“Com fome não dá para estudar”: Greve no IFRS Restinga escancara a realidade dos estudantes
A recente saída do Brasil do Mapa da Fome, conquista alcançada durante o mandato do presidente Lula e reconhecida por relatório da ONU, representa um avanço importante na luta contra a insegurança alimentar. No entanto, apesar de menos de 2,5% da população estar em risco de subalimentação, a realidade enfrentada por estudantes nas universidades e institutos federais mostra que o país ainda está longe de garantir o direito pleno à alimentação. Erradicar a fome continua sendo um desafio urgente, especialmente para a permanência estudantil.
A Federação Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico (FENET) encaminhou, nesta quinta-feira (07), um ofício aos sindicatos em apoio à greve estudantil no IFRS Campus Restinga, que seguirá até o dia 8 de agosto. Assinado por Marcela Almerindo Rodrigues, Diretora Regional da FENET, o documento solicita apoio dos sindicatos à luta por orçamento digno para todos os Institutos Federais do Brasil e pela construção imediata de um bandejão acessível e de qualidade no campus.
A decisão pela greve foi tomada em assembleia estudantil realizada ao longo dos três turnos de aula da última quarta-feira (06). Na ocasião, os estudantes relataram episódios recorrentes de mal-estar em dias de jornada integral, devido à ausência de alimentação acessível na instituição, fator que também tem contribuído para a evasão nas aulas.
“Alguns estudantes relatam ter que escolher entre garantir o sustento em casa ou permanecer no IF”, afirma Marcela. Segundo a diretora regional da FENET, houve inclusive o relato de um desmaio de um aluno do programa Partiu IF, resultado da falta de acesso a uma alimentação acessível e de qualidade no campus.
A paralisação, com duração de três dias, além da FENET, contou com o apoio do DCE Livre Sarah Domingues e do Grêmio Estudantil do campus. Durante as mobilizações, palavras de ordem como “Quem tem fome tem pressa” e “Com fome não dá pra estudar” ecoaram pelos corredores, expressando a urgência das reivindicações por alimentação digna e condições básicas de permanência estudantil.
A ASSUFRGS defende que alimentação para os estudantes, além de ser um direito básico, garante a permanência no ambiente escolar. “Entendemos que atual política de austeridade do governo federal, que implementa um teto nos investimentos públicos, serve apenas para agradar aos banqueiros e a burguesia do país. Para o povo trabalhador, o arcabouço fiscal tem sido o responsável por arrancar diretos, precarizar o serviço público, e não garantir o mínimo de assistência aos estudantes da rede pública federal”, afirma o coordenador André Telles.
A coordenação do sindicato presta, portanto, todo o apoio e solidariedade aos estudantes do IFRS Restinga e saúda a FENET neste importante papel de organização e luta pela garantia do direito a alimentação acessível e de qualidade para toda a comunidade acadêmica. Seguimos unidos pelo fim imediato dos cortes na educação e fim do arcabouço fiscal.
