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Indígenas Tupinikim e Guarani mantêm ocupação em porto da Aracruz

Desde terça-feira (12), cerca de 300 indígenas Tupinikim e Guarani ocupam o Portocel, porto por onde a empresa Aracruz Celulose escoa sua produção, localizado em Barra do Riacho, município de Aracruz (ES).

Desde terça-feira (12), cerca de 300 indígenas Tupinikim e Guarani ocupam o Portocel, porto por onde a empresa Aracruz Celulose escoa sua produção, localizado em Barra do Riacho, município de Aracruz (ES). Apesar da ocupação pacífica, cerca de 500 trabalhadores do porto, liderados pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Aracruz e pelo vereador da cidade, Davi Gomes, fizeram uma grande mobilização hoje pela manhã, tentando retirar os índios à força do local.

Os trabalhadores agrediram fisicamente vários apoiadores da causa indígena, inclusive o deputado estadual Cláudio Vereza (PT) e integrantes do MST. A polícia militar, que está no local, não está intervindo e fechou os acessos ao porto, deixando a situação ainda mais tensa.

“Não somos contra os trabalhadores da Aracruz. Apenas queremos nossas terras, o resgate de nossa dignidade”, afirmou Werá Kwarai, cacique guarani. Para ele, é uma tática da empresa colocar os trabalhadores contra os índios, sob o argumento de que eles perderão seus empregos caso as terras sejam devolvidas aos Tupinikim e Guarani.

Os índios permanecerão no local até que o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, se pronuncie sobre o processo da demarcação das terras, que se encontra desde o dia 12 de setembro no ministério da Justiça, com o parecer já favorável da Funai (Fundação Nacional do Índio).

Índios recebem apoios de movimentos sociais

Desde ontem (12), os indígenas têm recebido grande apoio dos movimentos sociais e entidades organizadas. O MST e estudantes universitários organizados pelo DCE da UFES (Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo) e pela Brigada Indígena passaram o dia na ocupação, colaborando na mobilização.

“Essa não é uma luta apenas dos índios. É uma luta do Espírito Santo, pois se trata do extermínio de culturas. E é somente com luta que conquistaremos nossos direitos”, afirmou Ana Paula Rocha, diretora de movimentos sociais do DCE.

Militantes da Rede Alerta Contra o Deserto Verde e parlamentares de esquerda também estiveram no local e levaram sua solidariedade aos indígenas

Fonte: www.mst.org.br

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