Em 2ª reunião do ano, GT Mulheres debate violência institucional e articula ações para o 8 de Março
O Grupo de Trabalho (GT) Mulheres da ASSUFRGS realizou, nesta quarta-feira (4), sua segunda reunião de 2026, na sub-sede Campus do Vale. O encontro teve como pauta central o apoio à ocupação Sarah Domingues e a importância de fortalecer a escuta das mulheres da universidade, especialmente diante dos relatos de violência institucional. Também foram construídos encaminhamentos no contexto da greve e das mobilizações do 8 de Março, reafirmando o compromisso com a organização e a proteção das trabalhadoras em função do aumento de casos de feminicídio no Rio Grande do Sul.
A reunião iniciou com a apresentação das presentes e teve como eixo central a importância da escuta qualificada das mulheres, especialmente diante dos relatos de violência institucional sofrida por colegas da universidade. O GT reforçou que seu papel também é contribuir na orientação sobre como encaminhar essas situações, articulando apoio político e institucional.
Apoio à ocupação Sarah Domingues
Sobre a ocupação Sarah Domingues, Luci Jorge destacou que a administração central não vinha dando a devida atenção às denúncias apresentadas por mulheres da universidade. “A ocupação foi um ato de coragem das gurias que fizeram o trabalho que a administração central não faz”, afirmou. Também foram feitas críticas à postura do vice-reitor, Pedro, em razão de falas consideradas inadequadas em relação a estudantes.
Luci relatou que junto das colegas Maristela Piedade e Mariana Sosnowski, dialogou com a reitoria sobre a ocupação e que uma nova reunião está prevista para o dia 6 de março para tratar da pauta apresentada pelas estudantes. O encontro do GT teve como objetivo construir uma proposta de resposta e apontar caminhos sobre os rumos da ocupação.
Foi ressaltada pelas colegas a preocupação de que a atual estrutura de acolhimento a mulheres vítimas de violência, que inclui advogados, psicólogos e assistentes sociais, possa ser diluída na lógica institucional de externalizar a resolução dos casos, orientando que as vítimas busquem ajuda fora da universidade, sem acompanhamento efetivo das situações internas.
Valéria Rocha destacou a importância da identificação dos agressores como parte de um processo educativo e de proteção às vítimas. Para ela, é fundamental documentar os relatos e resgatar os casos para compreendê-los em profundidade.
Também foi apontada a frustração diante do fato de a universidade contar com a primeira reitora eleita de forma paritária, com histórico de incentivo às meninas na ciência, mas que, na avaliação das servidoras, não demonstrou sensibilidade à gravidade da demanda apresentada. O debate reforçou que o machismo é um entrave estrutural ao desenvolvimento das mulheres inclusive nas carreiras científicas.
Formação política e estrutural
Myrela Leitão defendeu que o período de greve seja aproveitado para a realização de um curso intensivo de formação, voltado à compreensão da origem das opressões e de sua relação com o capitalismo. “É uma bagagem que os ativistas precisam ter para entender o porquê de sua luta. Não é uma luta individual e isolada, e sim uma luta da classe trabalhadora, e precisamos de formação para isso”, afirmou. Luci reforçou a importância da proposta.
O GT deliberou que a sugestão de formação será apresentada ao Comando Local de Greve (CLG), com a compreensão de que uma luta esclarecida é mais forte e organizada.
Rede de proteção e grupo de apoio
Outro ponto central do debate foi a necessidade de criar uma rede efetiva de proteção às mulheres. Luci relembrou que colegas da ASSUFRGS estiveram na Secretaria Estadual das Mulheres em função do alto número de feminicídios no estado, o que levou à discussão sobre o fechamento das delegacias especializadas e o caráter estrutural do problema.
A coordenadora Morgana de Marco reforçou que é preciso “cortar o mal pela raiz”, enfrentando as microviolências cotidianas que sustentam práticas maiores de opressão.
Como encaminhamento, foi proposta a criação de um grupo de proteção das mulheres dentro da ASSUFRGS, voltado a estudantes, trabalhadoras terceirizadas e servidoras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e do Instituto Federal (IFRS). O grupo do Whatsapp terá caráter de apoio e proteção, não sendo um espaço para debate partidário, mas para acolhimento, troca de informações (como caronas e compartilhamento de localização) e fortalecimento de vínculos.
Também serão realizadas conversas com diretórios acadêmicos, com o Movimento de Mulheres Olga Benario e com as integrantes da ocupação Sarah Domingues para articular ações conjuntas.
Agenda do 8M e atividades da greve
Entre as atividades previstas estão:
- Caminhada do 8 de Março, com participação da ASSUFRGS e organização de banquinha na feira;
- Convite para que os homens participem das mobilizações, respeitando o protagonismo das mulheres;
- Inclusão na agenda de greve da inauguração do “Banco Vermelho” na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, iniciativa simbólica de enfrentamento à violência contra as mulheres, marcada para 9 de março (segunda-feira), às 17h;
- Roda de conversa das mulheres da Veterinária para escuta das trabalhadoras terceirizadas, no dia 11 de março, das 13h às 15h.
