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Servidores e estudantes barram reunião extraordinária do Conselho Universitário da UFSM na adesão à EBSERH

    Os servidores técnico-administrativos da UFRGS, participaram, na manhã desta sexta-feira (12), do ato contra a adesão da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) à  Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH). A reunião extraordinária, chamada às pressas pela reitoria para esta manhã, visava a apreciação do contrato com a EBSERH, que tira do poder [...]

 

 

Os servidores técnico-administrativos da UFRGS, participaram, na manhã desta sexta-feira (12), do ato contra a adesão da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) à  Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH). A reunião extraordinária, chamada às pressas pela reitoria para esta manhã, visava a apreciação do contrato com a EBSERH, que tira do poder público a administração dos hospitais universitários no país, retirando os direitos básicos sociais dos trabalhadores a uma saúde pública e de qualidade; e abrindo brecha para as terceirizações e exploração em condições mais degradantes dos trabalhadores da saúde.

A reunião extraordinária do Conselho Universitário foi cancelada devido às pressões de servidores docentes, técnico-administrativos, estudantes e de servidores da UFRGS, UFPEL e FURG que compareceram à Reitoria nesta sexta, e impediram a entrada dos conselheiros.

A justificativa do Reitor da UFSM, Felipe Muller, sobre a adesão do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) à EBSERH foi de que “o Ministério Público está pressionando o parecer”. Entretanto, deixa nítida a manobra na tentativa de aprovação com as reuniões chamadas às pressas e a falta de debate com a sociedade frente às necessidades de uma reitoria e de um governo  a serviço do lucro dos empresários. “É preciso construir a luta para além da EBSERH nos HUs. A alternativa tem de ser construída, e essa alternativa é financiamento público para um SUS 100% público”, disse Igor Corrêa Pereira, pela FASUBRA Sindical.  Pressionado, o reitor afirmou que a pauta oficial será discutida na reunião ordinária do dia 25 de outubro, e não mais em reunião extraordinária.

 

“Não é uma luta só contra a reitoria, é contra o governo que está novamente atacando os direitos sociais. É preciso aprofundar a radicalidade da luta, não pode ficar restrita à questão institucional. A sociedade não pode ficar nas mãos de meia dúzia de pessoas do Conselho Universitário”, afirmou Giovanni Frizzo, da UFPEL, relembrando a luta travada contra a EBSERH na Universidade Federal de Pelotas.

O HUSM atende mais de 40 municípios da região central do Rio Grande do Sul. Se aderido à EBSERH, não somente os trabalhadores que necessitam do SUS terão seus direitos retirados: a EBSERH abrirá brecha para a terceirização, em vez de RJU via concurso público – e bem sabemos as conseqüências da terceirização: salários rebaixados (inclusive abaixo da CLT), condições precárias de trabalho ferindo a vida e saúde do trabalhador; lucro das empresas e das reitorias  neste sucateamento do trabalho dos terceirizados; bem como a quebra do tripé ensino-pesquisa-extensão, ferindo a autonomia das universidades no desenvolvimento de técnicas e políticas para uma saúde com vistas à sociedade – isso faz com que se direcione o ensino e a pesquisa ao que dá mais lucros para as empresas que gerenciam os hospitais via EBSERH.

 

Após o cancelamento da reunião extraordinária do Conselho de Delegados, servidores e estudantes se reuniram para encaminhar os próximos passos na luta contra a EBSERH. A comunidade acadêmica discutiu a possibilidade de audiências municipais e estaduais para referendar com a sociedade um posicionamento sobre a EBSERH; estabelecimento de grupo permanente e periódico para estudo e articulação das lutas em torno da questão; exigiu à FASUBRA e demais entidades sindicais que realizem um mapeamento das Instituições que já aderiram à EBSERH, onde foi barrada, e como está a situação em cada caso para traçar uma luta nacional articulada; reunião com o Ministério Público junto com o ANDES, FASUBRA e SINASEFE; e a construção de uma moção de repúdio à adesão, em Santa Maria. Outros servidores atentaram para a necessidade de uma assembléia geral da comunidade universitária para dar o tom de enfrentamento a mais este ataque, lembrando do caso do Rio de Janeiro, que o movimento obteve vitória sobre os empresários, barrando de vez a EBSERH, a partir da radicalização das lutas. 

 

Um comentário para "Servidores e estudantes barram reunião extraordinária do Conselho Universitário da UFSM na adesão à EBSERH"

  1. Igor Corrêa Pereira outubro 14th, 2013 16:36 pm Responder

    A atuação em Santa Maria foi vitoriosa porque todos se uniram em torno da defesa do HU, mas foi uma vitória parcial, precisamos encaminhar o pedido de uma audiência pública e fazer todos os esforços possíveis pra tornar público o debate não só de barrar a EBSERH, mas de demonstrar que o HU é um modelo de gestão que pode dar certo. 10 universidades já disseram não a EBSERH, dentre elas a UFRJ. É possível HU 100% SUS, vinculado a universidade e prestando atendimento a quem precisa.

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