Comissão da Memória e da Verdade da UFRGS lança campanha de arrecadação de registros sobre o período de repressão
A Comissão da Memória e da Verdade Enrique Serra Padrós da UFRGS está lançando uma campanha a fim de incentivar a apresentação de testemunhos orais e a disponibilização de documentação que possam contribuir para os trabalhos de investigar, preservar e tornar pública a história da Universidade durante a ditadura civil-militar (1964-1985) e a redemocratização (1985-1988).
A fim de organizar o registro de possíveis colaborações, qualquer pessoa que tenha em seu poder documentos, fotos, cartas ou outros registros da época, ou que deseje compartilhar sua memória por meio de testemunho oral pode preencher o formulário online.
Sobre a CMV
Instaurada oficialmente em 10 de dezembro de 2024, a Comissão da Memória e da Verdade homenageia o professor do Departamento de História da UFRGS Enrique Serra Padrós, cuja trajetória acadêmica foi marcada pela pesquisa sobre os regimes autoritários na América Latina, contribuindo significativamente para a compreensão histórica deste tema.
Filho e neto de mulheres e homens que precisaram fugir para a América Latina em razão da ditadura de Francisco Franco na Espanha, Enrique nasceu no Uruguai, migrou para o Brasil aos 14 anos e dedicou sua vida à educação e à luta por justiça aos familiares de vítimas e às vítimas das ditaduras de Segurança Nacional do Cone Sul.
A comissão é composta por nove membros da comunidade universitária e que recentemente teve sua composição alterada, é presidido pela professora da Faculdade de Direito Roberta Baggio.
Segundo a presidente, essa campanha é representativa do compromisso estabelecido com a comunidade da UFRGS no momento da instauração da Comissão. “O nosso trabalho parte de um acúmulo de pesquisas já existentes, a partir das quais percebemos que os maiores vazios de recomposição histórica dizem respeito à participação e à repressão de técnicos e discentes da Universidade. Nós entendemos que o trabalho da Comissão só vai ter sentido democrático se puder chegar a todas as pessoas da nossa comunidade”, afirma Roberta Baggio.
Foto: Manifestação de estudantes durante o regime militar Foto: Divulgação / Acervo Museu da Ufrgs
