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UFRGS Serra tem previsão de 140 novas vagas para servidores Técnico-Administrativos em Educação

Em encontro realizado na manhã desta terça-feira, 19 de agosto, na Sala II do Salão de Atos da UFRGS, a Reitoria apresentou à comunidade a proposta de criação e instalação do Campus Serra da UFRGS, que prevê seis cursos de graduação – nas áreas de Engenharia de Produção Mecânica; Engenharia Agrícola; Engenharia de Materiais e Manufatura; Ciência de Dados; Administração; e Pedagogia –, além da possibilidade de posterior ampliação da oferta com cursos nas áreas de Saúde, Artes e Humanidades. A expectativa é de que os primeiros estudantes do Campus Serra iniciem seus cursos em março de 2026.

Segundo a administração, o próprio Governo Federal apontou a serra gaúcha como local para a criação de uma nova universidade, através Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sendo essa uma oportunidade para a UFRGS ampliar sua atuação, acessando recursos destinados à política pública. A proposta apresentada pela reitoria cita que um dos focos será em projetos inovadores e na ampliação das interações acadêmicas, tanto com o setor privado como público da região da serra.

Estrutura de pessoal

Para o Campus Serra da UFRGS, estão previstas 140 vagas para Servidores Técnico-Administrativos em Educação (TAE) e outras 160 vagas de Servidores Docentes, além de funções gratificadas. Segundo a reitoria, haverá possibilidades de remoção, redistribuição e aproveitamento de concurso. Vagas que não forem usadas na Serra poderão ser usadas na Sede.

Os servidores TAEs irão atuar em núcleos administrativos, biblioteca, prefeitura do Campus (se o local de instalação for o antigo Campus 8 da UCS), atenção à saúde, apoio acadêmico (graduação e pós). Caberá ao serviços terceirizados a atuação nos seguintes setores: portaria, vigilância limpeza interna e externa (se UCS), manutenção, motoristas, carregadores, libras.

A Coordenadora da ASSUFRGS Sindicato, Maristela Piedade, esteve presente na apresentação realizada pela reitoria na Assembleia Legislativa do RS, na segunda-feira, 18 de agosto. Em sua manifestação sobre o tema, destacou pontos centrais que devem ser observados na proposta de implementação de um Campus Serra da UFRGS. Entre eles, a questão da restrição orçamentária. “Recentemente lutamos para recompor um orçamento que foi contingenciado. Não basta ter o orçamento para o início das atividades, mas sim para a consolidação do Campus Serra Gaúcha. É preciso ter orçamento para as atividades e também para assistência estudantil. Esse campus tende a atender um público que trabalha durante o dia pelo alto nível de empregabilidade de região. É muito importante que tenha curso noturno e que tenha também assistência estudantil, restaurante universitário, para esse público. Para atender realmente filhos e filhas de trabalhadores”, enfatiza.

Maristela Piedade, Coordenadora da ASSUFRGS Sindicato, participa de Audiência pública na Assembleia Legislativa que debate criação do campus da UFRGS na Serra Gaúcha.

Sobre a possibilidade de buscar orçamento junto à iniciativa privada, a Coordenadora da ASSUFRGS alerta: “a busca incessante por recursos privados pode levar a uma influência grande dos interesses privados na autonomia universitária e na definição de prioridades de pesquisa e ensino. A universidade não tem que ter o foco no lucro e em geração de receita. Ela tem que ter o foco na missão pública de formação e produção de conhecimento e desenvolvimento social para que haja uma diminuição na desigualdade social. A busca por recursos privados pode causar uma desigualdade até mesmo entre os cursos”.

Outra aspecto levantado pelo sindicato é sobre o dimensionamento de pessoal. “O novo campus, se concretizado, vai oferecer pelo menos seis cursos de graduação, parte deles necessitam de laboratórios com técnicos e técnicas que tenham habilitação e habilidades e capacitação em agricultura, química, física. Então, é importante dimensionar: são previsto 140 técnicos para atender até 2.800 alunos. Essas demandas devem ser atendidas por técnicos formados em áreas relacionadas que venham a atuar em laboratórios específicos, então é importante fazer esse dimensionamento de pessoal também”, pondera Maristela.

Assista a manifestação da Coordenadora da ASSUFRGS, Maristela Piedade.

Local do campus

Ainda não há decisão sobre o local de instalação do campus. A Universidade deve optar entre três áreas. Duas delas – o Campus 8 da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e o prédio que até recentemente abrigava uma faculdade privada na área central de Caxias – já foram visitadas e avaliadas tecnicamente. Durante a apresentação à comunidade, a gestão demonstrou maior interesse na segunda opção, por ser um Campus mais moderno, localizado no centro da cidade e com menor investimento de infraestrutura e manutenção. Uma terceira opção deve ser conhecida nos próximos dias.

Próximos passos e custeio

A proposta será submetida ao Conselho Universitário (Consun) em setembro, junto a um estudo que contempla levantamentos sociodemográficos e econômicos, além do potencial de parcerias na região. Após aprovação no Conselho, iniciam-se então a construção dos projetos pedagógicos dos cursos e os processos para seleção de docentes e técnicos administrativos, além da aquisição e adaptação da área escolhida, entre outras providências.

A UFRGS realizou tratativas com o Ministério da Educação (MEC) no sentido de obter garantia de recursos que viabilizem a instalação e o funcionamento do Campus. O Novo PAC prevê R$ 60 milhões para a instalação do novo campus e mais recursos de complementação orçamentária para seu funcionamento. A UFRGS demandou ao MEC R$ 75 milhões. O vice-reitor, Pedro Costa, explicou que foi solicitado em torno de R$ 6 milhões para o primeiro ano de funcionamento, chegando a R$ 11 milhões no quinto ano, em valores atuais. O MEC já aprovou, para 2025, valor extra para custeio na ordem de R$ 1,037 milhão para organização do espaço físico e se comprometeu com a complementação orçamentária para custeio.

Debate

Após a explanação da reitoria a plateia se manifestou, pontuando algumas preocupações, como: a necessidade de ouvir a comunidade do Campus Litoral Norte, sobre a experiência recente da expansão da instituição para uma nova região, evitando erros cometidos; mudanças necessárias no regimento interno; diálogo com os campi dos Institutos Federais que já existem na região para evitar concorrência de vagas; Chamamento antecipado de concursos para os servidores, antes do início das aulas no novo campus; cuidado ao implementar políticas de ações afirmativas e permanência estudantil, como casa do estudante e Restaurante Universitário; e necessidade de se pensar cursos noturnos, ou turno único, e nas áreas de humanas, como direito e letras.