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ASSUFRGS reitera cobrança do acordo de greve em ato com a presença do ministro

Ao receber carta de reivindicações dos TAEs, ministro da educação fica sem resposta sobre o acordo de greve, mas confirma a defesa do fim da lista tríplice

A ASSUFRGS Sindicato participou, na manhã desta quinta-feira (22), do Ato em Defesa da Educação Pública, realizado na Faculdade de Educação da UFRGS (FACED). A mobilização reuniu técnicos-administrativos em educação, docentes, estudantes, representantes institucionais e autoridades, tendo como eixo central a defesa do financiamento público, da valorização dos servidores e do cumprimento dos acordos firmados com a categoria.

Desde o início da atividade, a ASSUFRGS demarcou uma posição clara e crítica em relação à política educacional do governo federal, cobrando que os compromissos assumidos após a greve sejam efetivamente colocados em prática. Antes das falas públicas, o sindicato entregou em mãos ao ministro da Educação, Camilo Santana, uma carta com as reivindicações da categoria, reforçando que discursos sobre prioridade à educação não podem prescindir de ações concretas. A entrega da carta foi realizada no ato por Vanessa Fontoura e Ricardo Souza. 

A coordenação da ASSUFRGS foi enfática ao afirmar que o sindicato exige do governo federal o cumprimento integral do acordo de greve, incluindo a implementação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) nos termos pactuados, o reposicionamento dos aposentados e o atendimento às demandas históricas da categoria, que vão além da pauta das 30 horas.

O coordenador Ítalo Guerreiro também destacou a necessidade urgente de recomposição do quadro de servidores na UFRGS, na UFCSPA e no IFRS. No caso da UFRGS, alertou para a situação do campus da Serra Gaúcha, onde a expansão sem a devida estrutura de pessoal comprometeria o funcionamento da universidade e a qualidade do serviço público prestado. Já para o IFRS, manifestou que a instituição está anunciando campi novos, mas muitos de seus campi ainda estão longe de atingir o quadro de pessoal previsto.

Ítalo ainda manifestou o repúdio da ASSUFRGS à proposta de reforma administrativa, ressaltando que qualquer iniciativa nesse sentido representa ameaça direta aos direitos dos servidores e ao caráter público do Estado. Para o sindicato, a defesa da educação pública passa, necessariamente, por um orçamento público robusto, capaz de garantir a excelência acadêmica, a permanência estudantil e condições dignas de trabalho.

Leia a carta na íntegra:

Falas institucionais e políticas

Na abertura do evento, a reitora da UFRGS, Márcia Barbosa, defendeu maior parceria entre universidades e governo para a formação de pessoas com excelência acadêmica e mencionou o reconhecimento da UFRGS como uma das melhores universidades federais do país, segundo dados do MEC.

Em sua fala, o ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que é fácil declarar a educação como prioridade, mas difícil materializar isso na prática. Citou a necessidade de aprovação de um projeto que acaba com a lista tríplice para escolha de reitores, uma reivindicação histórica também defendida pela ASSUFRGS.

O ministro mencionou investimentos em andamento, como a futura Clínica da Família da UFCSPA, com previsão de início em 2027, a construção de novos institutos federais no Rio Grande do Sul e o campus da Serra da UFRGS. Também abordou a recomposição orçamentária anunciada para universidades e institutos federais, após cortes no orçamento federal.

Os parlamentares da base do governo fizeram falas afirmando que a educação é parte fundamental da emancipação humana e da construção de um país soberano, democrático e justo. Também foram críticos à não votação do Plano Nacional de Educação (PNE) pelo Senado, ainda que já tenha sido aprovado na Câmara, o que impede sua implementação efetiva desde janeiro. Os mesmos destacaram o papel das universidades e institutos federais durante as enchentes no Rio Grande do Sul, apontando essas instituições como parceiras centrais no processo de reconstrução do estado. Além disso, mencionaram a presença majoritária de mulheres na reitoria das universidades federais gaúchas.

Para a ASSUFRGS, o ato reafirmou que a defesa da educação pública não se sustenta apenas em anúncios, números ou reconhecimentos pontuais. É fundamental que o governo federal transforme compromissos em políticas efetivas, garantindo orçamento adequado, valorização dos trabalhadores, respeito aos aposentados e fortalecimento das universidades e institutos federais.

Assufrgs 22 Janeiro 2026