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Golpe de Estado dos Militares expulsa presidente Manuel Zelaya de Honduras

Durante a madrugada o presidente é seqüestrado, levado para outro país. O exercito ocupa o palácio presidencial, o canal estatal é fechado, os canais privados, toda manhã, passam desenhos animados. Venezuela, 11 de abril de 2002; Honduras, 28 de junho de 2009. Qualquer semelhança, será mera coincidência? Nesse domingo, o povo hondurenho iria às urnas [...]





Durante a madrugada o presidente é seqüestrado, levado para outro país. O exercito ocupa o palácio presidencial, o canal estatal é fechado, os canais privados, toda manhã, passam desenhos animados. Venezuela, 11 de abril de 2002; Honduras, 28 de junho de 2009. Qualquer semelhança, será mera coincidência?

Nesse domingo, o povo hondurenho iria às urnas para uma consulta popular. Eles decidiriam se, nas eleições presidenciais que ocorreriam em dezembro, seria acrescentado um plebiscito para realizar uma Assembléia Constituinte ou não. Era um plebiscito para aprovar outro plebiscito, ou seja, ainda haveria outra votação para poder aprovar a assembléia que realizaria mudanças na Constituição.

Na terça-feira o Congresso aprovou uma lei que proíbe a realização de referendos ou plebiscitos 180 dias antes ou depois de eleições gerais, o presidente Manuel Zelaya declarou “A corte, que apenas faz justiça aos poderosos, ricos e banqueiros, só causa problemas para a democracia.” e que o plebiscito seria mantido. Isso foi o suficiente para o Exercito se declarar “forçado” a “prender” o presidente.

Após o golpe militar, se cortou a eletricidade e o serviço telefônico em diversos pontos da cidade. A ministra de relações exteriores de Honduras entra em contato com o Embaixador dos EUA no país e esse não atende. Algumas horas depois o presidente Manuel Zelaya fala, ao vivo, direto da Costa Rica, por celular, para o canal Telesur narrando o seu seqüestro.

Pela manhã, presidentes começam a se pronunciar a respeito. Evo Morales declarou repúdio ao golpe classificando-o como um atentado a democracia e ao povo e fez um chamado aos presidentes da América Latina e aos líderes de movimentos sociais que “condenem e repudiem o golpe de Estado militar em Honduras.” Chávez ressaltou a importância do povo nesse momento, pediu que Obama se pronunciasse a respeito e chamou todos a se concentrarem em frente ao Palácio Miraflores, em Caracas, para um ato em apoio ao povo hondurenho. A União Européia, através de declaração do ministro de Assuntos Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, pediu a restituição do presidente Manuel Zelaya. O presidente Obama se limitou a pedir que fossem respeitadas as “normas democráticas”, sem dizer ao que se refere, já que os golpistas afirmam que se moveram contra um plebiscito ilegal.

O povo começa a ir para as ruas. Nas cidades do interior, a repressão é maior, na capital, bombas de lacrimogêneo são lançadas para afastar manifestantes do palácio presidencial. Patricia Rodas, a ministra de relações exteriores de Honduras, e os embaixadores de Cuba, Venezuela e Nicarágua são seqüestrados. OEA chama reunião extraordinária para discutir o assunto. O governo brasileiro se pronuncia em repudio ao golpe.

Domingo, 28 de junho de 2009, dez horas da noite – horário de Caracas – o presidente Manuel Zelaya está a caminho de Manágua, capital da Nicarágua, Chávez e Rafael Correa já o esperam lá. Tegucigalpa, capital de Honduras continua sob o domínio dos militares golpistas. Assim, seguimos na expectativa do desenrolar dos fatos. Mais uma tentativa de golpe na América Latina, não, não é mera coincidência. Honduras acabava de entrar na Alba – Alternativa Bolivariana para as Américas – tratado entre países Latino-americanos para colaboração mútua que possui países de orientação de esquerda como Cuba, Venezuela, Equador e Bolívia. Os militares seguiram o mesmo modelo de golpe utilizado já outras vezes. E mais uma vez os meios de comunicação cumpriram seu papel de agir como se nada estivesse acontecendo, afinal a morte de Michael Jackson ou a maravilhosa virada da seleção brasileira dão bem mais audiência.

