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O presidente Evo Morales é ratificado por dois terços dos bolivianos

Após apuração da quase totalidade dos votos do referendo revogatório, presidente da Bolívia aparece com 67,41% de apoio; pesquisas de boca-de-urna e enquetes anteriores à consulta davam a ele, no máximo, 63%

O presidente Evo Morales foi ratificado por 67,41% dos bolivianos no referendo revogatório realizado no dia 10. Os dados se referem a 99,99% da apuração total, já que eleitores de duas mesas, onde foram encontradas irregularidades, votarão novamente no dia 24.

O resultado contraria as pesquisas eleitorais realizadas por institutos bolivianos. Antes da consulta, Evo não aparecia com mais de 60% da preferência nas enquetes divulgadas pela imprensa local. Já nas pesquisas de boca-de-urna, o presidente apareceu, no máximo, com 63,1%.

A apuração revela que, em relação a dezembro de 2005, quando foi eleito chefe-de-Estado, Evo Morales aumentou sua votação em 13,67%. Na ocasião, obteve 53,74%.

O mandatário boliviano foi vitorioso em seis departamentos: Potosí (84,87% de apoio), La Paz (83,27%), Oruro (83%), Cochabamba (70,9%), Chuquisaca (53,88%) e Pando (52,5%). Nos outros três, saiu derrotado: em Tarija, o apoiaram 49,83% do total, em Beni, 43,72%, em Santa Cruz, 40,75%.

Chama a atenção o desempenho em Pando e Tarija, dois departamentos da chamada meia-lua (oposição regional que conta ainda com Santa Cruz e Beni), onde Evo ganhou no primeiro e praticamente empatou no segundo.

Entre os governadores, foram ratificados os de Santa Cruz, com 66,43%, Beni, com 64,25%, Tarija, com 58,06%, Pando, com 56,21% e Potosí (governista), com 79.08%. As autoridades oposicionistas de Cochabamba e La Paz foram revogadas, com um repúdio de, respectivamente, 64,81% e 64,52%.

Já sobre Alberto Aguilar, governador de Oruro (do MAS, partido de Evo), paira uma dúvida, resultante da interpretação dos resultados. De acordo com a lei que convocou o referendo revogatório, aprovada no Congresso, em maio, as autoridades deixariam o cargo se a votação contrária a elas superasse a obtida para se elegerem em 2005. Nesse caso, Aguilar seria revogado, já que o repúdio a ele alcançou 49,14%, superando os 40,95% atingidos por eles há mais de dois anos.

No entanto, segundo uma resolução emitida pela Corte Nacional Eleitoral, em julho, para revogar um mandato de um governador, seria necessário um rechaço superior aos 50% dos votos. Nesse caso, Aguilar estaria ratificado.

Fonte: Igor Ojeda/ Correspondente do Brasil de Fato em La Paz (Bolívia)

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