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Paralisação debate os caminhos da campanha salarial 2015

Dia Nacional de Lutas da Fasubra paralisou atividades dos TAEs em todo Brasil. Em Porto Alegre, as atividades do dia debateram as pautas de mobilização no serviço público federal.

Os técnico-administrativos em Educação na UFRGS, UCSPA e IF-RS paralisaram suas atividades nesta última terça (03). A Paralisação fez parte do Dia Nacional de Lutas da FASUBRA, que foi realizada em diversos estados no Brasil.

O que falta para os SPFs conquistarem a data-base?

Esta foi a pergunta que o debate da manhã abriu as atividades do dia de paralisação, no Auditório da Fabico (UFRGS). O debate contou com a participação de representantes de sindicatos do serviço público federal e das centrais sindicais: Marizar Melo (SINDISERF/RS); Vanderlei Carraro (ADUFRGS); Cristiano Moreira (SINTRAJUFE); José Campos (SINDISPREV/RS); Dary Beck Filho (SINDIPETRO/RS); Mozarte Simões (CUT); Bernadete Menezes (INTERSINDICAL); Ramiro Lopez (CTB); e Ricardo Franzoi, representando o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconomicos (DIEESE).

 

Marizar Melo (SINDISERF/RS) – “O que está em jogo no país são nossos direitos e a democracia”.

O diretor do Sindiserf/RS saudou a todos os presentes na paralisação e destacou a importância deste momento para a luta dos trabalhadores, trazendo exemplos dos servidores do Paraná e derrotaram o “pacotaço” do governo Beto Richa (PSDB), a reversão das 800 demissões dos trabalhadores da Volkswagen, em São Paulo e a greve dos Caminhoneiros pelas rodovias do Brasil. Para Marizar estes são alguns dos exemplos que mostram a possibilidade de reverter o grande pacote de maldades que o governo federal apresentou para os trabalhadores (MP 664 e 665).

“Estes ataques atingem não só os servidores públicos, mas o conjunto da classe trabalhadora brasileira. Então tem que ser um sinal forte nosso, para que nós possamos travar um grande embate. O que está em jogo no país são nossos direitos e a democracia”, disse Marizar.

 

 

José de Campos Ferreira (SINDISPREV-RS) – “Ele fez uma conciliação, e essa conciliação agora tem preço. É uma crise que está sendo jogada sobre nós”.

O diretor do Sindisprev-RS José de Campos Ferreira explicou que as medidas que vem sendo tomadas – como ataques ao seguro desemprego e pensões, reforma da previdência; aumentos dos preços de eletricidade e combustível e nenhum aumento real aos trabalhadores – apenas reforçam o caráter do governo, que segundo José Campos é de governar com os ricos.

Para o diretor, o governo vai jogar a crise econômica sobre nossas costas, e a tarefa ao serviço público é estar na linha de frente no enfrentamento ao governo Dilma e os setores que querem fazer medidas “até piores do que estão colocadas”.  O representante do Sindisprev-RS afirmou, também, que precisamos refletir a opção do governo a qual “sempre foi uma opção de governar com os ricos. Nós temos de nos perguntar o que significou todos estes anos o apoio do Maluf, Collor, Delfim Neto, desses setores ao governo. Ele fez uma conciliação, e essa conciliação agora tem preço. É uma crise que está sendo jogada sobre nós”.

 E completa a necessidade de “enveredar por um caminho de exigir que o governo mude de curso, que demita este ministério de conjunto. Que enverede de fato para uma discussão de reformas que vão no sentido da classe trabalhadora, das reformas que foram levantadas em junho de 2013, com mobilização. Que os trabalhadores vão para as ruas e a gente de fato passe a limpo o país”, defende José de Campos.

 

Cristiano Moreira (SINTRAJUFE/RS) “…temos apenas nossa mobilização para apostarmos e derrotarmos o arrocho salarial e a política de retirada de direitos do atual governo”

O Coordenador do Sintrajufe-RS Cristiano Moreira lembrou a situação dos bolsistas da UFRGS que reivindicam reajustes nas bolsas, uma vez que estão há cinco anos congelados nos R$ 400,00, férias remuneradas e fim do assédio moral para contrapor o lema do governo federal.

