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Mulheres Negras nos Espaços de Decisão: ASSUFRGS promove mesa no I Novembro Negro

Na noite de ontem, 18 de novembro, a ASSUFRGS Sindicato realizou a mesa “Mulheres Negras nos Espaços de Decisão”, parte da programação do I Novembro Negro da ASSUFRGS: Reparação ao Povo Negro. O encontro aconteceu na Sala 605 da FACED/UFRGS e reuniu lideranças e educadoras negras para debater trajetórias, desafios e conquistas na luta por representatividade.

A atividade contou com a mediação de Vanessa Franco Fontoura, coordenadora de Diversidade e Combate às Opressões da ASSUFRGS, e teve como convidadas Ivanize Honorato, docente EBTT e ex-coordenadora do Neabi IFRS Feliz, e Nelza Jaqueline Franco, coordenadora do EEABI da EMEF Afonso Guerreiro Lima.

Vanessa destacou a importância da agenda do Novembro Negro para o sindicato: “Nesta mesa de hoje, buscamos dar visibilidade às mulheres negras que ocupam espaços de decisão e mostrar que nossa presença é fundamental para transformar realidades. O Novembro Negro da ASSUFRGS é uma agenda que abraça uma série de atividades, como a ida do sindicato á Brasília, para a Marcha Nacional das Mulheres, nossa presença na Marcha Indepente Zumbi Dandara, que ocorrerá em Porto Alegre neste dia 19, a 3ª edição da exposição Negras e Negros que constroem a UFRGS, UFCSPA e IFRS.”

Trajetórias e desafios

As convidadas compartilharam suas experiências pessoais e profissionais, ressaltando como o reconhecimento da identidade negra e a militância foram se consolidando ao longo de suas vidas. Ivanize relatou que sua percepção como mulher negra veio apenas mais tarde ao ingressar na rede de ensino: “Foi com acesso às leituras e ao letramento racial que comecei a perceber o quanto minhas vivências interferiam no meu olhar. Hoje, como professora e gestora, penso na responsabilidade de trazer um olhar étnico-racial para dentro da escola,” pontuou

Jaqueline contou que desde pequena se reconhecia como negra, mas só teve contato com a militância ao atuar como professora na rede municipal: “Foi a partir de uma negação do Tribunal de Contas ao meu cargo que entendi o poder do movimento negro. Com luta política e jurídica, conseguimos espaço. Porto Alegre foi a primeira capital a realizar concurso com cotas, e essa conquista está aí há mais de 20 anos.”

Racismo cotidiano e resistência

As falas também abordaram os obstáculos enfrentados pelas mulheres negras em cargos de liderança. Ivanize enfatizou: “São as pequenas coisas, as microagressões, que configuram o racismo. Todo tempo a mulher negra precisa se colocar de forma mais incisiva, provar que tem formação. Precisamos mostrar além do conhecimento para sermos respeitadas.”

Nelza trouxe o tema do racismo algorítmico, presente até nos espaços digitais: “Se buscamos no Google ‘família feliz’, aparecem imagens de pessoas brancas. Se colocamos ‘família pobre’, são pessoas pretas. O racismo está até aí, propagando estereótipos.”

Caminhos de fortalecimento

As convidadas também destacaram estratégias de resistência e fortalecimento coletivo. Ivanize ressaltou o papel do aquilombamento: “Ter momentos de trocas entre mulheres negras em gestão é fundamental. Quando a gente se encontra, a gente se fortalece.” Jaque complementou sobre a importância de um olhar acolhedor: “A mulher negra consegue pensar de forma inclusiva, trazendo as demandas das pessoas e construindo espaços mais humanos.”

Conquistas e otimismo

O debate também celebrou avanços como as políticas de cotas, que garantiram acesso da população negra à educação superior. A mesa reforçou a educação como espaço de transição e transformação social.

O evento marcou ainda o relançamento do GT Negros e Negras da ASSUFRGS, com homenagem às pessoas que já integraram o grupo de trabalho. Entre elas, Edilson Nabarro, que fez parte da primeira versão do GT da ASSUFRGS. Ele celebrou que as sementes que foram plantadas pela geração dele, décadas atrás, seguem dando frutos, como a universidade que ao longo dos últimos anos passou por um processo de inclusão de pessoas negras por meio das políticas de ações afirmativas,

Também participaram do evento os Coordenadores do sindicato: Geni dos Santos Maria, Laís Camisolão, Ítalo Guerreiro, Ricardo Souza, Maristela Piedade e Paulo Faber, além de colegas da categoria. A atividade reafirmou o compromisso da ASSUFRGS em promover debates que fortalecem a luta antirracista e ampliam a representatividade das mulheres negras nos espaços de poder e decisão.