Bruna Menezes – Caracas /Venezuela – tentando informar

Mundo classifica expulsão de presidente de Honduras como golpe de estado

Publicada em 28/06/2009 às 15h35m
O Globo, com agências

Os líderes das Américas expressaram neste domingo sua preocupação diante da crise deflagrada em Honduras, onde o presidente do país, Manuel Zelaya, foi vítima de um golpe de Estado. O governo brasileiro condenou veementemente a tentativa de golpe em Honduras. O presidente americano, Barack Obama, pediu respeito às normas democráticas, mas disse que os Estados Unidos não vão intervir.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, que já havia manifestado seu apoio a Zelaya, em declarações em seu programa "Alô Presidente" disse que poderá entrar em guerra com Honduras, se a Embaixada de seu país em Tegucigalpa tiver sido invadida por militares. O presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que recebeu o presidente hondurenho, afirmou que Zelaya está no país como "hóspede" e repudiou o golpe, oferecendo sua hospitalidade.

A argentina Cristina Kirchner, que hoje enfrenta em seu país o seu maior desafio político com as eleições legislativas, afirmou estar "preocupada" com a situação em Honduras. O governo colombiano também condenou o golpe e recordou que Zelaya "foi eleito constitucional e democraticamente". Em um comunicado da Chancelaria, "o governo da Colômbia manifesta sua profunda consternação pela ruptura da ordem constitucional na irmã República de Honduras". Em um comunicado, o governo do Chile também pediu a "imediata restituição do presidente José Manuel Zelaya, eleito de forma legítima pelo povo".

Segundo informou Zelaya, em entrevista coletiva, manifestaram apoio ao seu governo ainda os presidentes de Nicarágua, Daniel Ortega, e de El Salvador, Mauricio Funes. Por sua parte, o presidente da Bolívia, Evo Morales, defendeu a ação de órgãos internacionais para restituir a ordem constitucional em Honduras.

Confira a seguir os pronunciamentos dos governo contra o golpe em Honduras.

BRASIL: "O Governo brasileiro solidariza-se com o povo hondurenho e conclama a que o Presidente Zelaya seja imediata e incondicionalmente reposto em suas funções. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue acompanhando a situação por meio de contatos com outros Chefes de Estado e através de informações repassadas pelo Ministro Celso Amorim", diz a nota.

EUA: O presidente americano, Barack Obama, mostrou grande preocupação neste domingo com o golpe de estado em Honduras. Militares prenderam e expulsaram esta manhã o governante eleito do país, Manuel Zelaya. "Como a Organização dos Estados Americanos (OEA) fez na sexta-feira, eu convoco todos os atores políticos e sociais em Honduras a respeitarem as normas democráticas, as leis e os princípios da democracia interamericana", disse Obama, em um comunicado.

"Convocamos todas as partes em Honduras a respeitar a ordem constitucional e o estado de direito, para reafirmar sua vocação democrática e se comprometer a resolver as disputas políticas de forma pacífica e através do diálogo", afirmou Hillary Clinton em nota.

VENEZUELA: "Se nosso embaixador tiver sido sequestrado, [se configuraria] um estado de guerra de fato, teríamos que atuar, não poderia ficar de braços cruzados", disse Chávez. "Este é um golpe de Estado contra todos nós, faremos tudo o que tenhamos que fazer, daremos uma lição à cúpula militar hondurenha, assim como fizemos em 2002 na Venezuela", afirmou Chávez.

COSTA RICA: "Convido o presidente Zelaya a viajar comigo amanhã a Manágua, onde teremos um encontro do Sica (Sistema de Integração Centro-Americano)", disse o presidente Oscar Arias, prêmio Nobel da Paz em 1987.

BOLÍVIA: "Faço um chamado aos órgãos internacionais e aos movimentos sociais da América Latina e do mundo. Faço um chamado aos presidentes e governos democráticos para que condenem e repudiem este golpe de Estado militar", disse Morales.

CHILE: "A tentativa de golpe de Estado em Honduras violenta a ordem constitucional e contraria de maneira flagrante as disposições da Carta da OEA e suas instituições fundamentais", afirmou o Palacio de La Moneda, em nota.

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