FASUBRA faz moção de apoio ao povo palestino e de condenação a “Israel” pelo crime de genocídio
A FASUBRA aprovou, em sua Plenária Nacional, uma moção de apoio ao povo palestino e de condenação ao regime de Israel, denunciando o genocídio em curso há 77 anos e intensificado nos últimos meses em Gaza. O documento reforça a solidariedade internacionalista da categoria dos Técnico-Administrativos em Educação e exige que o Brasil rompa todas as relações com Israel, especialmente nos campos militar, de segurança, tecnologia e energia, por entender que tais vínculos contribuem para o massacre do povo palestino. A moção também reafirma o compromisso com a luta pela autodeterminação da Palestina e pela construção de uma sociedade livre de opressões e violações de direitos humanos.
Leia na íntegra:
MOÇÃO DE APOIO AO POVO PALESTINO E DE CONDENAÇÃO A “ISRAEL” PELO CRIME DE GENOCÍDIO
Com pedido de rompimento das relações do Brasil com o regime supremacista e genocida de “israel”
Nós, trabalhadores e trabalhadoras em educação, reunidos Plenária Nacional da FASUBRA Sindical, manifestamos nossa solidariedade apo povo palestino, que há 77 anos vive ocupação colonial e genocidária, desde quando sofreu a maior limpeza étnica da história, nos anos 1947/1951, evento histórico Nakba, palavra árabe para designar catástrofe, que resultou na morte ou expulsão de 88% do território da Palestina então tomado (78%) para tonar-se “israel”, por meio desta MOÇÃO, pelos seguintes termos:
Condenamos o regime de Apartheid, em sua forma estatal designada Israel, já denunciada em incontáveis relatórios da ONU e das mais importantes ONGs internacionais de direitos humanos, como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, e até mesmo israelenses;
Condenamos a continuada ocupação colonial da Palestina, hoje resultado no confisco de cada vez mais território palestino, o que leva a atualmente restar aos palestrinos menos de 10% de seu território histórico, no qual habitam, ininterruptamente, há pelo menos 10 milênios;
Condenamos a política de extermínio do povo palestino, oficialmente adotada pelo regime israelense, visando limpar etnicamente a Palestina para que nela haja apenas cidadãos judeus, hoje às claras no primeiro genocídio televisionado da história, em curso por 694 dias em Gaza, cujos números, proporcionalmente, superam até mesmo os da 2ª Guerra Mundial, tais quais:
74.996 exterminados em Gaza, considerados os mais de 11 mil desaparecidos sob escombros, a quase totalidade civis, totalizando 3,37% da demografia do território, o que equivaleria a 7,2 milhões de brasileiros ou 25,4 milhões na Europa da 2ª Guerra Mundial, por sua população atual (seriam 82 milhões em eventual repetição dos 6 anos da 2ª GM);
21.882 crianças assassinadas neste genocídio, a maior matança de crianças da história de guerras e genocídios, com 10.306 por milhão de habitantes de Gaza, 3,66 vezes a matança de crianças no período nazista, que foi de 2.813 crianças por milhão de habitantes (no Brasil seriam 2,2 milhões);
13.100 mulheres assassinadas, consideradas as desaparecidas sob escombros, mais de mil delas grávidas, dado agravado pelos 300% de aumento nos casos de abortos involuntários e pelo fato de que para os próximos 9 meses haver entre 50 mil e 60 mil grávidas para darem à luz, sem casas, hospitais, comida, água, medicamentos, saneamento básico ou qualquer condição de habitabilidade;
Os extermínios massivos de mulheres e crianças por “israel”, como jamais documentado em guerras e genocídios, visa esterilizar coletivamente a sociedade palestina em Gaza, ou seja, colapsar sua capacidade reprodutiva eliminando ventres e os rebentos que deles vieram à luz a pouco tempo, configurando um novo tipo de genocídio, ainda não conhecido;
O colapsamento da capacidade reprodutiva da sociedade palestina em Gaza já está comprovado por pelo menos dois dados da ONU: os nascimentos em Gaza, que caíram 41% no primeiro semestre deste ano (29 mil) quando comparado ao mesmo período do ano passado (17 mil) e com a queda da longevidade média no território, que era de 75,5 anos até 7 de outubro de 2023 e agora é de 36 anos para os homens (pouco superior ao do Egito faraônico) e 44 anos para as mulheres;
Os feridos são 167.293, praticamente todos com gravidade ou mutilados, quase 7,52% da população de Gaza, o equivalente a 16 milhões no Brasil e 56,7 milhões na Europa da 2ª GM, por sua população atual, com a agravante que boa parte está fadada a morrer pela falta de hospitais, médicos e medicamentos, agravando o genocídio;
Os assassinatos de 1.422 profissionais de saúde, com mais de 1.500 feridos e outros 500 sequestrados pelas forças israelenses de ocupação, somados à destruição de quase todos os hospitais (25, com mais 9 fora de serviço por outras razões ligadas à destruição) e clínicas, depósito de medicamentos e outras infraestruturas, como mesquitas (828), sedes de governo (225), escolas e universidades (509) e 432,5 mil habitações, entre destruídas (102 mil) e semidestruídas (330,5 mil) levam ao colapso da habitualidade de Gaza e provocarão mais mortes massivas;
A destruição supera os 80%, maior que na 2ª GM, bem como maior que na limpeza étnica de 1947/51 (4 anos), que foi de 69%;
“Israel” já é responsável pela maior matança de jornalistas da história (246, contra 69 em toda a 2ª GM), de funcionários da ONU (203) e da Defesa Civil (113) da história, bem como, proporcionalmente, de profissionais da educação (mais de mil) e estudantes (mais de 18 mil), eliminações que visam, também, somadas às dos profissionais de saúde, eliminar as testemunhas e apagar as provas e indícios do crime de genocídio; e
Agora a fome é a arma de guerra, ao ponto de nas últimas semanas terem sido exterminados mais habitantes de Gaza do que em todo o período na anterior – 113 assassinados ao dia contra a média anterior de 108 –, resultado direto da matança pela fuzilaria na fila da comida ou diretamente pela fome e falta de tratamento médico.
Diante de tudo isso, renovamos nosso apoio ao povo palestino em sua luta nacional por autodeterminação e condenamos o regime supremacista e genocida de “israel”.
Por fim, pedimos ao Estado Brasileiro, bem como a todas as instituições, dentre elas as universidades, às demais unidades da federação, empresas e indivíduos, que rompam todas as suas relações com “israel”, especialmente as que digam respeito aos campos militar, de segurança e tecnologia, além da energética, áreas diretamente ligadas ao extermínio do povo palestino, sob pena de contribuirmos com o genocídio na Palestina.
Palestina Livre a partir do Brasil, 30 de agosto de 2025, 78º ano da Nakba.
