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ASSUFRGS doa mantimentos para a Retomada Nhen’Gatu do Povo Guarani-mbyá

Em apoio à Retomada Nhen’Gatu do Povo Guarani-mbyá, a ASSUFRGS Sindicato realizou doações de mantimentos durante uma visita de apoio realizada no dia 12 de setembro. Localizada em Viamão, a comunidade está sendo atacada pelo Governo Leite, que resolveu “ceder” a área da Retomada para a Prefeitura de Viamão com a desculpa de construir ali um “Centro Logístico, Empresarial e Tecnológico”.

O povo Guarani-mbyá retomou um de seus territórios ancestrais em agosto de 2025, chamado por eles de Tekoá Nhe’engatu. A área com mais de 148 hectares abriga fauna e flora remanescentes do bioma Pampa, com espécies ameaçadas de extinção, cursos hídricos, áreas de preservação ambiental e pesquisas agropecuárias. Há risco de perda de mais da metade do território para a especulação imobiliária.

“Durante a visita, o Cacique Eloir nos relatou a presença ancestral do povo Guarani-mbya na cidade. Recentemente a comunidade realizou a retomada de seu Território, buscando ativamente a regularização e demarcação de suas terras e solicitando a intervenção da Funai para evitar retrocessos”, destacou Vanessa Franco Fontoura, eleita Coordenadora de Diversidade e Combate às Opressões da ASSUFRGS Sindicato. Infelizmente, esses retrocessos estão ocorrendo. No dia 16 de setembro de 2025, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul votará o Projeto de Lei 280/2025. “Este projeto visa remover o povo indígena da área para destiná-la a propósitos capitalistas e insustentáveis, o que ataca diretamente a comunidade e os recursos naturais do Estado. Expressamos à liderança indígena nosso apoio à causa e a união de forças para lutar contra este PL.”

Com essa retomada, o povo Guarani Mbyá também presta homenagem a seu avô Turíbio Gomes, que morreu com 101 anos de idade, assim como todos seus anciões e anciãs que lutaram e padeceram na busca de uma vida mais digna para o seu povo. Muitos deles não conseguiram passar os dias de sua existência dentro da terra demarcada.

“Hoje estamos retomando uma área que é nossa conforme pesquisas da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), aqui em Viamão. Hoje a gente está em 30 pessoas fazendo essa ocupação, sabendo que todo esse território aqui na região de Viamão era Guarani. Hoje estamos voltando às nossas origens nessa retomada aqui e também justificando a importância da ocupação dessa área, que é uma das poucas que ainda permanece um pouco da mata nativa, fonte de água, de rio”, explicou o jovem líder Arnildo Werá no dia da retomada. Nesse momento, o povo Guarani Mbyá requisita que a Funai agilize os procedimentos de demarcações de terras para o seu povo, sobretudo os processos paralisados e o da Tekoá Nhe’engatu.

Todo apoio à luta dos povos originários! Chega de especulação nas terras indígenas!

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Com informações da Rádiocom