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Lula recebe centrais e promete resposta às reivindicações

Em audiência no Palácio do Planalto com dirigentes das seis maiores centrais sindicais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu, no final da tarde desta segunda-feira (19), uma resposta às reivindicações apresentadas pelos sindicalistas. De acordo com informações de Wagner Gomes, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), as centrais cobraram [...]

Em audiência no Palácio do Planalto com dirigentes das seis maiores centrais sindicais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu, no final da tarde desta segunda-feira (19), uma resposta às reivindicações apresentadas pelos sindicalistas. De acordo com informações de Wagner Gomes, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), as centrais cobraram iniciativas mais ousadas em defesa do desenvolvimento econômico e do emprego.

“Reiteramos que é necessário reduzir substancialmente os juros básicos e os spreads cobrados pelos bancos”, disse Wagner, ao comentar a visão das centrais sobre a crise econômica exportada pelos Estados Unidos. Os spreads correspondem à diferença entre a taxa básica de juros (Selic) e os juros cobrados nos empréstimos bancários para pessoas físicas e jurídicas. No Brasil, os bancos impõe o maior spread do mundo.

"O presidente disse que também é a favor da redução dos juros, mas pediu um tempo para estudar as reivindicações das centrais e dar uma resposta", agregou Wagner Gomes. "Deixamos claro ao Lula que o movimento sindical não vai aceitar demissões.”

O presidente da CTB também citou as medidas previstas pelas centrais para defender os direitos dos trabalhadores. “Vamos paralisar conjuntamente as empresas que demitirem em massa — e sabemos que tem muitos patrões pegando carona na crise para impor redução de salários e flexibilização dos direitos sociais. Vamos reagir com energia a esta ofensiva reacionária e cobraremos solidariedade do nosso presidente, que já foi sindicalista e operário.”

Os representantes das centrais sindicais cobraram medidas "concretas" do governo para conter as demissões. Em entrevistas, eles informaram que pedirão aumento de 15% no valor do salário mínimo (hoje de R$ 415,00), redução de dois pontos porcentuais na taxa básica de juros, ampliação do número de parcelas do seguro-desemprego e exigência de garantia de emprego por parte dos empresários como contrapartida à redução de impostos.

Pacto

Na última quinta-feira (15), as centrais anunciaram um Pacto da Ação Sindical para enfrentar os efeitos da crise econômica – sobretudo a risco de desemprego em massa. O documento contém nove propostas e foi aprovado em reunião na sede nacional da CTB, em São Paulo.

Além de defenderem, mais uma vez, a redução da jornada de trabalho, as centrais cobram mais compromissos dos governos. Exigem, por exemplo, que empresas e setores econômicos beneficiados com recursos públicos apresentem contrapartidas sociais, como a garantia de emprego.

O Pacto da Ação Sindical ainda inclui, entre outras propostas, o fim das horas extras, a eliminação do banco de horas e a ampliação do número de parcelas do seguro-desemprego.

Leia abaixo a íntegra do Pacto da Ação Sindical

São Paulo, 15 de Janeiro de 2009

Reunidas em São Paulo-SP, após ampla discussão as centrais sindicais (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil – CGTB, Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB, Força Sindical – FS, Nova Central Sindical de Trabalhadores – NCST e União Geral dos Trabalhadores – UGT), decidiram reafirmar a importância da unidade dos trabalhadores e enfrentar o impacto da crise financeira mundial que está afetando drasticamente o emprego e o crescimento da economia brasileira, adotando o Pacto da Ação Sindical

Consiste na defesa das seguintes propostas:

1. Exigência de contrapartidas sociais , especialmente a garantia dos empregos, de todas as empresas/setores econômicos, beneficiados com recursos públicos (empréstimo, isenção fiscal, etc.)

2. Fim das horas extras.

3. Eliminação do banco de horas.

4. Redução imediata, de pelo menos dois pontos percentuais da taxa básica de juros (Selic).

5. Redução substancial do "spread" bancário dos bancos públicos e privados.

6. Ampliação das parcelas do seguro desemprego.

7. Ampliação dos aportes financeiros do fundo de amparo ao trabalhador, destinados à qualificação da mão de obra.

8. Autorização para que o trabalhadaor possa utilizar até 20% (vinte por cento) da sua conta do FGTS no Fundo de Infraestrutura (FI-FGTS).

9. Manifestação no próximo dia 21/01, em frente ao Banco Central, em São Paulo, pela redução da taxa de juros.

As centrais decidiram levar em audiências ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República, ao Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado do Trabalho e Emprego e Governadores Estaduais, as propostas do Pacto da Ação Sindical, a fim de adotarem medidas governamentais, imediatas e firmes, pela manutenção dos empregos.

Fonte: O Vermelho

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