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Estudo da UFRGS une ciência e sustentabilidade na busca por alternativas ao plástico

O Dia Mundial do Meio Ambiente de 2025 destacou a importância de ações coletivas para enfrentar a poluição plástica. Um exemplo desse movimento pode ser encontrado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde a pesquisadora Helen Kotekewis desenvolve, em seu mestrado no Laboratório de Materiais Poliméricos (Lapol) do Núcleo de Sustentabilidade, um estudo voltado à substituição do plástico convencional por alternativas biodegradáveis.

O trabalho resultou na criação de um filme biodegradável, capaz de substituir o plástico convencional em embalagens flexíveis, especialmente no setor alimentício, responsável por cerca de 20% da demanda de plásticos no Brasil. A partir da mistura de amido (natural, extraído do milho) e álcool polivinílico (PVA, sintético), Helen conseguiu criar um material mais resistente à umidade, biodegradável e com propriedades funcionais que prolongam a vida útil dos alimentos. A blenda – termo utilizado para quando se misturam dois tipos de polímeros – criada por Helen também contém aditivos naturais como lignina (resíduo da indústria de papel, com propriedades antioxidantes e antifúngicas) e ácido málico (proveniente de frutas como a maçã).

Jornada até o resultado

Durante a pesquisa, Helen Kotekewis testou diferentes combinações até chegar à fórmula ideal: um material formado por 75% de amido e 25% de PVA, reforçado com lignina e ácido málico. O resultado foi um filme biodegradável mais resistente à umidade, capaz de manter a transparência e, ao mesmo tempo, oferecer propriedades antifúngicas e antioxidantes — características fundamentais para a conservação de alimentos. A lignina, resíduo da indústria do papel, e o ácido málico, presente em frutas como a maçã, ajudaram a reduzir em até 35% a absorção de água, tornando o material mais eficiente sem comprometer sua degradação no meio ambiente.

A pesquisa aponta, assim, para uma alternativa real e viável ao plástico convencional, mostrando como resíduos industriais e compostos naturais podem se transformar em embalagens sustentáveis e de impacto direto no setor alimentício.

Plástico biodegradável desenvolvido pelo estudo | Foto: Arquivo de pesquisa

De acordo com o Panorama de Resíduos Sólidos no Brasil, cada brasileiro descarta, em média, 382 quilos de lixo por ano. Apesar de avanços, a reciclagem ainda representa apenas 8% do total, sendo que a maior parte passa pelas mãos de catadores informais — apenas um terço vem de coletas seletivas oficiais.

É nesse contexto que a pesquisa de Helen ganha relevância: ainda em fase laboratorial, o estudo mostra que é possível desenvolver materiais sustentáveis sem perder eficiência. O grande desafio, segundo a cientista, é transformar inovação em políticas públicas e tecnologias acessíveis, para que a sustentabilidade deixe de ser exceção e se torne regra.

Em meio à crise climática e ambiental, a cientista reforça o papel transformador da ciência aplicada, que alia conhecimento técnico, consciência ecológica e inovação. “Não é só sobre terminar uma pesquisa, mas sobre criar soluções reais para o mundo real. O impacto só acontece quando a ciência sai do laboratório e chega até as pessoas”, conclui Helen.


Dissertação: Blendas biodegradáveis de amido/PVA aditivadas com lignina e ácido málico para aplicação em embalagens flexíveis
Autora: Helen Kotekewis
OrientadoraRuth Marlene Campomanes Santana
Programa/Unidade: Programa de Pós-graduação em Engenharia de Minas, Metalúrgica e de Materiais – Escola de Engenharia

Fonte: Jornal da Universidade UFRGS