Notícia

Nota de apoio e solidariedade à ocupação Palestina Livre! Marcela Vive!

A ASSUFRGS Sindicato manifesta todo seu apoio e solidariedade às famílias do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB – que, no último dia 7 de setembro, construíram a ocupação Palestina Livre! Marcela Vive! no centro de Porto Alegre.

A ação faz parte de uma jornada nacional do movimento na luta por moradia, na qual outras 17 ocupações foram construídas na mesma data em 15 estados do Brasil, sob o lema “Não há independência nem soberania sem direito à moradia”.

As famílias denunciam a alta dos preços dos aluguéis no último período, que em Porto Alegre chegou a mais de 26% – o dobro da média nacional – e a falta de uma política habitacional para o povo trabalhador, principalmente para quem foi duramente atingido pelas enchentes de maio de 2024.

Mais do que uma saída imediata para o agravamento do problema de moradia em função da enchente e de outras catástrofes climáticas, agravadas pelo atual modo de produção capitalista, os movimentos sociais buscam soluções concretas para reduzir o déficit habitacional e dar destinação a imóveis desocupados, principalmente no Centro da cidade.

O Estado do Rio Grande do Sul vive uma crise habitacional sem precedentes, e Porto Alegre está no centro desta carência, apresentando um déficit habitacional de mais de 64 mil famílias sem casa própria. Vemos com grande preocupação o avanço da especulação imobiliária, materializada nos mais de 100 mil imóveis domiciliares desocupados na cidade e em cada novo empreendimento de luxo das grandes construtoras, cujo objetivo não é a construção de moradias populares para quem mais precisa.

A situação é agravada pelo atual cenário político, em que o prefeito e vereadores da extrema-direita foram eleitos graças ao aporte de volumosas doações para suas campanhas, provenientes de grandes empreiteiras, construtoras e incorporadoras, e agora governam comprometidos em atender os interesses dessas empresas do ramo imobiliário, de costas para as reais necessidades do povo.

Nós da Assufrgs acreditamos que os sindicatos e entidades de classe devem operar atentos a todas as pautas políticas, sociais e econômicas em suas regiões de atuação, com foco na solidariedade de classe e visando a combater o espírito de corporativismo.

Além disso, o artigo 4º do nosso estatuto, atualizado e aprovado pelo IV Congresso da Assufrgs, estabelece o seguinte compromisso:
h) Defender as liberdades coletivas e individuais, a realização da justiça social, os direitos fundamentais do ser humano e o fim de toda e qualquer forma de discriminação, opressão e exploração;

Apoiar a luta das famílias e movimentos sociais pela moradia popular, um direito fundamental garantido na Constituição de 1988, é apostar em uma cidade com mais justiça social e com melhores condições de vida para cada um dos cidadãos e cidadãs, filiados ou não.

Portanto, prestamos todo nosso apoio à luta dos movimentos sociais por moradia popular, por meio de decisão referendada na última assembleia geral, realizada em 26 de setembro. E convocamos toda a categoria de técnicas e técnicos administrativos em educação a auxiliarem as famílias da ocupação Palestina Livre! Marcela Vive!, para que encontrem a prosperidade e tranquilidade necessárias para construírem seus novos lares.

Enquanto morar for um privilégio, ocupar é um direito. Toda força aos que lutam!

Coordenação Assufrgs Sindicato