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Artigo – Um ano da assinatura do Acordo de Greve (por Morgana de Marco)

Em 2024, os Técnico-Administrativos em Educação de todo o Brasil – e especialmente do Rio Grande do Sul – construíram uma greve histórica. Uma greve marcada pela união coletiva, pela resistência e pela exigência de condições dignas de trabalho, mudança na carreira e valorização dos serviços públicos.

Mas essa greve ganhou novos contornos quando as enchentes atingiram Porto Alegre e várias regiões do estado. Diante da tragédia, a categoria não recuou: a greve se transformou em greve solidária.

O que poderia representar um enfraquecimento da greve, se transformou em força, união e empatia — ampliando a atuação dos grevistas para ajudar quem precisava, alcançando as periferias e a região metropolitana de Porto Alegre.
Nós estivemos lá:

  • Nas Cozinhas Solidárias, preparando refeições quentes para quem perdeu tudo.
  • Levando água potável para comunidades onde o abastecimento não chegava.
  • Fazendo campanhas de doação de alimentos, roupas e itens de higiene.
  • Participando da coordenação de abrigos emergenciais, sendo colo, escuta e presença ativa.
  • Criando redes de apoio psicológico, levando orientação, cuidado e humanidade.
  • Ajudando a limpar escolas, creches, casas e ruas – reconstruindo o que o descaso do poder público deixou desmoronar.

Tudo isso sem abandonar a pauta da greve. Porque entendemos que lutar por direitos também é lutar por condições mínimas de vida. Que apoio de classe é indissociável da luta sindical.

Durante esse tempo, ficou evidente que, mesmo com visões políticas distintas, conseguimos nos unir. O compromisso com a defesa do serviço público, com a educação e com a dignidade das pessoas foi o ponto de encontro. A greve seguiu firme, fortalecida pela ação concreta.

A universidade pública se mostrou essencial — não só como espaço de ensino e pesquisa, mas como agente ativo na reconstrução social.
Nosso reconhecimento vai a cada TAE que esteve presente. A cada pessoa que se envolveu e que ajudou a criar soluções urgentes em meio ao caos.

Artigo escrito por Morgana de Marco, coordenadora da ASSUFRGS.