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Campus sem carros e aula pública no primeiro dia do semestre na UFRGS

Ações marcaram retorno às aulas que ocorre mesmo com a greve de técnicos e professores e com o corte de verbas. Reitor não recebeu comissão de técnicos, professores e alunos que redigiram carta com suas reivindicações.

Uma UFRGS sem carros, com mais espaço para a convivência social e política da comunidade universitária. Com o objetivo de provocar a discussão sobre o uso dos espaços da universidade, o trabalhadores em greve fecharam o acesso dos carros ao quarteirão da Reitoria nesta segunda-feira. Apenas pedestres e ciclistas acessaram o campus. A ação faz parte do Agosto Vermelho da Fasubra, mês de radicalização dos atos exigindo uma resposta do Governo Dilma à pauta de reivindicações.

No meio da manhã, a área em frente à Faculdade de Educação foi ocupada para a realização de uma aula pública organizada por técnicos (Assufrgs), estudantes (DCE e APG) e docentes (Andes). O tema foram os cortes de investimento em educação e como isso afeta cada um dos segmentos.

Aula Pública

Falando em nome do Andes, Mathias Luce abordou a transferência de dinheiro público das universidades e institutos federais para universidades privadas. Enquanto as IFES sofrem com o corte no seu orçamento, o governo segue transferindo dinheiro a entidades privadas por meio do FIES e Prouni.

Arthur Bloise, que representou a Assufrgs, destacou o problema da terceirização, que está presenta nas universidades. Denunciou o constante desrespeito aos direitos trabalhistas e recorrentes atrasos no pagamento dos salários, situação que se agravou com a redução das verbas destinadas às IFES. Lembrou que a forma de combater a crise é uma decisão política e o governo federal escolhe o ajuste, cortando investimentos sociais, retirando direitos dos trabalhadores e, por outro lado, aumentando os juros que trazem mais lucro a banqueiros e especuladores. Defendeu a necessidade de um programa avançado e democrático, com reforma agrária, mais cotas, mais dinheiro para educação pública e menos para a privada, regulação da mídia e revisão da dívida pública. Defendeu ainda a democratização imediata na UFRGS, tendo como primeiro passo a paridade na votação de escolha para reitor, que ocorre no próximo ano.

Pelo DCE, Guly Marchant destacou que também na segunda-feira os servidores estaduais estavam nas ruas protestando contra o parcelamento de seus salários, medida implementada pelo Governos José Ivo Sartori. Falou da falta de equipamentos que já ocorre na UFRGS em decorrência do corte de verbas e chamou todos a seguir na mobilização em defesa da universidade.

Guilherme Rolim, que falou em nome dos pós-graduandos, reafirmou que a organização é a resposta para enfrentar os cortes. Informou que os pós-graduandos estão tendo que usar do próprio dinheiro para executar o seu trabalho de pesquisa, pois faltam os meios necessários. Citando Florestan Fernandes, afirmou que o estudante tem que juntar suas forças com o povo.

Nas falas, a técnica em educação Manoela Nogueira destacou a atividade que estava ocorrendo no campus, chamada Dia Sem Carro na UFRGS. Propôs a reflexão sobre o uso do espaço do campus para atividades da comunidade e não para estacionamento, possibilitando convivência social e política.

Marcha

Terminada a aula pública, todos saíram em marcha que circundou o campus centro. Ao final, foram até a Reitoria pedir que o reitor Carlos Alexandre Netto, ou seu vice, recebesse uma comissão que entregaria um documento de reivindicações da comunidade universitária. Quem recebeu a comissão foi o pró-reitor de gestão de pessoas Maurício Viegas da Silva.

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