“O governo lança o lema Brasil Pátria Educadora, com as universidades cada vez mais precarizadas, com cortes de gastos no serviço público em geral e uma ofensiva de retirada de direitos, em especial as medidas provisórias que atacam os direitos previdenciários, trabalhistas, seguro desemprego, pensões. E contra os direitos nossos ameaçados em um contexto de um feroz ajuste econômico e fiscal jogando a responsabilidade da crise econômica sobre nossas costas”, contestou Cristiano.

O Coordenador ainda explicou que aliada a esta situação, o serviço público enfrente um duro arrocho salarial e que é preciso ir às ruas para tentar reaver as perdas salariais que se acumulam ano após ano, mesmo com o acorde de greve de 2012, já que a inflação continua crescendo.

“Nós, do judiciário federal, acumulamos perdas salariais que atingiram já índice de quase 50% nos últimos oito anos. Não é pouca coisa! É um problema com diferentes particularidades comum ao conjunto do funcionalismo público”, relatou Cristiano Moreira.

O representante do Sintrajufe/RS expos que temos mais um desafio pela frente, em uma conjuntura mais difícil “e temos apenas nossa mobilização para apostarmos e derrotarmos o arrocho salarial e a política de retirada de direitos do atual governo. Exemplos não os faltam neste início de 2015 para que possamos nos espelhar”, finalizou.

 

Dary Beck Filho (SINDIPETRO/RS) “A derrubada da Dilma pela direita reacionária não nos ajuda”

O Coordenador do Sindipetro/RS iniciou sua exposição falando das lutas de 2014 e 2015 e pediu aos trabalhadores cuidado ao se analisar as mobilizações, que do ponto de vista do mesmo, a greve dos caminhoneiros é um nocaute de empresários que fizeram para questionar o preço dos fretes.

O exemplo que aconteceu ontem em Camaquã é um exemplo disso. Existe uma articulação da direita mais reacionária e fascista em nosso país para atacar todos os direitos de todos os trabalhadores. Se não tivermos consciência disso vamos andar mal nesta conjuntura”, explicou Dary.

Dary explicou a importância da Petrobrás na produção do Pré-sal, a maior dos últimos anos na história da produção de petróleo brasileira. E convidou para a mobilização no próximo dia 13 de março para defender a Petrobrás, os direitos e a democracia, pois “nossa democracia tão jovem está sob risco. A derrubada da Dilma pela direita reacionária não nos ajuda”, falou Dary Beck Filho.

 

Vanderlei Carraro (Adufrgs) “…a reestruturação da carreira a qual, se mobilizada e conquistada, se tornará uma das mais simples historicamente feitas”.

O Professor e coordenador da Afufrgs Vanderlei Carraro contou o processo de mobilização dos docentes na UFRGS, para entender o que o conjunto destes entendiam como plano de reajuste salarial para 2016, 2017 e 2018, baseando-se no modelo trienal de negociação da greve de 2012.

“Esta é uma sistemática que entendemos que é melhor preservar um triênio, com todos os riscos que possa ter, do que ficar anualmente naquela angustia. O conjunto de professores respondeu, entendendo que tinha que deflagrar o mais rápido possível esta campanha, que prevê não só a inflação do triênio que passou, porém mais 4% sobre este valor e ganho real”, relatou  Vanderlei Carraro.

O representante da Adufrgs informou, ainda, que além da reivindicação salarial, os professores exigem a reestruturação da carreira. Esta última, para ele, “se mobilizada e conquistada, se tornará uma das mais simples historicamente feitas, matematicamente fácil de ser explicada, e conquistas mais factuais que um reajuste salarial”, afirmou Carraro.

Conforme Vanderlei os desafios do movimento sindical é defender o que a comunidade quer sabendo “que ela num momento histórico atual está dividida e termos a responsabilidade de representa-los”, finalizou o coordenador da Adufrgs.

 

Centrais Sindicais

Bernadete Menezes (INTERSINDICAL) “Se hoje estamos dizendo que a direita está forte, alguém é responsável, ou somos nós que lutamos que somos responsáveis?”

