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Senado retoma debate sobre cotas raciais em universidades

FONTE: DIAP A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado retomou o debate sobre as cotas raciais nas universidades públicas. Nesta terça-feira (31) realizou uma audiência pública sobre o projeto de lei que trata do assunto, na Universidade de Brasília (UnB). A senadora Ana Rita (PT-ES), que é relatora da matéria na Comissão de Constituição [...]

FONTE: DIAP

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado retomou o debate sobre as cotas raciais nas universidades públicas. Nesta terça-feira (31) realizou uma audiência pública sobre o projeto de lei que trata do assunto, na Universidade de Brasília (UnB).
A senadora Ana Rita (PT-ES), que é relatora da matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), reuniu movimentos negros e sociais, além de cotistas da UnB para debater o assunto.
Mais de cem pessoas lotaram o auditório da Reitoria para ouvir os pesquisadores e palestrantes que expuseram os motivos favoráveis que levam com que as cotas raciais sejam implantadas em universidades públicas no Brasil. O juiz William Douglas contou a parábola dos leprosos que vão até Jesus pedir a cura e Jesus pede que eles caminhem até o sacerdote.
Ao final da caminhada, todos os leprosos estavam curados. "E é essa a nossa luta. Temos que alterar a cor das universidades, das escolas. Esta é uma caminhada longa e difícil, mas necessária e ao final, conseguiremos o êxito", salientou.
Com base no modelo adotado pela UnB, o sucesso das cotas foi apontado em números pela pesquisadora Maria Eduarda Tannuri-Pianto, que analisou o processo desde sua implantação, em 2004.
A pesquisadora relatou que as políticas afirmativas que colocam os negros em cotas em universidades é eficiente, concedendo oportunidades. Além disso, mostrou que o desempenho dos estudantes cotistas é igual ou maior do que dos não-cotistas, demonstrando o esforço daquele grupo.
Exemplo a ser seguido
O reitor da UnB, José Geraldo, disse ser um entusiasta da política de cotas raciais na universidade e considera que "as ações afirmativas são resultantes do clamor dos movimentos sociais".
Já Frei David Raimundo dos Santos, dos cursos populares Educafro, relatou que os negros são vítimas da escravidão que não aparece, e que a UnB é um exemplo a ser seguido, por sua atitude "corajosa e firme", por ser a primeira universidade federal a introduzir as cotas raciais em um processo seletivo.
Novas demandas
A senadora Ana Rita informou que estava ali para ouvir e levar as demandas para debate no Senado. Entre elas, está o pedido de estabelecer emendas orçamentárias que para as universidades tenham verbas para investir em políticas raciais.
Também foi pedida a possibilidade de inserção de uma emenda no projeto que contemple as cotas para a pós-graduação em universidades públicas.
"Sei o que é discriminação, porque apesar de ter a pele branca, fui discriminada na infância por ser pobre. Entendo, perfeitamente, o sofrimento de vocês", disse a senadora, anunciando que fará outros debates sobre o assunto no Senado.
Ela pretende apresentar requerimento na Comissão de Educação para realização de audiência pública sobre cotas para negros na pós-graduação de universidades públicas.

Postado por Raquel Carlucho

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