Nenhuma a menos: em meio ao aumento dos casos de feminicídio, ASSUFRGS segue firme na defesa da vida das mulheres
“Homem que perseguiu e matou mulher em mercado no RS é condenado a 30 anos de prisão”, “Corpo carbonizado de mulher é encontrado próximo de complexo esportivo em Caxias do Sul; suspeita é de feminicídio”, Corpo esquartejado de mulher é encontrado em sacos de lixo em Porto Alegre”. Manchetes como essas têm se tornado frequentes nos noticiários, revelando a dimensão de um crime que cresce ano após ano: o feminicídio.
A realidade no RS: números que assustam
Dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) apontam que, de janeiro a setembro deste ano, 57 mulheres foram assassinadas por feminicídio, número superior aos 47 casos consumados no mesmo período de 2024, o que indica um avanço preocupante da violência de gênero no estado.
No feriado de Páscoa deste ano, dez mulheres foram assassinadas no Rio Grande do Sul. As vítimas tinham idades entre 14 e 54 anos, algumas atacadas dentro das próprias casas, outras em via pública e até na presença de filhos pequenos. Já no feriado de Dia das Crianças, no último final de semana, a violência voltou a se manifestar: três novas mulheres foram assassinadas.
“A misoginia está presente em todos os âmbitos da vida das mulheres”
Para Mariana Sosnowski, servidora da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade da UFRGS e coordenadora da ASSUFRGS, as notícias de feminicídios e agressões revelam um padrão cotidiano e estrutural:
“Perceber que as notícias de violência contra a mulher se tornaram cotidianas nos horroriza. A misoginia — o ódio às mulheres — está presente em todos os âmbitos da vida delas. Tanto dentro de suas casas quanto nas ruas e nos ambientes de trabalho, violências sutis, psicológicas, físicas e patrimoniais ocorrem todos os dias. Há uma desumanização dos corpos das mulheres, e viver condicionada pelo medo, mesmo em relações íntimas, também é um fator de adoecimento”, afirma.
Mariana ressalta ainda que, embora existam políticas públicas e medidas protetivas de urgência, elas são insuficientes diante da complexidade do problema. “A violência contra meninas e mulheres tem raízes sociais e culturais muito antigas. Enfrentá-la é essencial para prevenir feminicídios, evitar a orfandade e promover a paz na sociedade como um todo”, pontua.
A luta sindical também é feminista

Para Morgana de Marco, coordenadora do sindicato, a atuação sindical precisa estar atenta e comprometida com o enfrentamento à violência de gênero:
“Como sindicato que tem em sua base tantas mulheres trabalhadoras, a ASSUFRGS não pode silenciar diante dessa realidade. A luta sindical também é uma luta feminista”, defende.
Morgana enfatiza que a violência contra as mulheres não está dissociada de outras formas de exploração. “A violência está ligada ao assédio, à desigualdade salarial, à sobrecarga do cuidado, à precarização do trabalho e à falta de políticas públicas de acolhimento. Tudo isso faz parte de um mesmo sistema que tenta nos calar e controlar.”
A coordenadora denuncia ainda a omissão do Estado e a fragilidade das políticas de enfrentamento, que seguem desestruturadas mesmo diante de dados tão alarmantes. “É preciso garantir recursos para a rede de proteção, fortalecer os centros de referência e abrigos, e criar protocolos de acolhimento também nos locais de trabalho — inclusive nas universidades e órgãos públicos”, analisa.
Por nossas companheiras e por todas as mulheres
A ASSUFRGS reafirma seu compromisso com a luta por uma sociedade sem violência e pela defesa da vida das mulheres.
Seguiremos firmes e solidárias, nas ruas, nos espaços de luta e nas mesas de negociação, porque a defesa da vida das mulheres também é uma pauta sindical.
Basta de feminicídios. Nenhuma a menos!
