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Estado e Função Social é tema de abertura do debate em Seminário sobre a Carreira

I Seminário Repensando a Carreira d@s Técnico-administrativ@s em Educação contou com aproximadamente 100 pessoas, na tarde da última terça-feira (9).

O I Seminário Repensando a Carreira d@s Técnico-administrativ@s em Educação teve início na tarde desta terça-feira (9), em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. O Seminário, em parceria com o Instituto Latino-Americano de Estudos Avançados (ILEA), Escola de Desenvolvimento (EDUFRGS) e Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (PROGESP-UFRGS), tem objetivo de repensar a Carreira dos TAES a luz do debate sobre Estado e Universidade e como enquanto trabalhadores contribuímos para o desenvolvimento social brasileiro, com vistas a uma sociedade democrática, inclusiva e plural.

 

Abertura

O Seminário teve abertura no auditório do ILEA – campus do Vale, e contou com a participação dos coordenadores da Assufrgs Arthur Bloise, Mário Pereira, Mozarte Simões; Paulo Henrique, Representante da Coordenação Nacional de Supervisão da Carreira; e Maurício Viegas da Silva (PROGESP).

O Pró-Reitor de Gestão de Pessoas Maurício Viegas da Silva discorreu sobre a importância do Plano de Capacitação dos Técnico-Administrativos em educação no investimento de uma educação formal de nossos servidores. Porém, salienta que uma reflexão a ser feita é “a não manutenção dos servidores aposentados que estavam na Carreira”, completou Maurício.

Paulo Henrique, Representante da Coordenação Nacional de Supervisão da Carreira, destacou que o processo de repensar a Carreira, como proposto pelo Seminário, não deve estancar após a finalização do mesmo. “Temos que ser agentes multiplicadores de necessidade de cada um, construindo um olhar espelhado da realidade”, defendeu Paulo.

O Coordenador Arthur Bloise, que mediou a mesa de abertura, saudou todos trabalhadores presentes da UFRGS, UFCSPA, IF Restinga e IF Porto Alegre. Também foram saudados aqueles que se deslocaram de outros estados e cidades para participação tais como trabalhadores do IFRS – Caxias do Sul, Osório, Ibirubá, Campus Sertão; UFSM e FURG; UFPR e UTFPR; IF Catarinense.

Os coordenadores Mário Pereira e Mozarte Simões seguiram na saudação, agradecendo aos funcionários do ILEA, à disposição da PROGESP e EDUFRGS na construção do Seminário, bem como os funcionários da Assufrgs que trabalharam para que o seminário se realizasse.

Estado, Função Social da Universidade Pública e seus Trabalhadores

Após abertura, a mesa foi desfeita para dar lugar aos debatedores sobre “Estado, Função Social da Universidade Pública e seus Trabalhadores”. Ana Maria Ribeiro, Técnica em Assuntos Educacionais da UFRJ – cedida aos correios, inciou a exposição do tema resgatando a importância do Estado frente as crises, na defesa de um estado forte na administração das políticas públicas. Segundo ela, os atuais questionamentos ao Estado decorrem da “ganância, corrupção e excesso de confiança no sistema financeiro”, disse Ana Maria. Para ela, a organização dos trabalhadores perpassa por repensar o papel do Estado e o trabalho dos técnico-administrativos “como construtor de inovação, criatividade e na defesa da liberdade”, finalizou Ana.

Para Leonardo Botega, Professor de História do Colégio Agrícola de Frederico Westphalen e diretor do SINASEFE, mesmo com a mudança econômica no Brasil na década de 1930 de um modelo exportador para a construção industrial e urbana do país, as Universidades mantiveram o caráter elitista, seja de acesso, quanto formação. Conforme Leonardo, para os filhos dos trabalhadores restam apenas o ensino de escolas técnicas. “O histórico de formar o filho da elite serve para reproduzir o pensamento de elite e manter o status quo em nossa sociedade”, atentou Leonardo, preocupado com a inclusão nas Universidades. “A expansão da Universidade foi um fator positivo, entretanto a inclusão não rompeu com o toyotismo e o produtivismo acadêmico. Chegou até a aprofundar essa relação”, finalizou Leonardo.

O Diretor de Ciência e Tecnologia na ANPG Guilherme Rolim provocou a plateia com os seguintes questionamentos: Para quem estamos produzindo conhecimento? Para quem trabalhamos? Qual a função social das nossas pesquisas? Conforme Guilherme, para superarmos os problemas que temos hoje nas Universidades dentro e fora de seus muros é preciso realizar tais questionamentos afim de superar os descontentamentos atuais. “A Universidade transformou-se ao longo do tempo para servir aos estados e as frações que estão nele” e contrapôs o modelo que vivemos hoje com Cuba e Peru que tem papel na formação de lideranças na América Latina frente aos movimento sociais, superando as formas do modelo europeu educacional. “Hoje vemos a massificação da educação para a reprodução do ‘mais do mesmo’: todas ferramentas da Universidade servem para manter o sistema e aprofunda-lo”, debateu Guilherme.

Bernadete Menezes, Coordenadora da Assufrgs, ressaltou a importância de discutir o papel do Estado antes da Carreira propriamente dita, uma vez que “houve um processo de despolitização – estamos na era de lutar pelo que é possível e assim fomos nos esvaziando politicamente”, defendeu Bernadete. Para ela é preciso fazer debate estratégico sobre a Carreira, a qual perpassa pela visão de Estado, visão pela qual onde “confunde-se o que é público e o que é privado e isso influi diretamente sobre a Universidade”.

José Vicente Tavares, Diretor e Professor de Sociologia do Instituto Latino-Americano de Estudos Avançados (ILEA) centrou no papel da Universidade em relação ao futuro da sociedade. Segundo o Diretor, a Universidade do Futuro nasceu nas lutas dos movimentos sociais, resultando então na política universitária – movimento o qual é fundamental para oferecer alternativas sociais não somente no Brasil, mas na América Latina”, explicou José Vicente. Ainda, apresentou que o conhecimento exige demandas interdisciplinares, que não podem muitas vezes ser sanadas em apenas um departamento, como por exemplo a própria ideia de Estudos Latino-Americano Avançados, que surge em decorrência de um novo momento, com “revolução científica avançando no conhecimento até então conquistado. E, assim, entender as novas questões da natureza e sociais ampliadas, mundializadas”, relatou José Vicente.

A atividade do primeiro dia do Seminário Repensando a Carreira d@s técnico-administrativ@s em Educação seguiu com intervenções do público presente e rodada de respostas e fechamento das reflexões pela mesa de debatedores.

Outras informações

As palestras dos dias 11 e 12 (quinta e sexta-feira) serão realizadas no Auditório na FABICO – Rua Ramiro Barcelos, nº 2705, Campus Saúde/UFRGS.

Na quinta-feira, dia 11, haverá confraternização, no Sindipetro-RS, com música ao vivo, a partir das 19h. O Sindipetro-RS fica na Av. Lima e Silva, nº 818, Cidade Baixa.

A organização do Seminário informa que o Seminário integrará o Programa de Capacitação e Aperfeiçoamento da UFRGS, valendo certificado para progressão funcional, com carga horária de 26 horas. Para receber o certificado, os inscritos devem registrar nome na lista de presença nas atividades, e ter 75% de frequência.

Saiba mais sobre o Seminário “Repensando a carreira”:

 

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