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FME quer educação universal e emancipatória

Aguardado como um dos maiores eventos prévios ao Fórum Social Mundial (FSM) de 2009, a sexta edição do Fórum Mundial de Educação (FME) confirmou as expectativas de seus organizadores ao reunir em Belém cerca de duas mil pessoas na segunda-feira (26). Entre as principais bandeiras discutidas pelos participantes do FME estão a construção da educação [...]

Aguardado como um dos maiores eventos prévios ao Fórum Social Mundial (FSM) de 2009, a sexta edição do Fórum Mundial de Educação (FME) confirmou as expectativas de seus organizadores ao reunir em Belém cerca de duas mil pessoas na segunda-feira (26). Entre as principais bandeiras discutidas pelos participantes do FME estão a construção da educação como um instrumento de emancipação e inclusão social e a universalização do acesso ao processo educacional.

Diretor do Instituto Paulo Freire e principal teórico vivo da Pedagogia do Oprimido, o professor Moacir Gadotti foi uma das estrelas do painel "Transgressão e Construção da Cidadania Planetária", que abriu o FME: "A aprendizagem é a grande conquista do Fórum Social Mundial. Uma aprendizagem horizontal, plural e transformadora. A cidadania planetária é um compromisso, uma missão do FME e do FSM. Para realizá-la, precisamos da transgressão utópica, dessa mudança, dessa criatividade associadas à paixão e ao risco da transformação. Queremos transgredir o já dito e o já feito e chegar a um outro mundo possível, para que possamos construir nosso próprio discurso e não sermos meros repetidores", disse.

Gadotti lembrou intelectuais como Paulo Freire e Milton Santos para demonstrar que a realização do FME na Amazônia nos remete a novas formas de pedagogia: "Precisamos de uma pedagogia da Terra, que é o maior dos oprimidos. Tudo o que fizermos de errado com a Terra recairá sobre nós ou nossos filhos algum dia. Temos de nos indignar, não podemos nos resignar com a devastação. Essa indignação deve partir do mundo inteiro, e não somente dos 25 milhões de amazônidas que vivem aqui. Precisamos construir juntos essa pedagogia da terra".

Também participante do debate, que contou ainda com a presença da senadora Marina Silva (PT-AC), Leonardo Boff falou sobre as importantes tarefas colocadas para a educação nos tempos atuais: "Se não buscarmos um novo tipo de civilização, se não fizermos uma coalizão de forças ao redor de alguns valores coletivos, poderemos ir ao encontro do pior. Precisamos criar as condições para que o planeta continue vivo, pois ele perdeu seu equilíbrio. Um dos desafios mais importantes da educação na civilização planetária é manter a humanidade unificada. Daí a importância de a educação suscitar continuamente essa consciência de que temos uma origem comum e também um destino comum", disse.

Agenda comum

O 6º FME teve grande apoio político do Governo do Pará. O secretário estadual de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, Maurílio Monteiro, falou sobre a "agenda comum" entre o Fórum e o programa de governo: "O FME se articula e se coaduna com práticas e políticas implementadas pelo Governo do Estado na medida em que trabalha como princípio a necessidade de universalizar o direito à educação. Nós achamos que essa é uma bandeira social justa e necessária e que se configura enquanto um elemento de contra-hegemonia. Achamos que tratar a educação como uma mercadoria é um equívoco histórico e trabalhamos para transformar a universalizar a educação como um bem público".

Monteiro ressaltou o papel que deve desempenhar a educação na inclusão dos oprimidos e na difusão dos valores de uma nova sociedade: "É também importante que a educação assuma uma concepção emancipatória que inclua o direito à paz, o respeito à diversidade, o respeito ao meio ambiente. Uma cultura da solidariedade é fundamental para que nós possamos construir uma nova sociedade e um outro mundo", disse.

Diálogo

O secretário disse esperar que a realização do FME e do FSM em Belém aumentem o diálogo entre os movimentos sociais e o governo paraense: "O objetivo do FME de garantir o acesso à educação para aqueles que mais precisam aponta também de forma muito pertinente para as políticas do governo. Por isso, o governo se solidariza com o FME e seu conjunto de atividades, pois temos a consciência de que eles são benéficos para toda a sociedade, inclusive para o próprio governo, quando articulam pautas que pressionam o governo a efetivamente caminhar para universalizar o direito à educação".

Os eixos temáticos discutidos durante o FME são: Desenvolvimento, Economia Solidária e Ética Planetária; Educação Cidadã: Inclusão e Diversidade; Direitos Humanos, Cooperação e Cultura de Paz; Meio Ambiente e Sustentabilidade; Educação de Jovens e Adultos na Perspectiva da Educação Popular e Educação Emancipatória no contexto da comunicação e das tecnologias.

Fonte: Maurício Thuswohl/Agência Carta Maior 

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