Bernadete Menezes, representando a Intersindical e Coordenadora da ASSUFRGS, pontuou a importância dos técnicos das universidades brasileiras estarem paralisados para iniciar o debate da campanha salarial, uma vez que o acordo de greve de 2012 acabou. A representante explicou a importância da organização e a necessidade de ter mais força para enfrentar a conjuntura e a crise brutal que tenta levar os trabalhadores junto. Para ela, nas universidades, o contingenciamento das verbas para educação vai estourar na greve dos terceirizados, nas universidades.

“Está havendo contingenciamento na educação. O próprio reitor Carlos Alexandre relatou que está vindo apenas 1/18 para UFRGS que está nesta situação já: interditado laboratório da farmácia, o prédio da psicologia, salas de aula; a situação do RU do Campus do Vale, da Informática, das bibliotecas; o campus agronomia que está chovendo internamente, cheio de lona. É disso que estamos falando. Esse contingenciamento vai parar em greve de terceirizados, pois as empresas não serão pagas, que vão acabar suspendendo o pagamento dos terceirizados, como já está acontecendo na Creche e na Multiágil no setor de limpeza”, afirmou Bernadete.

Segundo a representante da Intersindical é preciso fortalecer a classe trabalhadora, que segundo ela deixamos de fazer nos últimos anos. “Tentávamos, e muita gente dizia ‘não, estamos num governo progressivo’. Sim, achamos que várias medidas no governo Dilma são muito progressivas: as cotas nas universidades, tirar da miséria 50 milhões de pessoas, isso não é qualquer coisa. Mas isso é insuficiente e desmobilizou a classe trabalhadora. Se hoje estamos dizendo que a direita está forte, alguém é responsável, ou somos nós que lutamos que somos responsáveis? Porque agora estamos numa encruzilhada?”, questionou Bernadete Menezes.

Para ela é preciso luta e formar uma frente contra os ataques, caso contrário mais força a direita política no país irá ter. “Estamos discutindo que podemos retroceder o que acumulamos em 30 anos”, alertou.

 

Ramiro Lopez (CTB)  conclama a unidade do movimento para obter vitórias. 

O representante da CTB iniciou a exposição sobre o assunto falando de uma bandeira importante para os movimentos sociais e sindical que é a democratização da comunicação e regulação da mídia. “Temos de fato um quarto poder que talvez o mais poderoso que é o papel da mídia, no Brasil. Mídia esta que é dominada e controlada por sete famílias no país, concentra e escolhe as informações que o grande público tem acesso”, revelou Ramiro.

Ramiro resgatou as bandeiras históricas do serviço público federal como data-base e negociação coletiva. Por outro lado, explica que temos no Brasil  “um governo com uma política econômica de direita, que cada vez mais se distancia daquilo que a gente pregaria como ideal para os trabalhadores. Um congresso nacional dominado pelo poder econômico, um quadro que podemos contar com 50 aliados para o direito dos trabalhadores. O quadro é esse, uma crise do capitalismo colocada, a conta sendo empurrada para nós e a gente tendo que ter a necessidade de dar uma resposta”, expôs Ramiro Lopes.

Ele avalia que houve uma regressão na capacidade de organização dos trabalhadores no último período, que precisa ser revertida. “Uma coisa que eu gostei bastante aqui de ouvir é esse diagnóstico da necessidade de construirmos de fato uma unidade na construção das propostas, para a partir daí fazer junto a categoria o convencimento necessário de que existe uma unidade de propósito e que nesse ano nós vamos para ganhar”. Ele citou como exemplo de unidade a greve de 2003 pois foi uma greve política contra a Reforma da Previdência que de fato mobilizou o conjunto das categorias

Ramiro Lopes explicou, também, que quando diagnosticamos as dificuldades de obter vitórias, identificamos no adversário os nossos problemas. Para ele “temos um governo com uma política equivocada, um congresso que não nos apoia, a mídia que trabalha contra nós, e não olhamos para dentro de nós”, refletiu o representante da CTB, e deixou mais reflexões aos trabalhadores presentes no debate:

“Achei muito interessante marcar um dia nacional de mobilização e nesse dia promover a reflexão sobre os caminhos. Vem cá, o que está acontecendo? Qual é o mundo que a gente vive? Quem somos nós, pra onde vamos e qual é o nosso exército?   Para daí ter de fato condições para saber qual nosso objetivo, traçando qual a nossa estratégia, como vamos lutar, fica muito mais próximo a resposta para essa pergunta que foi levantada O que falta para que os SPFs conquistem a sua data-base?”, finalizou Ramiro.

