Copa Antifascista reúne 22 times na Orla do Guaíba e valoriza a diversidade dentro e fora de campo
No último domingo (17), Porto Alegre foi palco da 1ª Copa Antifascista, realizada na Orla do Guaíba. O torneio foi promovido pelo veículo Arquibancada Democrática — que aborda o futebol a partir de uma perspectiva crítica, social e popular nas mídias digitais.
Ao todo, participaram 22 equipes, sendo 18 masculinas e 4 femininas. Representando a diversidade do futebol, os times foram formados por pessoas LGBTQIA+, equipes de imigrantes de Angola, Moçambique e Colômbia, além de coletivos negros e representantes vindos de Santa Maria.
A Copa ocorreu das 9h às 17h e premiou os destaques do torneio com medalhas para 1º, 2º e 3º lugar nas categorias feminina e masculina. Também foram entregues troféus de fair play, melhor goleiro, artilheiro, técnico e campeão em cada modalidade. A iniciativa teve como objetivo consolidar um polo de times antifascistas da Capital e da região metropolitana, ocupando a Orla do Guaíba como espaço de resistência e disputa frente ao projeto de privatização defendido pela Prefeitura de Porto Alegre.

O sindicato se soma à causa por considerar essencial a conscientização sobre o movimento antifascista. Foto: @feltrinho_50 e @arquibancada.democratica
A ASSUFRGS, uma das responsáveis pela divulgação do evento, também marcou presença com representação nos times femininos e masculinos, reforçando que o sindicato está presente nas diversas frentes da luta social. O destaque vai para a participação do time feminino, que conquistou a medalha de 3º lugar, simbolizando a força das trabalhadoras também nos espaços esportivos.
Segundo Gustavo Cirello, integrante do Arquibancada Democrática, a proposta da Copa foi fortalecer a união entre coletivos que encaram o futebol como espaço de luta e diversidade. “Entre erros e acertos, reunimos quatrocentas pessoas na Orla com o mesmo intuito: promover a luta por uma sociedade mais justa. A intenção do Arquibancada Democrática é promover a luta antifascista e divulgar mais espaços como este. Em união com os 22 times dessa Copa, queremos organizar novas edições e, quem sabe, até uma liga antifascista de Porto Alegre ou mesmo do Rio Grande do Sul”, destaca.
Para Ítalo Guerreiro, o torneio representou muito mais do que um simples evento esportivo. “A Copa foi um momento super importante na agenda de lutas do ano. Ela não só reuniu times antifascistas de Porto Alegre e até de Santa Maria, mas também cumpriu um papel relevante de mostrar antagonismo frente a ideologias supremacistas e discursos de ódio que têm ganhado espaço na sociedade e na mídia”, afirmou.

Ítalo entrega troféu aos campeões da 1ª Copa Antifascista. Foto: @feltrinho_50 e @arquibancada.democratica
Ele destacou ainda o caráter político do encontro: “Durante aquelas horas na Orla do Guaíba, homens e mulheres não estavam apenas praticando esporte. Estavam também denunciando essas ideologias e construindo laços, redes de contato e ferramentas para enfrentar o fascismo da forma como ele deve ser enfrentado.”
Ítalo lembrou que se tratou de uma iniciativa pioneira no estado: “Foi a primeira Copa Antifascista do Rio Grande do Sul. Talvez em algum momento algo semelhante já tenha acontecido, mas esta foi a que se colocou de forma pública e coletiva, trazendo para Porto Alegre e para o estado uma pauta política das mais importantes do nosso tempo.”
Além de promover a integração entre os times, a Copa também serviu como espaço de divulgação da Conferência Internacional Antifascista, que será realizada em Porto Alegre, em março do próximo ano. A ideia da comissão organizadora é, junto com as equipes participantes desta primeira edição, construir coletivamente a próxima Copa já no início de 2026.
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Fotos: @feltrinho_50 e @arquibancada.democratica
