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Oposição ganha por ampla maioria e decisão de Assembléia da Adufrgs deve acabar na justiça

A Assembléia Geral da Adufrgs, na tarde desta quarta-feira, dia 3, no Salão de Festas da Reitoria, foi marcada por forte disputa. Convocada pela diretoria para deliberar sobre mudanças estatutárias da entidade que, entre outras questões, encaminham a transformação da Adufrgs em sindicato, a decisão da Assembléia deve acabar na justiça.

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A Assembléia Geral da Adufrgs, na tarde desta quarta-feira, dia 3, no Salão de Festas da Reitoria, foi marcada por forte disputa. Convocada pela diretoria para deliberar sobre mudanças estatutárias da entidade que, entre outras questões, encaminham a transformação da Adufrgs em sindicato, a decisão da Assembléia deve acabar na justiça.

As principais críticas da maioria dos professores presentes foram a contratação de segurança privada e o encaminhamento de votação por procuração. Após uma questão de ordem não acatada, para aprovar ou não as procurações, a plenária decidiu pela destituição da mesa, rejeição da pauta proposta e a instalação de uma comissão eleitoral para encaminhar a eleição da nova diretoria da entidade. Ao final uma ata foi lida e aprovada por ampla maioria.

Entidades são barradas

Somente os professores filiados à entidade, com identificação, podiam entrar na Assembléia. A professora aposentada Maria Assunta Campilon disse que foi escoltada pelas seguranças até o salão. “Nem na ditadura militar fui tão humilhada nessa universidade, onde trabalhei por 30 anos. Essa Assembléia é soberana hoje e será sempre”, defendeu.

Era necessária a autorização do presidente da Adufrgs para que diretores de outras entidades observassem e a imprensa cobrisse a reunião. A coordenadora geral da Assufrgs, Bernadete Menezes, estranhou a presença ostensiva de seguranças privados contratados que tentaram impedir a presença da Assufrgs como ouvinte. A situação só foi contornada após a intervenção do professor Domingos Silveira junto à direção da Associação.  “Esperamos que a decisão da maioria seja reconhecida e não se entre numa guerra judicial. Acreditamos numa prática sindical onde a Assembléia Geral é soberana. Saudamos que o movimento dos professores esteja vivo e esperamos que retome uma história de lutas e
mobilizações conjuntas com a comunidade universitária”, salientou.

Para o primeiro presidente da Adufrgs, professor aposentado José Fraga Fachel, nunca se permitiu voto por procuração na história da entidade. “O regimento exige a presença do professor”. O professor de Direito e Procurador da República Domingos Silveira disse que estava vendo com tristeza o processo. “Fosse qual fosse a  decisão, o que me causa tristeza é a forma como foi conduzido. A direção da Adufrgs está rompendo com duas tradições do movimento. O primeiro é o princípio democrático e a participação da categoria. A decisão da Assembléia já estava tomada pelas procurações concedidas. O segundo é o princípio da confiança. Me causa espanto a direção confiar tão pouco na sua categoria que achou necessário contratar segurança privada. Isso para não pensar que foi contratada para intimidar a categoria. Mas isso não quero nem cogitar”.

O professor Luis Miranda também criticou a forma como foi conduzido o processo. “A votação por procuração e a intimidação colocam no lixo 30 anos de história. Não precisava fazer isso. A diretoria tem toda a legitimidade para propor a alteração, mas não dessa forma.” Já o professor Carlos Schmidt (Schimitão) destacou que não será aceito que o neopeleguismo se instale na Ufrgs.



Direção da Adufrgs retoma a Assembléia
Já para a direção da Adufrgs o que ocorreu foi uma “bagunça” e não teve legitimidade. Após a saída da maioria dos professores, a Assembléia foi retomada pela mesa anterior e foram lidos os nomes dos professores que assinaram as procurações.

Por Kátia Marko
Engenho Comunicação e Arte Ltda

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