UFRGS concede título de Doutor Honoris Causa a Emicida e realiza Festival UFRGS Negra
No último sábado, 29 de novembro, a UFRGS concedeu o título de Doutor Honoris Causa ao rapper, escritor e produtor cultural Leandro Roque de Oliveira, o Emicida. A cerimônia, realizada no Salão de Atos e acompanhada por centenas de pessoas, foi a abertura do Festival UFRGS Negra 2025: “A universidade é nóiz”, uma celebração construída pela comunidade negra da universidade e apoiada pela ASSUFRGS junto a demais entidades estudantis e do movimento negro universitário.
Antes de dar início a cerimônia, no Salão Nobre, o cantor foi convidado para um Coquetel com a reitoria e demais representantes. Momento em que recebeu o convite do vice-reitor, Pedro de Almeida Costa, para assinar o Livro de Ouro da UFRGS. O Livro de Ouro da UFRGS é um registro histórico onde visitantes ilustres, acadêmicos de destaque, chefes de estado e outras personalidades que contribuíram para a construção de novas realidades assinam e deixam seus testemunhos. Trata-se de um livro centenário que possui um forte significado simbólico para a universidade.
Logo após, deu-se início a solenidade no Salão de Atos. A mesa oficial foi composta pelo vice-reitor, Pedro de Almeida Costa, pela diretora da FACED, Aline Lemos da Cunha, pela secretária do Conselho Universitário e TAE, Rosimeri Antunes, e pelas oradoras convidadas Eliane Sussade Bosaque, do Coletivo de Estudantes Negros da Pedagogia, e Carla Zambi, coordenadora-geral do Museu da Cultura do Hip-Hop do RS.
A cerimônia iniciou com a leitura da resolução que aprovou o título, destacando a relevância da obra de Emicida na formação crítica, na pedagogia contemporânea e na afirmação da identidade negra no Brasil. O vice-reitor Pedro Costa definiu o momento como “histórico na semana de aniversário da universidade”, ressaltando que este reconhecimento representa “um dos momentos de valorização de outros saberes que constituíram e constituem o nosso país, mas que ficaram de fora das narrativas de quem colonizou, escravizou e tomou para si a universidade brasileira”. Ele afirmou ainda que esse gesto aponta para a construção de “uma universidade aberta e plural que não só aceite o outro, mas que se modifique com a presença dessas pessoas”.
Em nome do Coletivo de Estudantes Negros, a oradora Eliane Sussade Bosaque sintetizou a importância do momento: “Ao reconhecer o Emicida, a UFRGS reconhece também a legitimidade de epistemologias que surgem das periferias, dos quilombos urbanos, das batalhas de MCs, dos coletivos negros e das ruas que sempre souberam produzir saber, mesmo quando a academia insistiu em ignorá-los.” A fala reforçou a força política do rap como ferramenta pedagógica e a urgência de uma universidade que reconheça sua dívida histórica com a juventude negra.
Visivelmente emocionado, Emicida sublinhou que sua trajetória sempre foi marcada pelo improviso: “O que me trouxe até aqui foi a capacidade de improvisar.” Ele destacou a importância de receber o título de uma universidade pública, no estado de nomes como Oliveira Silveira, Lupicínio Rodrigues, Mario Quintana, Rafa Rafuagi e Cristal, e valorizou a indicação ter vindo de um coletivo de estudantes negros: “É especial e honroso ser indicado a um título como esse por um coletivo de estudantes negros, sabendo o quanto o cotidiano pode ser árduo para um jovem negro ou uma jovem negra.”
Festival UFRGS Negra: A Rua É Nóiz
Logo após a solenidade, teve início o Festival UFRGS Negra, que lotou novamente o Salão de Atos. A programação celebrou a cultura hip-hop, a estética negra e a força das periferias, com:
- 🎤 Batalha de Conhecimento – Neega Mari, THS Drop e João Estrela
- 🎧 DJ Nana
- 👗 Desfile de moda – Emicida, África MQ Colorido e Ateliê Enieli Amaral
- 🔥 Dano Drua
Com o lema “A universidade é nóiz”, o festival reforçou a conexão entre cultura, educação e luta política, trazendo para dentro da UFRGS os corpos, discursos e estéticas que historicamente foram mantidos fora das estruturas de poder acadêmico.
Para a ASSUFRGS, como apoiadora deste momento, reforça o fortalecer a defesa de uma universidade pública, plural e comprometida com a superação do racismo estrutural. A celebração de sábado demonstrou que o conhecimento produzido nas periferias tem valor, potência e legitimidade, e que a universidade precisa seguir se transformando para reconhecer e acolher esses saberes.


