 

Mozarte Simões (CUT) “A política salarial só vai ter efeito com a data-base e o contrário também vale”

Mozarte Simões, representante da CUT e coordenador da Assufrgs, explicou o estudo realizado pela organização para a cooperação do desenvolvimento econômico sobre a reunião do G20, em 2014, na Austrália, o qual afirma que as economias do “primeiro mundo” estão em decadência e algumas já nem existem mais. Segundo o coordenador, o estudo realizado mostrou o pacto para injeção de mais de dois trilhões de dólares nestas economias.

“O dinheiro vai para os países emergentes, no momento que tem uma injeção de dois trilhões na economia mundial, este dinheiro tem que sair de algum lugar, tem que aparecer de algum lugar. E se tem que sair de algum lugar alguém tem que ficar sem. Temos ataques múltiplos na américa latina pois são países emergentes e o dinheiro está circulando aqui por este lado. Esses ataques começam pelos decretos e medidas que os governos tomam para as empresas e industrias crescerem. Quem é penalizado nisso? O trabalhador. Um destes trabalhadores é o servidor público municipal, estadual e federal”, explicou Mozarte Simões.

Mozarte falou também das dificuldades das lutas no setor privado, em que os trabalhadores quando entram em luta são demitidos, porém mesmo assim a fazem e conquistam vitórias. Desta forma, questionou  “porque os trabalhadores do serviço público não conseguem fazer esta unidade na luta tão falada aqui? Temos as medidas provisórias, o projeto de lei de greve que tiram grandes direitos. Nós não temos um projeto para combater este projeto. A data-base é muito importante, mas tem que ter projeto salarial que a gente possa botar na mesa para o governo e dizer o que queremos.  A política salarial só vai ter efeito com a data-base e o contrário também vale”.

 

Ricardo Franzoi (DIEESE)

Ricardo Franzoi do o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) decompôs o índice de reajuste para perdas salariais para explicar de onde vem o valor 27,3%.

Segundo ele quando se faz determinado cálculo para o serviço público, há uma série de arbitragens levadas em consideração. O DIEESE apresenta um conjunto de indicadores, e as centrais sindicais que vão definir até onde se pode chegar, pois são elas que tem contato diretamente com o conjunto dos trabalhadores, e explica:

“Esse índice tem um conjunto de arbitragens e não necessariamente representa a defasagem do salário dos diversos setores ou planos de cargos e salários. São levados em consideração os seguintes elementos para os 27,3%:

Se usou como data-base o mês de agosto de 2010 – pois foi o último reajuste do servidor federal que foi linear, ou seja, não foi diferenciado entre as diversas categorias:

Estimativa de inflação – com proposta de reajuste para julho de 2016. Pegamos a estimativa do Banco Central, que é o indicador que o mercado está aceitando e o governo se baseia para definir a política econômica de metas inflacionarias;

Então você tem uma inflação prevista de quase 44% entre agosto de 2010 até julho de 2016. Os 15,8% é as três parcelas do último acordo de greve em 2012. Descontando dos 44% estes 15% vai resultar 24%, entrando mais 2% de aumento real, que vai resultar nos 27,3%.

 Esta conta não é apenas de somar ou subtrair: é uma conta que é um acumulado, é uma proporção.

Os 27,3% é basicamente uma diferença da inflação de agosto de 2010 a julho de 2016, menos as três parcelas de 5% concedidas, mais 2% de aumento real”, explicou Ricardo Franzoi aos técnico-administrativos paralisados nesta última terça (03), que debateram sobre a campanha salarial e os desafios dos trabalhadores nesta luta.

 

 

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