Notícia

UFRGS aprova Campus Serra Gaúcha após intenso debate no CONSUN

Neste 31 de outubro, o Conselho Universitário (CONSUN) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) aprovou a criação do Campus Serra Gaúcha, em Caxias do Sul. A aprovação do parecer nº 251/2025 foi por 66 votos favoráveis, nenhum contrário e 2 abstenções. O Campus terá seis cursos de graduação, Engenharia de Produção Mecânica, Engenharia Agrícola, Engenharia de Materiais e Manufatura, Ciência de Dados, Administração e Pedagogia, e já projeta futuras formações nas áreas de Saúde, Artes e Humanidades.

A decisão veio após um intenso debate realizado na comunidade universitária, incluindo audiências abertas sobre o tema, deliberações dos Conselhos de Unidade e um debate promovido pela ASSUFRGS Sindicato no dia 29, na Sala 102 da FACED, que reuniu servidores, representantes do Conselho e membros da comunidade universitária.

Para a Coordenação do ASSUFRGS a criação do Campus Serra Gaúcha representa uma oportunidade histórica de expansão da UFRGS, mas também impõe desafios estruturais e orçamentários.

“Primeiro ponto, é importante parabenizar o trabalho da CLR, que foi aprofundado, com qualidade, apresentando para a comunidade acadêmica e pro CONSUN todas as condicionantes que consideramos importantes para que a implantação do Campus Serra seja um sucesso realmente. Não uma implantação que estenda a precarização da universidade. Ao contrário, que seja um Campus com toda a estrutura necessária, que demonstre toda a excelência acadêmica da UFRGS”, pontua Maristela Cabral Piedade, Coordenadora Geral da ASSUFRGS.

O sindicato irá acompanhar atentamente a implantação escalonada e seguirá no seu papel histórico de cobrar ampliação dos recursos para a manutenção do espaço físico, ampliação de cargos TAEs, condições adequadas de trabalho para os servidores e assistência e permanência estudantil, para o novo campus, como o faz para os atuais.

Charles Almeida, servidor TAE, integrante da Comissão de Legislação e Regimentos (CLR) do CONSUN, explicou como se deu o trabalho da Comissão. “A CLR fez uma análise bastante criteriosa da proposta, identificando lacunas e inadequações. A partir daí, foram realizados pedidos de esclarecimento à reitoria, lapidando as informações sobre como se dará a implantação. A CLR propôs ao plenário do Consun a aprovação do Campus. Com base nos compromissos apresentados pela reitoria e na escuta de posições da comunidade da UFRGS, sustentamos também um conjunto de condicionantes sobre a forma de implantação. As condicionantes não prejudicam a comunidade da Serra, ao contrário, buscam garantir que a expansão ocorra com qualidade, com condições adequadas, e, ao mesmo tempo, não sejam retirados os já escassos recursos da Sede para a expansão”, finaliza.

🎙️ Debate promovido pela ASSUFRGS: preocupações e posicionamentos

O debate da ASSUFRGS realizado no dia 29/10 contou com a presença de Charles Almeida. Ele relembrou que o projeto do novo campus integra o PAC da Educação Superior, com previsão de R$600 milhões para a criação de dez novos campi, sendo R$60 milhões destinados a cada unidade. A proposta da UFRGS, até então, incluia oito cursos de graduação, 2800 vagas e a contratação de 210 docentes e 140 técnicos administrativos (TAEs).

Entretanto, os servidores Técnico-Administrativos pontuaram algumas preocupações que seria levantadas posteriormente na sessão deliberativa do CONSUN:

  • 🏢 Infraestrutura inadequada: O prédio avaliado como prioritário, o Edifício Sofia, no Centro de Caxias do Sul, foi considerado insuficiente para comportar a estrutura proposta. A Suinfra apontou limitações para laboratórios, áreas de convivência e imagem institucional da UFRGS.
  • 💰 Orçamento e escalonamento: A reitoria indicou que a implantação será escalonada, com início de cursos conforme disponibilidade de infraestrutura e recursos adicionais do MEC. No entanto, até então não havia detalhamento sobre esse escalonamento.
  • 🧑‍🏫 Dimensionamento de pessoal: A previsão de TAEs foi considerada aquém do necessário, especialmente para um campus com três turnos e cursos de engenharia.
  • 🏠 Assistência estudantil: A ausência de espaço para Restaurante Universitário (RU), casa do estudante e centros acadêmicos foi criticada como um risco à permanência estudantil. Em retorno à CLR a Reitoria se comprometeu com o RU.
  • 🏭 Parcerias privadas: A dependência de empresas locais para laboratórios e infraestrutura preocupa pela possível perda de autonomia universitária.

Parecer da CLR e condicionantes para aprovação

O parecer da CLR foi favorável à criação do campus, mas com condicionantes:

  • Implantação escalonada com garantia de qualidade;
  • Recursos adicionais corrigidos pela inflação até o quinto ano;
  • Não utilização de recursos da sede para suprir deficiências;
  • Representatividade institucional da UFRGS no novo campus;
  • Relatórios anuais de implantação e cumprimento das garantias;
  • Equilíbrio entre número de docentes, TAEs e estudantes;
  • Condições adequadas para ensino, pesquisa, extensão e assistência estudantil.
Bancada TAE na Sessão histórica do CONSUN desta sexta-feira (31). Foto: Pietro Scopel | Secom-UFRGS