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Governo Yeda Crusius introduz competição entre policiais

Nova política determina que policiais militares terão metas diárias a cumprir e estabelece prêmios para as unidades com melhor desempenho. Sindicato dos cabos e soldados diz que a proposta vai escravizar o trabalho dos policiais.

Os policiais militares gaúchos passarão a trabalhar sob um regime que prevê o cumprimento de metas diárias e o estímulo à competição entre unidades. Idealizador do projeto, o subcomandante da Brigada Militar, coronel Paulo Roberto Mendes, detalhou quinta-feira, ao jornal Zero Hora, como deve funcionar a nova política. “Vamos dar as metas para o combate ao crime. Se não forem cumpridas, a população não vai cobrar de mim, e sim do executor, que é cada comandante. Quero resultados”. E acrescentou: “A competição é boa. Ninguém vai querer estar em segundo lugar”.

Segundo a proposta do novo governo gaúcho, as unidades da polícia militar serão estimuladas a competir e, a cada mês, serão destacados os policiais e unidades que obtiveram um melhor desempenho. Inicialmente, as metas serão fixadas tendo como alvos principais o roubo de veículos e homicídios.

De acordo com o coronel Mendes, o objetivo é, a partir da realização de barreiras diárias, “gerar instabilidade no criminoso que circula pelas ruas”. “Queremos desorientar os criminosos, gerar insegurança neles”, acrescentou. Segundo sua proposta, que começará a ser implementada até o final de janeiro, o trabalho diário dos policiais, além do atendimento normal a ocorrências, será direcionado a quatro pontos: abordagem de veículos (com metas específicas por tipos, como motos, ônibus, táxis e lotações), vistorias em bares, casas noturnas e desmanches.

Cada unidade da polícia terá cotas de abordagens e vistorias a cumprir. A cada dia, o desempenho de cada unidade será repassado ao comando que ficará encarregado de avaliar os resultados. Também diariamente, cada comandante deverá receber, pelo celular, mensagens informando se as metas foram ou não atingidas.

70 mil veículos por dia

O comando-geral da Brigada Militar já divulgou as primeiras metas que deverão ser cumpridas pelos policiais: eles terão que abordar pelo menos 70 mil veículos todos os dias. Esse número representa cerca de 2% de toda a frota do Estado. Trata-se de um índice muito superior ao que é feito normalmente. Em janeiro de 2006, segundo dados da própria Brigada, foram abordados cerca de 9 mil veículos por dia no RS.

Segundo as novas determinações do comando da corporação, as abordagens de veículos deverão ser feitas através de pequenas barreiras relâmpagos, com efetivos de apenas dois PMs e uma viatura. O controle dessas operações será feito diariamente, quando os policiais deverão entregar os relatórios de suas atividades, com o nome dos motoristas abordados e a placa dos veículos. Através desse procedimento, a Secretaria de Segurança espera reduzir os índices de criminalidade em apenas seis meses.

Trabalho escravizante

O sindicato dos cabos e soldados da Brigada Militar criticou a proposta, dizendo que ela vai “escravizar o trabalho dos policiais”. Leonel Lucas, dirigente do sindicato, disse à rádio Gaúcha, na quinta-feira, que os policiais já são obrigados a dar pouca atenção às suas famílias, trabalhando em condições adversas e sem equipamentos adequados, como coletes à prova de balas. Ele anunciou que os cabos e soldados tentarão uma audiência com o comando da Brigada Militar nos próximos dias para tentar derrubar o plano de metas e competição.

Já o secretário da Segurança, Ênio Bacci (deputado federal do PDT), mostrou entusiasmo pela proposta dizendo que ela vai “estimular e valorizar o trabalho dos policiais”. Bacci não entrou em detalhes sobre a origem dos recursos para esse trabalho de valorização. Estes recursos devem escassear, uma vez que a governadora Yeda Crusius ordenou um corte de 30% no custeio de cada secretaria.

Fonte: Marco Aurélio Weissheimer – Agência Carta Maior

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