Com presença da ASSUFRGS, Encontro de Raça e Etnia da FASUBRA destaca participação negra, reparação, sindicalismo e antirracismo
A FASUBRA Sindical realizou entre os dias 22, 23 e 24 de novembro o Encontro Raça e Etnia, no auditório do SINDSEP em Brasília. A ASSUFRGS Sindicato marcou presença na atiividade com uma delegação composto pelos colegas: Geni dos Santos Maria, Joana de Oliveira, Juliane Ronange Silva Paim, Maiara Alessandra Lopes da Silva, Marco Alexandre Silva da Silva e Tamyres Francis Carvalho Filgueira. Sob o tema central “Fortalecendo a luta antirracista”, o evento representou um passo decisivo na construção de políticas e ações efetivas para combater o racismo e todas as formas de discriminação dentro das Instituições Federais de Ensino (IFE) e no movimento sindical.
A mesa de abertura foi composta pela coordenadora-geral da FASUBRA, Ivanilda Reis; por Rosângela Costa e por Melissa Campos. Também integraram a mesa os coordenadores de Raça e Etnia da Federação, Lenilson Santana e Lucivaldo Alves, além de Gracinete Souza, do ANDES-SN. Durante as falas iniciais, os participantes destacaram a importância da luta coletiva contra o racismo estrutural e reforçaram a necessidade de ampliar a participação da categoria nos debates sobre diversidade, representatividade e enfrentamento das desigualdades raciais.
Em seguida, foi realizada a mesa “Nivelamento e Letramento Racial – Construindo um Vocabulário Comum de Luta”, conduzida por Alex Tomax, técnico-administrativo em educação do Instituto Federal do Paraná (IFPR). A apresentação abordou conceitos essenciais para a compreensão das estruturas de discriminação racial e ressaltou a urgência de qualificar o debate dentro das instituições públicas.
As atividades da tarde foram iniciadas com a mesa temática “Ocupação dos Espaços: Participação Negra”, que contou com a palestra de Silvestre Antônio, coordenador da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde. Silvestre abordou os desafios históricos enfrentados pela população negra para acessar espaços de poder e decisão, reforçando a necessidade de políticas institucionais e ações coletivas que garantam representatividade e enfrentem o racismo estrutural.
A discussão mobilizou os participantes ao evidenciar a importância da construção de estratégias de fortalecimento da presença negra no movimento sindical, na gestão pública e nos ambientes acadêmicos. Silvestre destacou ainda o papel das religiões de matriz africana na resistência cultural e na promoção da dignidade e dos direitos da população negra.
A última atividade do dia foi a mesa “Sindicalismo, Classe e Raça: Construindo a Luta Antirracista”, conduzida pelo professor Otávio Luiz Pinheiro Aranha, da Universidade Federal do Pará (UFPA). O palestrante trouxe reflexões sobre a interseção entre desigualdades raciais e a organização da classe trabalhadora, ressaltando que a luta sindical só se fortalece quando incorpora uma perspectiva antirracista em suas ações e agendas.
O Encontro segue com programação até segunda-feira, dia 24 de novembro, com debates, oficinas e atividades formativas voltadas para o enfrentamento ao racismo.
Segundo dia (manhã)
O segundo dia do Encontro de Raça e Etnia trouxe uma reflexão sobre os desafios enfrentados pelos povos originários no acesso à educação e à saúde. A atividade, mediada pelos coordenadores Lenilson Santana e Rosângela Costa, teve como convidado o cacique Célio Fialho, da Aldeia Bananal, localizada em Aquidauana (MS), que ministrou a palestra “Saúde e luta indígena: da aldeia à universidade”.
Durante sua apresentação, o cacique destacou que a educação é uma das principais ferramentas de resistência e transformação para as comunidades indígenas. Enfatizou que o acesso à universidade representa não apenas a conquista individual, mas um avanço coletivo, capaz de fortalecer a autonomia e a preservação cultural dos povos originários.
Em seguida, o encontro prosseguiu com a mesa temática “Mulheres inspiradoras”, conduzida por Lucivaldo Santos e Mary Caroline, e que teve como convidada Norma Santiago, pesquisadora e representante da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A palestrante trouxe reflexões sobre os desafios históricos e contemporâneos enfrentados pelas mulheres negras no Brasil, abordando desigualdades estruturais, protagonismo político e estratégias de enfrentamento ao racismo e ao sexismo. O debate girou em torno da construção de políticas antirracistas no movimento sindical e na sociedade. As falas destacaram a importância da representatividade, da valorização das trajetórias das mulheres negras e da ampliação de espaços de fala e decisão dentro e fora das instituições.
Segundo dia (tarde)
As atividades da tarde do segundo dia tiveram início com a mesa temática “Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora”, que trouxe reflexões sobre desigualdades estruturais que impactam diretamente a saúde da população negra. A primeira exposição foi apresentada pela pesquisadora e advogada Ilka Teodoro,que abordou o tema da violência obstétrica, destacando como práticas desumanizadas no atendimento à gestante ainda persistem nos serviços de saúde, afetando de maneira mais severa mulheres negras. Ilka ressaltou a importância da formação permanente de profissionais e da construção de políticas públicas que assegurem atendimento equitativo e respeitoso.
Em seguida, a pesquisadora e socióloga Jaqueline Durães realizou uma palestra sobre doença falciforme, doença genética que incide majoritariamente na população negra. Durante sua apresentação Jaqueline enfatizou os desafios enfrentados pelas famílias no acesso ao diagnóstico, ao tratamento adequado e à informação. Compartilhou, também um relato pessoal, mencionando ser tia de um adolescente com doença falciforme, o que fortalece seu compromisso na defesa de políticas de atenção integral às pessoas com a doença.
Os debates da tarde reforçaram o papel do encontro como espaço de formação, denúncia e construção coletiva de estratégias para promover justiça racial e condições dignas de saúde para trabalhadores e trabalhadoras. A mesa dos trabalhos foi dirigida pelos coordenadores de Raça e Etnia Lenílson Santana e Lucivaldo Alves e também pelas coordenadoras Mary Caroline e Rosângela Costa.
Terceiro dia
O último dia do Encontro foi iniciado com um espaço dedicado à socialização de experiências e ao compartilhamento das ações desenvolvidas pelas entidades de base. A atividade teve como foco a apresentação de iniciativas relacionadas à pauta racial, às políticas de promoção da igualdade e ao enfrentamento ao racismo, relatando desafios, práticas de formação, mobilizações locais e estratégias voltadas ao fortalecimento da luta antirracista. A mesa da manhã foi coordenada pelos coordenadores de Raça e Etnia, Lenílson Santana e Lucivaldo Alves.
Ao longo do debate, destacou-se a necessidade de intensificar ações de letramento racial, fortalecer políticas institucionais de combate às desigualdades e ampliar a participação da base na formulação de estratégias para a construção de ambientes inclusivos nas instituições de ensino e nos espaços sindicais.
Confira alguns trechos da participação da delegação da ASSUFRGS:
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