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I Conferência Antifascista: Mesma Luta, Novas Trincheiras

Por Maristela Cabral Piedade, Servidora da UFRGS, Coordenadora Geral da ASSUFRGS Sindicato.

Em março, de 26 a 29 de 2026, teremos em Porto Alegre a I Conferência Antifascista, tema bastante relevante, já que está presente o ressurgimento do fascismo em nível internacional. A reeleição e as ações de Donald Trump, bem como sua interferência em vários países — inclusive diretamente no sequestro de Nicolás Maduro e de sua companheira, Cilia Flores — intensificaram as ameaças aos direitos dos trabalhadores, às instituições democráticas e ao progresso social em várias partes do mundo, entre elas a América Latina.

Movimentos fascistas estão explorando a insegurança econômica e as ansiedades culturais, promovendo a xenofobia, o nacionalismo, o racismo, a LGBTfobia e a misoginia, para avançar os interesses do capital monopolista e de seus bilionários apoiadores. A esquerda deve oferecer um modelo de resistência ao fascismo e de defesa dos direitos dos trabalhadores no século XXI. Frente a essa ofensiva, há a necessidade de uma educação sindical e ideológica mais sólida, de maior apoio à juventude, às mulheres trabalhadoras e a grupos marginalizados, mantendo vivas as tradições de sindicalismo classista, democracia sindical, luta contra a exploração e solidariedade internacional.

Os regimes fascistas sempre procuraram eliminar o poder das organizações de trabalhadores, vendo os sindicatos como uma ameaça a seus governos liberais e terroristas. Como vemos recentemente na Argentina, o governo de Milei tenta impedir greves, proibir a negociação coletiva e retirar a autonomia e independência dos sindicatos, diminuindo a capacidade dos trabalhadores de defender seus direitos e melhorar suas condições. A ascensão do fascismo representou — e agora sua reedição representa — uma ameaça à democracia, com instituições representativas sendo abolidas, a oposição política reprimida e ditaduras que são elementos mais reacionários do capital sendo estabelecidas em diversos países.

A luta da classe trabalhadora deve ter como um de seus objetivos unir trabalhadoras e trabalhadores através de linhas ideológicas, tendo como bandeiras a democracia, a justiça social e o internacionalismo proletário. A luta pela autodeterminação dos povos oprimidos e contra o neocolonialismo também é um elemento importante para a defesa da classe trabalhadora, não apenas em ganhos imediatos dentro das nossas próprias fronteiras. É preciso ter em mente que muito do que se fez pode agora ser considerado inadequado para atender às novas exigências de um mundo em rápida transformação.

Os sindicatos e organizações da classe trabalhadora devem se posicionar contra o imperialismo, o fascismo, o racismo, a LGBTfobia e a misoginia, na defesa dos direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores. Devem promover a solidariedade internacional entre a classe trabalhadora, a igualdade de gênero, garantir direitos, oportunidades e tratamento justo a todas, todos e todes, independentemente de raça ou etnia, tendo como compromisso a justiça social.

Foto em destaque: Luiza Castro/Sul21