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Pesquisa manipulada do governo Yeda enfrenta resistência dos servidores públicos

Sem avisar publicamente o local, o governo do Estado, em parceria com o Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade e o Instituto Methodus, chamou pessoas previamente selecionadas para uma pesquisa manipulada e, portanto, com resultados sob suspeita. Para se ter uma idéia, o convite não indicava o local, apenas os telefones da Ouvidoria do Governo [...]

Sem avisar publicamente o local, o governo do Estado, em parceria com o Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade e o Instituto Methodus, chamou pessoas previamente selecionadas para uma pesquisa manipulada e, portanto, com resultados sob suspeita. Para se ter uma idéia, o convite não indicava o local, apenas os telefones da Ouvidoria do Governo do Estado. Talvez com vergonha do método utilizado, a governadora Yeda Crusius e a secretária Mariza Abreu não compareceram a abertura.

Os “selecionados” avaliariam de nesta final de semana (dias 6 e 7), nas dependências da PUCRS, as carreiras dos servidores, especialmente a do magistério.

Mas nem tudo saiu como o fragilizado governo Yeda Crusius queria. Centenas de trabalhadores da educação e servidores de outras categorias foram até o local para protestar contra a mentira do governo. Com faixas e cartazes, ocuparam o saguão e o auditório do prédio 40, mostrando o descontentamento com uma proposta que o governo tenta enfiar goela abaixo do magistério e de outras categorias.

Os manifestantes dialogaram com quem foi enganado, que foi chamado para o evento sem saber do que se tratava. Pessoas que tiveram viagens e passagens pagas pelo governo. Mais de 500 mil reais foram gastos com a escandalosa e vexatória pesquisa.

Mas para o professor James Fishkin, da Universidade de Stanford, uma pesquisa "comum" teria respostas baseadas no conhecimento breve de uma pessoa sobre determinado assunto, enquanto a pesquisa "deliberativa" expressa a opinião da pessoa tendo acesso à informação. Neste caso, informação está muito próxima de manipulação.

Pelo método do professor norte-americano, Yeda talvez não tivesse uma avaliação tão negativa como a que mostrou recentemente o Instituto Datafolha. Pesquisa deste instituto aponta que para 57% dos gaúchos existe corrupção no atual governo estadual. Entre aqueles que acreditam haver casos de corrupção no governo gaúcho, 70% defendem o impeachment da tucana.

Ainda de acordo com a pesquisa do Datafolha, a administração de Yeda é avaliada como ruim ou péssima por 51%. É a maior reprovação a um governador – neste caso, governadora – já registrada pelo Datafolha.

Tanto Yeda quanto Mariza precisam explicar de onde saiu o dinheiro e quanto foi gasto com a manipulada pesquisa. Quanto foi gasto com as dezenas de ônibus e vans contratados. Se as despesas foram bancadas pela iniciativa privada, fica claro o interesse do empresariado no controle da educação pública gaúcha.

Constrangida, uma das pessoas “selecionadas” pelo governo deixou o encontro afirmando não aceitar esse tipo de manipulação. Afirmou que não se sentia no direito de colaborar com o governo e entidades privadas para discutir um projeto que retira direitos dos trabalhadores em educação. Foi ameaçada por integrantes da organização, que queriam a todo custo retirar-lhe o crachá de identificação.

Por mais que o governo continue agindo de forma antidemocrática, negando-se a ouvir os educadores, a luta contra alterações voltadas a retirar conquistas históricas da categoria e o emprego na educação de medidas aplicadas na iniciativa privada, como a remuneração por desempenho, será mantida e cada vez mais fortalecida.

Envolvido num emaranhado de corrupção – o maior já visto no Rio Grande – o governo Yeda não tem moral para implementar qualquer medida voltada a retirar direitos dos servidores públicos. Fora Yeda! Impeachment já!

Fonte: João dos Santos e Silva, assessor de imprensa do CPERS/Sindicato

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