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Professores mineiros e paulistas criticam bonificação que será criada no RS

Governo quer implantar sistema de bônus para professores no Rio Grande do Sul. Para sindicalistas de São Paulo e Minas Gerais, onde já existe bonificação, medida apenas provoca competição entre os professores e cria fábrica de aprovação de alunos.

A Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul (SEC) está planejando implantar o bônus de produtividade aos professores da rede pública. Representantes dos governos também do PSDB de São Paulo e de Minas Gerais estiveram recentemente em Porto Alegre para apresentar como funciona o sistema naqueles estados.

A partir das duas experiências, consideradas positivas pela SEC, o governo de Yeda Crusius pretende criar o sistema gaúcho. No entanto, professores mineiros e paulistas não têm a mesma opinião da governadora.

Em Minhas Gerais, o bônus foi implantado este ano e beneficia professores de escolas com bom desempenho, o que significa para o governo que os alunos tenham boas notas. A coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE), Maria Inez Camargo, aponta que a bonificação não traz benefícios aos professores, porque cria um clima de competitividade.

“Essa política de mérito, tanto mais do que esfacelar a categoria, ela cria a ilusão de que o profissional pode sozinho melhorar o dado da educação. Qualquer profissional da educação tem um papel a cumprir na melhoria da qualidade da educação, mas sozinho, ele não dá conta de resolver o problema de aprendizagem dos alunos”, diz.

Camargo também critica a falta de transparência do sistema de bônus. O governo não informou todos os critérios que são usados para definir o valor da bonificação, que pode ser de até 80% sobre o salário.

Em São Paulo, além das notas dos alunos, também é avaliada a assiduidade dos professores, mas eles desconhecem os outros critérios. Para a presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Noronha, o sistema de bônus é obscuro. Ela também afirma que ele não é relevante para os professores, porque muitos deles faltam as aulas por causa de problemas de saúde gerados pela pressão que sofrem do governo. Ainda há o risco da mercantilização da educação.

“Com isso, acaba criando uma fábrica de aprovação de aluno, porque as notas do sistema de avaliação de resultados são utilizadas, só que acaba com aprovação automática. É uma educação que está muito centrada nessa avaliação de resultados. A secretária não tem lançado mão disso para fazer uma alteração da política implantada e tem usado para punir os professores”, diz.

O sistema de bonificação no estado paulista acontece desde 2001 e os valores podem variar de R$ 1.500,00 a R$ 7 mil, passando muitas vezes do valor do próprio salário. No entanto, poucos professores já receberam o valor máximo. Noronha defende que o governo deveria valorizar a categoria com melhores condições de trabalho e não discutir planos de bonificação.

Reportagem: Paula Cassandra
Agência Chasque

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