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Seminário antirracismo fez debate qualificado sobre as cotas na Ufrgs

Clique aqui para ver mais fotos Em mesa representativa de ativistas sociais, estudantes, pesquisadores e gestores da Ufrgs, o tema foi debatido na perspectiva dos desafios que a implementação das cotas estão apresentando na Ufrgs. O debate realizado na parte da noite do dia 27 de maio, no Auditório da Economia da Ufrgs, contou com [...]

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Em mesa representativa de ativistas sociais, estudantes, pesquisadores e gestores da Ufrgs, o tema foi debatido na perspectiva dos desafios que a implementação das cotas estão apresentando na Ufrgs.

O debate realizado na parte da noite do dia 27 de maio, no Auditório da Economia da Ufrgs, contou com a participação de um conjunto qualificado de palestrantes: Valquíria Linck Bassani, pró-reitora de Graduação e presidente da Comissão de Acompanhamento do Programa de Ações Afirmativas da Ufrgs; Adriana da Silva, presidente do DA da Biomedicina e estudante de Biomedicina; Luciene Lacerda, Psicóloga e Doutoranda da Ufrgs; Edilson Nabarro, da Comissão de Permanência Indígena da Ufrgs; Laura Lopez, antropóloga e professora da Unisinos; Eriane Pacheco, vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE); e Leonardo Silveira, dirigente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES).

Abrindo a fala da noite, a pró-reitora Valquíria Bassani apresentou o Programa de Ações Afirmativas da Ufrgs, destacando as iniciativas que estão sendo tomadas para garantir a permanência do estudante cotista, como o Programa de Apoio a Graduação (PAG), que visa reforçar nas áreas de cálculo, português, física, química e inglês , bem como apoiar a realização de estudos sobre a retenção e a evasão dos alunos, principalmente em cursos onde essa taxa é preocupante. Além disso, a professora aproveitou para divulgar o concurso de criação do logo do Programa de Ações Afirmatiovas, que se encerrava no dia 27 de maio.

A estudante de Biomedicina da Ufrgs Adriana da Silva relatou os desafios que está enfrentando como estudante cotista. Ela relata que se sente sozinha como cotista negra no curso de Biomedicina, mesmo depois das cotas, porque o negro ainda está muito distanciado da ciência, pelo dia-a-dia que enfrenta, não se sente “capaz” de ser cientista. Ela falou ainda da importância de aproximar mais a assitência estudantil do estudante cotista. Falou ainda que existe uma vergonha de ser cotista, e que ela mesma foi vítima de preconceito.

A vice-presidente da UNE Eriane Pacheco iniciou falando que a sociedade e a história do Brasil são marcadas pelo preconceito e que as cotas são um serviço para a democracia brasileira. Relatou que da mesma forma que a colega estudante cotista, ela como estudante do Prouni, também enfrentou e enfrenta desafios. A realidade do aluno cotista é muito parecida com a do estudante do Prouni, pois são o mesmo público, passam pela mesma dificuldade no ensino médio, a carência de recursos. Eriane encerrou falando da importãncia de valorizar o orgulho de ser cotista, e que esse orgulho só vai ser conquistado na luta e na organização do movimento estudantil.

Para o dirigente da UBES Leonardo Silveira, as cotas são uma vitória da articulação entre trabalhadores e estudantes. Relatou também sua infância e adolescência de discriminação por ser negro, e que sempre foi ensinado a ser duas vezes melhor por ser negro. Relatou ainda que o vestibular é injusto pois privilegia quem tem condições de pagar um cursinho privado. Quem só se prepara estudando na escola pública, como é o seu caso, está muito atrás na competição.

A quinta palestrante, Luciene da Silva, professora da UFRJ, relatou que em sua Universidade as cotas não foram aprovadas ainda, e isso demonstra a fragilidade dessa vitória. As conquista foram pontuais, segundo sua avaliação, e muito precisa ser avançado para que se implemente como política pública.

O pró-reitor de Assistência Estudantil Edilson Nabarro citou alguns números sobre a implementação das cotas. Segundo, ele são 800 estudantes cotistas negros que entraram na Ufrgs desde a implementação das cotas, num universo de 2200 possíveis cotistas. Falou ainda da diferença do acompanhamento de estudantes indígenas, das tribos guarani e kaingáng, que a permanência é muito mais difícil, por ser uma cultura diferenciada.

Encerrando a noite, a antropóloga Laura Lopez falou que os desafios serão o combate do racismo institucional, que só será quebrado com muita mobilização. Após o debate os participantes confraternizaram no coquetel oferecido pela Assufrgs.

Por Igor Corrêa Pereira

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