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Indígenas vão a Brasília exigir terras da Aracruz

Cerca de 50 lideranças indígenas das etnias Tupiniquim e Guarani do Espírito Santo estão acampados desde terça-feira, em frente ao Ministério da Justiça, em Brasília. Eles prometem ficar o tempo necessário para terem uma reposta sobre a demarcação de uma área de 11 mil hectares em disputa com a multinacional Aracruz Celulose.

Cerca de 50 lideranças indígenas das etnias Tupiniquim e Guarani do Espírito Santo estão acampados desde terça-feira, em frente ao Ministério da Justiça, em Brasília. Eles prometem ficar o tempo necessário para terem uma reposta sobre a demarcação de uma área de 11 mil hectares em disputa com a multinacional Aracruz Celulose.

O cacique Guarani Antônio Carvalho relata que os indígenas já estiveram em Brasília no mês de dezembro, após a ocupação de um porto da Aracruz no Espírito Santo, mas não foram recebidos. Os indígenas pretendem entregar uma carta ao ministro Márcio Thomaz Bastos, que durante uma audiência na Assembléia Legislativa do Espírito Santo, em fevereiro do ano passado, havia prometido demarcar a terra até o final de 2006.

"Quando o ministro foi lá no Espírito Santo, ele garantiu que aportaria da demarcação estaria, no final do ano, estaria pronta. Ele falou que iria assinar a portaria, mas já estamos em 2007 mas até agora não foi assinado. Por isso estamos aqui na frente", afirma.

A Aracruz Celulose alega que adquiriu as terras na década de 1960, e só depois os indígenas das duas etnias chegaram à região. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) contesta a credibilidade do estudo apresentado pela empresa. Um outro levantamento elaborado pela Fundação Nacional do Índio (Funai) atesta que as terras hoje utilizadas pela Aracruz pertenceram aos povos indígenas no passado. Um dos documentos que os índios querem mostrar ao ministro da Justiça é um mapa dos povos indígenas no Brasil de 1944, publicado pelo IBGE, que comprova a presença deles na região litorânea do Espírito Santo.
O cacique Antonio Carvalho opina sobre o caso. "A Aracruz Celulose procurou o ex-ministro Nelson Jobim para fazer um memorial, dizendo que os índios Tupiniquim e Guarani não são daquela área, para dizer que não existia índio no Espírito Santo. Mas há documentos que garantem que, antes da Aracruz, já existia Tupiniquim, e mesmo os Guarani já andavam por ali, no litoral do Espírito Santo", explica.

Neste sábado, dia 20, marca um ano da ação desencadeada pela Polícia Federal contra indígenas que ocupavam terras da Aracruz, no Espírito Santo. Pelo menos 13 indígenas ficaram feridos. Na época, o Conselho Indigenista Missionário denunciou que a Polícia Federal utilizou equipamentos da Aracruz para agir contra os índios.

Fonte: Raquel Casiraghi/Agência Chasque

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