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Um ano após a enchente de maio, ASSUFRGS segue atuando junto a comunidades afetadas

Um ano após a cheia de maio que atingiu Porto Alegre e a Região Metropolitana, a ASSUFRGS continua comprometida com ações de apoio às vítimas da tragédia climática — anunciada e negligenciada pelo poder público.

Nos dias 24 e 25 de abril, funcionários do sindicato realizaram a entrega de doações de roupas de inverno, calçados e cobertores a pessoas desalojadas e desabrigadas pelas enchentes.

Uma das instituições beneficiadas foi o projeto Crescer, Aprender e se Divertir (CAD), uma Organização da Sociedade Civil (OSC) que desenvolve atividades educativas e recreativas com crianças e adolescentes de 4 a 18 anos em situação de vulnerabilidade social, residentes na comunidade Chácara do Primeiro, em Porto Alegre.

O projeto sem fins lucrativos atende 75 crianças e cerca de 50 famílias. Foto: Imprensa ASSUFRGS

Com sete anos de atuação, o CAD funciona exclusivamente por meio de doações, já que não conta com apoio institucional ou patrocínio.

Durante as enchentes de maio, a presidente da organização, Andressa Minharro Moreira, de 36 anos — conhecida carinhosamente como “Tia Dessa” —  liderou uma campanha emergencial para atender as famílias forçadas a deixar suas casas. A sede do projeto, localizada em uma área mais alta da cidade, foi transformada temporariamente em abrigo.

Naquele mesmo mês, a ASSUFRGS esteve presente no Morro da Polícia, atendendo à demanda por itens de higiene, limpeza, roupas e utensílios domésticos para as vítimas. Um ano depois, a ação se repete, agora em um contexto menos caótico, mas ainda desafiador.

Andressa explica que as doações recebidas passam por uma triagem, e os itens são distribuídos conforme as necessidades de cada família. A prioridade, segundo ela, é sempre atender primeiro os responsáveis pelas crianças atendidas pelo projeto.

Sou muito grata pela parceria com a ASSUFRGS. Ela surgiu em meio a uma tragédia, mas veio para fortalecer e impulsionar ainda mais o nosso trabalho”, afirma a presidente da organização.

Retrospectiva das ações da ASSUFRGS na enchente de maio

  • Greve Solidária

Do dia 07 de maio a 16 de junho de 2024, a categoria da UFRGS, UFCSPA e IFRS criou uma Cozinha Solidária na sede do sindicato. Foram entregues mais de 12 mil refeições, entre almoço, lanche e janta. A iniciativa partiu da servidora Morgana de Marco, técnica em Alimentos e Lacticínios nos Laboratórios de Alimentos da UFCSPA. Inicialmente, ela atuava como voluntária na preparação de marmitas dentro da própria universidade. No entanto, devido à falta de água e energia elétrica — com os geradores sendo direcionados exclusivamente à preservação de experimentos — a produção foi interrompida.

Diante desse cenário, Morgana procurou a coordenação da ASSUFRGS para solicitar o uso da cozinha do sindicato, como forma de dar continuidade ao trabalho. Com o espaço liberado, ela e mais sete voluntários deram início à produção das refeições. Aos poucos, mais pessoas se juntaram à causa, ampliando significativamente a capacidade da cozinha.

A cozinha solidária foi uma construção. O pessoal foi chegando, não tínhamos estrutura e equipamentos adequados para tudo isso, mas o pessoal ia levando os itens que conseguiam emprestados e a demanda começou a crescer. De 50 marmitas, passamos a produzir 450 por dia”, conta a servidora.

O que começou como uma ação emergencial e improvisada, tornou-se um verdadeiro símbolo de esperança e resistência comunitária. Foto: Arquivo ASSUFRGS

  • Pix Solidário e Doações

Além das ações realizadas pela Cozinha Solidária, a ASSUFRGS também promoveu uma campanha de arrecadação via PIX. Foram arrecadados mais de R$60 mil em doações.

Além do projeto Crescer, Aprender e se Divertir, localizado no Morro da Polícia, os donativos foram entregues nos seguintes locais: Quilombo Família Ouro, Quilombo dos Machados, Território indígena escola Pindó Poty, Retomada indígena Nhe’engatu – Viamão, Abrigo da escola Mesquita, Abrigo casa de mulheres Mirabal, Abrigo da ESEFID-UFRGS, Abrigo comunitário Passo das Pedras, Ocupação Altos do São Guilherme e Ocupação União pela Moradia.

Os colegas da ASSUFRGS também atuaram com a distribuição de material e envolvimento pessoal no abrigo instalado na Esefid/UFRGS, nas ações promovidas na UFCSPA e na triagem de medicamentos doados, realizada na Faculdade de Farmácia da UFRGS. A participação se deu tanto de forma coletiva quanto individual, com a presença do sindicato em diferentes regiões da cidade.

Memória

A enchente provocou danos em quase todos os municípios do estado, devastou cidades da Região Metropolitana e Vale do Taquari, retirou milhares de casa e deixou 183 mortos, além de 27 desaparecidos. Em Porto Alegre, o sistema contra as cheias colapsou. As casas de bombas falharam, a rede de esgoto entupiu devido ao excesso de lixo nas ruas, diques romperam e a água vazou pelas comportas. Após um ano, embora a água tenha baixado, ainda há muito a ser feito.

Não há avanços em políticas ambientais, nem sequer a manutenção das casas de bombas do DMAE, alvo do projeto privatista de Melo, que assim como a energia elétrica privatizada por Leite, tende a piorar os serviços e excluir a populção mais carente”, afirma Ricardo Souza, coordenador da ASSUFRGS.

O sindicato reforça a importância de manter a vigilância e a mobilização popular, para que a memória da tragédia não seja apagada, os responsáveis pelas dimensões catastróficas do desastre sejam responsabilizados, e haja avanços concretos nas políticas públicas de proteção ambiental.