Comissão da Memória e da Verdade da UFRGS realiza primeira audiência pública sobre perseguições na ditadura
A primeira audiência pública da Comissão da Memória e da Verdade Enrique Serra Padrós acontecerá nesta sexta-feira, dia 28 de novembro, às 9h, na Sala II do Salão de Atos da UFRGS. O encontro integra o esforço coletivo para apurar episódios de repressão, violência institucional e perseguições políticas praticadas na universidade durante a ditadura empresarial-militar instalada em 1964.
A atividade representa um passo importante da comunidade acadêmica em direção ao reconhecimento dos processos repressivos que atingiram estudantes, docentes e técnico-administrativos no período. Nos anos iniciais do regime, a UFRGS passou por expurgos que atingiram diretamente a vida de trabalhadores e estudantes, com expulsões, cassações e aposentadorias compulsórias.
Na audiência, serão ouvidos ex-estudantes da UFRGS que viveram a repressão política dentro e fora da universidade: Dilza de Santi, João Ernesto Maraschin e Henrique Finco, que têm trajetórias que expressam seus períodos de mobilização estudantil e repressão estatal enfrentada. Seus relatos trazem à superfície as marcas concretas do autoritarismo e reforçam a necessidade de que a comunidade universitária reconheça o que ocorreu neste período.
A Comissão da Memória e da Verdade, constituída após reivindicação de entidades, movimentos e trabalhadores da universidade, tem como objetivo reunir documentos, relatos e registros sobre violações aos direitos humanos ocorridas entre 1964 e 1988. Entre as ações previstas estão a abertura de um canal de escuta, coleta de testemunhos e articulação com quem vivenciou as perseguições no ambiente universitário.
A importância desse processo foi reforçada por Fernanda Feltes, Técnica em Assuntos Educacionais e integrante da Comissão, que afirma: “Faço um convite especial aos colegas da categoria para que participem da audiência e para que colaborem com o trabalho de recomposição histórica da Comissão porque documentar a experiência dos trabalhadores técnicos da UFRGS vai preencher lacunas históricas e incrementar a caracterização desse período que, sabemos, foi de muita opressão e também de muita luta.”
A ASSUFRGS destaca a importância da participação dos técnico-administrativos nesse processo para que episódios de perseguição institucional nunca mais sejam silenciados ou naturalizados.
O que? 📍 1ª Audiência Pública da Comissão da Memória e da Verdade da UFRGS
Quando? 🗓️ sexta-feira, 28 de novembro, às 9h
Onde? 📌 Sala II do Salão de Atos – Campus Central da UFRGS
