaltou a importância da resistência dos trabalhadores do setor aos métodos neoliberais, conclamando aos professores que não sejam socialistas somente para fora, no mundo exterior:

“É necessário ser socialista internamente, dentro de sim também. O educador deve lutar por uma escola  que não beneficie somente o aluno, mas também o professor e o sistema no qual ele faz parte. É com este espírito que os educadores devem entrar numa sla de aula”, proclamou Bialakowisky.

Já Martin Powell- Davies, da Inglaterra, discorreu sobre as intervenções neoliberais no sistema de seu país, foi aplaudido duas vezes, ao narrar situações e dificuldades escolares semelhantes às vividas no Brasil e pregou uma escola democrática, com participação escolar e não com diretrizes impostas de cima, forjadas por dirigentes “que não pisam numa sala de aula há mais de 30 anos”, afirmou, provocando risos na platéia.

“ A intervenção neoliberal na Inglaterra não chega ao nível de pressão praticada no Brasil. Não temos a polícia batendo em professores por exemplo, mas eles procuram nos pressionar, tornando por lei, qualquer greve proibida.” Explicou Martin Powell, colocando-se à disposição dos movimentos sindicais e sociais brasileiros para atuarem conjuntamente, principalmente na denúncia ao mundo, das práticas neoliberais que causam danos à população brasileira.

Encerrando o painel, a representante de Cuba, Maria Isabel Dominguez, explicou a importância que a Educação tem, um dos pilares da política social, ao lado da Saúde, para o governo cubano, a partir de 1961, sendo durante décadas, o setor que mais recebeu recursos governamentais.

“O resultado disso é um sistema educacional modelo, que erradicou o analfabetismo do país e hoje é adotado por países progressistas da América do Sul e da África”, afirmou.

Ela lembrou a presença solidária de Cuba no Haiti, antes do terremoto, intensificada agora na tragédia, e fez questão de citar uma frase de Fidel Castro:

“O Haiti é a evidência mais clara do que pode fazer o capitalismo e o neoliberalismo no mundo de hoje”.

Para Maria Isabel o trabalhador em Educação deve seguir os ensinamentos do educador brasileiro Paulo Freire, que pregava uma escola e um educador disposto a dar e receber. “Se não for assim, o opressor vai triunfar”, concluiu.

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